Resenha - Anjo Mecânico

Resenha feita pela Beatriz!  
Título: Anjo Mecânico
Título Original: Clockwork Angel
Série: As Peças Infernais
1- Anjo Mecânico
2- Príncipe Mecânico (2013)
3- Clockwork Princess (2013 US)
Autora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
Páginas: 392
Ano: 2012
Saiba mais: Skoob
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A tão atualmente aclamada pelos leitores, Cassandra Clare, infelizmente não conseguiu me conquistar completamente.

Sinopse: Anjo mecânico apresenta o mundo que deu origem à série Os Instrumentos Mortais, sucesso de Cassandra Claire. Nesse primeiro volume, que se passa na Londres vitoriana, a protagonista Tessa Gray conhece o mundo dos Caçadores de Sombras quando precisa se mudar de Nova York para a Inglaterra depois da morte da tia. Quando chega para encontrar o irmão Nathaniel, seu único parente vivo, ela descobrirá que é dona de um poder que capaz de despertar uma guerra mortal entre os Nephilim e as máquinas do Magistrado, o novo comandante das forças do submundo.


A Trama: Antes quero dizer que Anjo Mecânico foi o primeiro livro da Cassandra que li, por isso o iniciei cheia de expectativas positivas, certa que a tão aguardada leitura seria impressionante pelos diversos elogios à autora. Pena que comigo não foi bem assim.
É 1878. Theressa viajou de Nova York para Londres esperando encontrar seu mais velho e único irmão. Porém, na estação as chamadas Irmãs Sombrias dizem que Nate está preso e apenas a obediência poderá salvá-lo. Sendo assim, Tessa entra na carruagem sem imaginar quão terríveis serão as próximas semanas, treinando seu poder que nem sabia existir e ouvindo como incentivo que isso é um preparo para um tal de Magistrado.
Até que surge seu salvador, o nephilim Will. Depois do resgate, ele a leva para o Instituto dos Caçadores de Sombras, onde Tessa descobre como estes combatem aos demônios, quem realmente é o Magistrado, os mistérios por trás do seu ingênuo irmão e como usar seu poder para derrotar os novos robôs mecânicos aparentemente invencíveis.
Admito que o enredo é original, mas ao mesmo tempo um tanto controverso. A novidade é, ao invés da luta "anjos contra demônios", a autora inovou com "nephilins versus máquinas-demônios", mas não se esqueceu de acrescentar os amiguinhos vampiros que já não aguento mais! Outra coisa que achei bem falha foram as descrições que não conseguiram passar a sensação da Londres vitoriana.
Porém, algo que me interessou foram as divertidas explicações sobre tipos de demônios e as diversas maneiras de destruí-los e eu fui surpreendida com certas reviravoltas.



O Protagonista:  Não tive problemas com Tessa, mesmo o seu medo falando mais que a coragem. Ela não é o típico personagem de Young Adult, mas há algumas características como mocinha sempre em perigo ou a única com certo problema. Na verdade, achei que Theresa foi simplesmente o olho usado para toda a história se desenrolar. Creio que Cassandra tentou trazer à tona uma mentalidade do século XIX, mas o resultado foi uma marionete com opinião: quando diziam para arriscar a vida com poucas chances de voltar ilesa, ela o fazia; quando pediam para ficar no seu quarto enquanto todos lutavam, ela o fazia. Isso não me incomodou. O fato de Tessa não encher os capítulos com pensamentos insuportáveis sobre suas dúvidas foi a qualidade que superou qualquer defeito, até mesmo não ter uma personalidade muito definida.


Os Personagens Secundários: Por não possuir tantos personagens, achei que os principais poderiam ter mais espaço. Will, o nephilim bad-boy, era um pouco metido e sua insistência em não falar no passado obscuro (ainda não revelado) não o tornou misterioso e sim mimado, mas pelo menos foi o mais engraçado, irritando a todos com seu humor arrogante. Jem foi o melhor por ser simpático e receptivo, mesmo com uma história lastimável. Sabia dar uma boa lição nos demônios e ainda ser pacífico e amigo, seu único defeito foi achar que todas as pessoas são legais e que não se importariam em ouvir sobre seu grave "problema de saúde", oposto do recluso William. Jessamine tomou o posto de Mais-Chata, por ter a mente fixada em arrumar um marido para sair do Instituto, mas às vezes era divertida por ser desligada a ponto de não se importar com a destruição do mundo, contanto que as lojas de roupas ficassem intactas!

Capa, Diagramação e Escrita: Posso ser a única, mas não gostei da capa sem cor e sem vida, onde o único realce é o brilho colorido que a editora põe em todos os livros da autora. O título, com letras brancas e normais, é muito simples, mas um detalhe que gostei foi o "anjo mecânico" estampado que Tessa usava como colar. A diagramação é a padrão da editora, com folhas amarelo cremoso e letras medianas. Algo que me decepcionou bastante foi a escrita 'mecânica' de Cassandra. Talvez eu tenha ansiado demais por algo que não veio, mas achei as descrições muito básicas, nos diálogos só o essencial, sem aquele envolvimento conquistador que narrações em 3° pessoa costumam ter. Por ser o meu gênero preferido, literatura fantástica, faltou aquele toque de magia.

Concluindo: Como o livro retrata o mundo antes de Instrumentos Mortais, para quem gosta da série, recomendo que leia. Mas se for apenas por curiosidade sobre o repertório do livro, minha opinião é: não espere algo que faça viver fortes emoções. Há sim acontecimentos dinâmicos, mas nada além disso.

Quotes:
Estava dentro. Dentro da pele de outra pessoa. Na mente desse alguém.

- Ele inventou isso - garantiu Jem apressadamente. - Sério, Will. Quantas vezes precisamos dizer que não existe varíola demoníaca?
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