Resenha - Jogador N°1

Resenha feita pela Beatriz!  
Título: Jogador N°1
Título Original: Ready Player One
Livro Único.
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Páginas: 462
Ano: 2011
Saiba Mais: Skoob
Comprar: Submarino // Saraiva

Seja geek ou não, esse é um livro espetacular para qualquer pessoa ler e sentir saudades dos consoles de videogame!

Sinopse: Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência. A vida, os perigos, e o amor agora estão mais reais do que nunca.  

A Trama: Demonstrando muito talento em seu primeiro livro, Ernest criou uma trama poderosa e muito envolvente!
No ano de 2044, vivendo em um mundo destruído e com valores invertidos, Wade Watts tem como salvação o maior videogame já criado de todos os tempos, o OASIS. Em um mundo virtual onde você pode explorar os infinitos planetas, seja cheios de lojas ou monstros, com créditos virtuais valendo mais que dólares e ainda tentar aumentar a pontuação para subir de nível, ninguém precisa sair de casa para enfrentar o caos que o Planeta virou; é possível ir à escola e até trabalhar, apenas conectando-se ao OASIS. Vivendo dias horríveis em uma pilha de trailers,  Wade recebe a noticia de que James Halliday, criador do universo mágico do OASIS, morreu sem herdeiros para sua fortuna, deixando apenas como testamento um vídeo onde diz ter escondido três chaves espalhadas em qualquer lugar do videogame e quem for capaz de desvendar os enigmas baseados na cultura da sua época preferida, os anos 80, encontrará o Ovo de Páscoa de Halliday, ficando com todo o dinheiro e controle sobre OASIS. 
A busca pelo Ovo durou anos e algumas pessoas estavam dispostas a tudo para encontrar o prêmio, até mesmo fazer do mundo virtual sua realidade. Elas denominaram-se Caça-ovos, lutando também para manter o controle da Caçada longe dos Seis, pessoas contratadas pela empresa de telecomunicações I.O.I. que quer privatizar o OASIS cobrando taxas para uso. Até que Wade desvenda o primeiro enigma. A partir de então o livro ganhou um ritmo acelerado, único e diferente de qualquer outra distopia. Wade passa por ameaças, não só virtuais dos Seis, a admiração entre os outros Caça-ovos, ao mesmo tempo que a competição global continua e ainda tem de guardar segredo da sua localização na vida real e do lugar onde cada chave está escondida, mas por quanto tempo durará esse mistério? O engraçado do livro é que boa parte da história conhecemos apenas os avatares dos personagens e eu não sabia os nomes reais de ninguém, e ficou muito legal isso de dupla identidade.

O Protagonista: Eu definiria Wade como a personalidade exata das pessoas que tentam se esconder por trás de telas e nomes anônimos. Passei um bom tempo chamando Wade de Parzival, seu nome de Caça-ovo no OASIS. Depois de seu pai ter sido morto com um tiro em um blackout e sua mãe morrer de overdose, ele não sabe como sobreviveria ao mundo como está sem o videogame ou a Caça, pois os momentos mais felizes da sua vida foram passados dentro do OASIS. E por ter nascido depois da criação do maior universo virtual, foi criado por programas educacionais oferecidos para crianças sem pais e sem renda. Mesmo com tudo isso em sua vida, Wade nunca reclamava das coisas serem desse jeito, na verdade sentia-se grato por poder parar de frequentar a escola real e ter como aliado as configurações anti-bullying do sistema no OASIS. Porém, Parzival também é esperto, pois mesmo não tento créditos algum no jogo para as viagens de exploração em outros planetas, ele conseguiu vencer o primeiro desafio com seu mísero avatar nível 3. O que mais gostei em Parzival foi seu jeito calmo de aceitar os acontecimentos, ele não é revoltado por ter a vida que tem, mas claro que seu grande objetivo assim que vencer o jogo é gastar a fortuna com uma mansão e "coisas legais". E sim, Wade também tem seus defeitos, embora eu não considere a distração de pensar em coisas além da Caça como um, afinal ele apenas começou a enxergar uma vida fora do OASIS, num mundo além de encontrar o Ovo.

Os Personagens Secundários: Em homenagem a deusa grega da caça, Art3mis tem 19 anos, (um ano mais velha que o protagonista), e divide seu tempo entre a faculdade virtual e a competição em busca do Ovo. Parzival a conheceu acompanhando seus textos sobre os anos 80 e fotos de seu avatar num blog e logo se apaixonou pela pessoa extremamente inteligente, durona e acima de tudo focada na Caça que é Art3mis. Mas o tempo de competição é precioso demais para ser gasto com outra coisa a não ser decifrar os enigmas que levam às chaves e vencer os desafios que cada portal reserva, por isso Art3mis tentava se manter afastada de qualquer outro avatar.
Aech é o único e melhor amigo de Parzival, dono do Porão, um lugar exclusivo para Caça-Ovos de elite. Os dois nunca se viram pessoalmente, Parzival apenas sabe que ele mora num trailer e vive viajando pelo país. Aech não aparece tanto, mas percebi que é muito engraçado e foi a única alegria de Wade além da Caça durante muito tempo. Porém no final há uma enorme reviravolta na identidade real de Aech.
Há também a dupla japonesa com nome baseado em uma série samurai dos anos 80, Daito e Shoto. Ambos são Caça-ovos firmes e determinados a nunca fazer parceria com ninguém e são eles que amplificam mais o cenário da história. Todos os quatro junto com Parzival, formavam os "Cinco do Topo" de acordo com o Placar.
E não podia faltar os vilões! A empresa I.O.I., chamados de Seis por terem o numeral '6' na frente dos dígitos de registro. O pior deles é o chefe do setor, Nolan Sorrento, que define bem o caráter da empresa, esnobe e mesquinho.  Estão dispostos a tudo para terem controle total do OASIS, até mesmo eliminar, virtualmente ou não, quantos Caça-ovos forem necessários.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa de Jogador N°1 é bem ao estilo menos é mais. Mesmo sendo simples, foi o suficiente para chamar minha atenção, principalmente o azul escolhido para colorir o '1', o nome do autor e o interior das abas. Eu achei a diagramação muito boa, pois mesmo o livro sendo um tijolinho, as letras são de um tamanho excelente para leitura fluir sem precisar forçar a vista. Eu adorei a escrita de Cline, ele tem um jeito especialmente diferente de nos contar a história, nesse caso, deixar Wade/Parzival contar sua história. Eu achei que a obsessão de Halliday pelos anos 80 veio do próprio autor, pois ele faz inúmeras citações de livros, séries, músicas, filmes e é claro, jogos, mostrando toda a imensa pesquisa que teve sobre a cultura desse tempo e demonstrando carinho em todas as explicações de enredos, como só um fã faria! Ele também conseguiu passar isso para seus personagens, enquanto eu lia os diálogos e descrições, consegui imaginar muito bem dois ou mais avatares conversando dentro dos gráficos de um videogame. Além de tudo isso, eu gostei de como ele nos põe a par da situação vivenciada com uma excelente explicação do "vídeo-testamento" que Halliday deixou. E embora seja seu primeiro livro, Ernest escreve muito bem e espero que publique mais obras :D

Concluindo: Antes de ler eu não imaginava que seria um livro tão emocionante e totalmente viciante, que me fez querer abraçar os personagens e deixá-los se encontrar de uma vez! É uma ótima experiência que fez eu me sentir dentro da plataforma de um videogame cheio de dimensões e parecia que cada término de capítulo era uma próxima fase e não pude deixar de sentir uma sensação de Game Over quando virei a última página


Quotes:

A simulação simplesmente não permitia confrontos. O mundo da Ludus era uma zona "no-JvJ", ou seja, não era permitido nenhum combate "jogador-versus-jogados". Naquela escola, as únicas armas de verdade eram as palavras, por isso aprendi a dominá-las.

No mínimo, o rosto que eu vi na foto me pareceu ainda mais bonito do que o do avatar, porque eu sabia que aquele era de verdade.
Classificação: