Resenha - Eu Mato

Resenha feita pela Maay!  
Título: Eu Mato
Autor: Giorgio Faletti
Editora: Intrínseca
Páginas: 536
Ano: 2010
Saiba mais: Skoob
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Uma pitada a mais de psicopatia e seria o livro perfeito.

Sinopse: Neste thriller de estreia de Giorgio Faletti, um agente do FBI e um detetive enfrentam um serial killer em Montecarlo, no glamoroso Principado de Mônaco. Trata-se do caso mais angustiante de suas carreiras: capturar o assassino que anuncia seus próximos alvos por meio de enigmas propostos em telefonemas para um programa de rádio, conduzido por um apresentador carismático. 
Para confundir a polícia, músicas são utilizadas como pistas dos crimes, cujas doses de barbárie e astúcia abatem e desnorteiam policiais, investigadores e psiquiatras. Os assassinatos, caracterizados pela frase Eu mato escrita com sangue, são marcados por uma violência que não poupa nem mesmo a pele das vítimas.

A Trama: Em uma bela noite, o glamouroso Principado de Mônaco é palco de um terrível assassinato. Dois corpos são encontrados, sem a pele do rosto, em um quarto cheio de sangue, e na parede a frase: 'Eu mato', escrita com o sangue das vítimas. 
Ninguém, como todo serial killer que se preze, adora atenção. Portanto, antes de cada assassinato, liga para a Rádio de Monte Carlo e dá uma dica, em forma de música, sobre sua próxima vítima. A partir daí, vemos o Detetive Hulot e o agente do FBI, Frank Ottobre, correrem atrás do assassino como cachorros correndo atrás do próprio rabo (essa é a descrição de Ninguém para as inúteis tentativas da polícia em descobri-lo).  


O ProtagonistaNinguém é alucinado. Típico psicopata, louco, extremamente inteligente (tanto que está sempre um passo à frente da polícia) e adora os holofotes voltados para si. Eu, com meus traços de psicopatia, adorei (haha). 
Não há muito o que falar, a graça está em conhecê-lo aos poucos, tentando desvendar sua identidade.

Os Personagens Secundários: Frank Ottobre, agente do FBI em licença pela morte da mulher, é cansativo. Ele se culpa demais pelo que ocorreu à sua esposa e isso o torna entediante. 
Hulot, ao contrário, é apaixonante. Além de ótimo detetive, é também uma ótima pessoa, com uma triste história.
Juntos, porém, os dois formam uma equipe e tanto.
Jean-Loup Verdier é o locutor de rádio que recebe as ligações de Ninguém. Jovem, lindo e dono de uma voz sedutora, fica muito perturbado por ter sido escolhido como “porta voz” do assassino.

Capa, Diagramação e Escrita: Em vermelho metalizado (escorrendo e lembrando sangue) e com o título em branco, a capa ficou simples, porém bonita. Gostei bastante, combina com o livro. 
A diagramação é simples, sem enfeites. Mas mais uma vez, combina. O típico menos é mais, sabe?
Os capítulos são narrados em terceira pessoa, à exceção dos “carnavais”. Até agora estou tentando entender porque “carnavais”, mas enfim... Esses são narrados por Ninguém, em primeira pessoa.
Quanto à escrita, algumas vezes tive que voltar e reler. Em alguns pontos o livro vai rápido demais, e a gente acaba se perdendo. Nada que complique muito, na maior parte é bem tranquilo de ler (o livro tem um ritmo frenético).

Concluindo: Admito, esperava mais. Como provavelmente qualquer outra pessoa que se interessou pelo livro por contar a história de um serial killer. São poucos os assassinatos, e não há nada muito sangrento, isso foi uma pequena decepção, porém...
A forma como Faletti estrutura a história, como ele amarra os fatos, é sensacional. Coisa de gênio. Sabe quando você chega a ficar sem fôlego durante a leitura? Então. Ainda, em nenhum momento eu desconfiei de quem era Ninguém. Nenhum mesmo. Sua identidade me pegou completamente de surpresa. Ele é descoberto mais ou menos na metade da trama, e achei que depois disso o ritmo diminuiria um pouco. Doce ilusão. O autor consegue manter esse ritmo, na caçada da polícia para capturar o assassino, na forma como ele os despista, na motivação para os crimes... E a qualidade do livro não decai em nada. 
Posso ter me decepcionado pelos poucos crimes, mas isso é superado pela excelente qualidade da obra. Nas palavras de Jeffery Deaver (autor de O Colecionador de Ossos), Giorgio Faletti é uma lenda viva. 
Para quem gosta do gênero, é leitura obrigatória.

Quotes:
"O homem é um e nenhum.
Há anos, carrega a cara grudada na cabeça e a sombra presa aos pés e ainda não conseguiu descobrir qual das duas pesa mais. Algumas vezes, experimenta o impulso irrefreável de arrancá-las, pendurar num prego qualquer e ficar ali, sentado no chão, como uma marionete cujos fios uma mão caridosa se encarregou de cortar."
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