Resenha - Eragon

Resenha feita pela Beatriz!  
Título: Eragon
Título Original: Eragon
Série: Herança
1- Eragon
2- Eldest (2006)
3- Brisingr (2007)
4- Herança (2012)
Autor: Christopher Paolini
Editora: Rocco
Páginas: 468
Ano: 2005
Saiba mais: Skoob
Comprar: Submarino // Extra // Ponto Frio

Para viciados em literatura fantástica com um estilo medieval. E, é claro, dragões!

Sinopse: Eragon é o romance de estreia de Christopher Paolini, uma história repleta de ação, perigosos vilões e locais fantásticos. Com dragões e elfos, cavaleiros, lutas de espadas, inesperadas revelações e, claro, uma linda donzela que é muito bem capaz de cuidar de si própria. O protagonista, de quinze anos, é um pacato rapaz do campo que, ao encontrar na floresta uma pedra azul polida, se vê da noite para o dia no meio de uma disputa pelo poder do Império, na qual ele é peça principal.

A Trama: Eragon é um livro com reviravoltas inteligentes, uma narrativa muito encantadora e os personagens, diferentes do que muitos chamariam de clichês, seguem o "estilo clássico" de literatura fantástica. Mas, ao mesmo tempo em que me impressionou, o talento do autor em descrever de um jeito delicado e abrangente também foi motivo de desapontamentos em certos capítulos.
Eragon, em uma de suas viagens à Espinha para obter comida para sua família e sua fazenda em Carvahall, ouve uma explosão e vê uma pedra macia como veludo surgir em sua direção. Depois da recusa de vários vendedores, Eragon começa a duvidar de seu valor e nem sonhava que em poucos dias a tal pedra “chocaria” e, de lá, nasceria um pequeno dragão com escamas azuis. A vida de Eragon, com o passar do livro e
crescimento de Saphira (sim, ela é fêmea), muda radicalmente, trazendo todas as oportunidades e obstáculos que a mente ligada a um dragão proporciona.  
Percebe-se o trabalho do autor em criar um novo mundo, com direito a um mapa no inicio do livro, que me permitiu ter uma ideia melhor da distância entre as viagens feitas por Eragon. E o Glossário da Língua Antiga, dos Anões, Urgais e um Guia de Pronúncia foram muito úteis além de divertidos. Eu entendi o porquê de Saphira ser a única dragão que apareceu, mas isso não quer dizer que não espero mais desses seres alados nos próximos volumes :D
 
O Protagonista: Eragon não me irritou, mas também não me cativou por completo. Não posso culpá-lo por nascer em uma época inoportuna e, mesmo sem conhecer suas próprias origens, ter de carregar o fardo de ser o único Cavaleiro em 100 anos. Eragon tem de convencer a todos que sua aparição não é sinônimo de ruína e sim esperança, mesmo sem entender nada disso direito. Ele sabe apenas que é capaz de unir suas forças com Saphira e conversar com ela usando de telepatia. Com o desenrolar da história, Eragon, que antes era um simples garoto franzino, vai aprimorando suas habilidades, tanto mágicas quanto no combate de espadas. E, durante toda a leitura, ele tenta ao máximo deixar o medo e a insegurança no passado, junto com sua antiga vida.
 
Os Personagens Secundários: Entre tantas viagens e extensas histórias de cada povo, o livro é cheio de personagens e por sorte a maioria me conquistou!
Saphira, mesmo estando em "fase de crescimento" e ainda não sendo capaz de soltar fogo, carrega a sabedoria dos antigos dragões. Ela tem um jeito ancião de falar ao passo que às vezes sente saudades e ciúmes de Eragon como uma criança!
Brom foi meu favorito e não posso falar muito sobre ele para não dar spoilers. Até para Eragon, Brom não revela completamente seu passado e tudo que o protagonista sabe sobre ele no início provém de suas visitas às aldeias para contar as verdadeiras histórias de Alagaësia sem a manipulação do atual rei. Quando descobre o segredo de Eragon, Brom decide ensiná-lo alguns truques mágicos
e a duelar com maestria.

Os Povos: Decidi escrever uma parte adicional explicando um pouco sobre os povos que o autor usou na história e a tal Língua Antiga que me confundiu de início:

Urgais: Tendo em média mais de 2 metros e meio de altura, chifres na cabeça e uma cultura agressiva, esses monstros repugnantes vivem de guerra e não são exatamente o que um viajante quer encontrar pelo caminho ou o que uma cidade quer receber como visita.

Espectros: Quando um feiticeiro invoca um espírito mais forte que ele, este pode tomar o controle de seu corpo e não tem como ele ser retirado. São muito parecidos com os humanos, exceto por suas habilidades sobrenaturais na magia e nos duelos, sua palidez extrema, sua visão perfeita à noite e seu instinto de atrair a morte e a destruição.

Cavaleiros de Dragões: Praticamente imortais devido ao poder recebido dos dragões, sua missão inicial era defender Alagaësia. São escolhidos quando um ovo choca e, ao primeiro toque, recebem uma gëdwey ignasia (palma prateada, na Língua Antiga), um receptor que permite compartilhar a mente e as energias com seu dragão que, além de montaria, torna-se seu parceiro para toda a vida.

Meninos-gato: Criaturas que podem se transformar em humanos e voltar para a forma de "mini-leão". São conhecidas por viverem mais que os homens, possuírem poderes mágicos e darem conselhos. São ótimos observadores e geralmente sabem mais do que falam.
*Nota: um dos príncipais erros do filme foi não incluir essa espécie no roteiro, pois ela é essencial para o andamento da série.*
 

Elfos: São um povo imortal e possuem uma profunda ligação com a natureza. Obtêm quase tudo por meio de magia, sem precisar caçar. Apenas um Cavaleiro com treinamento completo possui forças que se igualam às dessa espécie justa, sábia e possuidora de uma língua própria (além da Antiga).

Anões:
 Dividem-se em 13 clãs, cada um com um rei distinto e apenas 1 chefe supremo. Sempre viveram em guerra com os Cavaleiros e preferem cavar túneis a conviver com outras raças.

A Língua Antiga: Um dos primeiros idiomas a ser criado. Essa língua impossibilita qualquer boca de contar mentiras ou quebrar juramentos feitos através dela. Usada por todos os povos no domínio da magia.

Capa, Diagramação e Escrita: Foi a capa que chamou minha atenção e me fez levar o livro sem nem ter lido a sinopse, afinal como eu poderia resistir ao intenso olhar azul cheio de mistérios de Saphira? Sim, isso foi uma desculpa para não dizer: "Comprei só porque é um dragão!" 
Os inícios de capítulo indicam um nome (o que prefiro bem mais do que uma simples numeração) e as margens foram bem aproveitadas levando em conta que a letra é pequena. Mas a leitura fluiu rápido para mim. 

Christopher demonstrou que tem muito capricho imaginando histórias distintas para personagens secundários e soube criar detalhes que deixaram o livro mais gostoso e rico. Sua narrativa é em terceira pessoa, incluindo várias passagens com Eragon e Saphira contando seus pensamentos. Mas Chris também vacilou em certos pontos, deixando alguns furos no enredo. Meu maior problema na verdade foi a mudança no ritmo do livro. Eu já havia me adaptado ao seu jeito detalhista sem ser maçante, mas próximo do final senti falta de certas descrições. E tenho de comentar que a última guerra e o desfecho ficaram um tanto superficiais. Eu sei que é uma série, mas parece que o autor estava forçando um gancho para a continuação. Mesmo com tudo isso, foi uma leitura muito agradável e me deixou ansiosa por Eldest.

Concluindo: Recomendo a todo fã de literatura fantástica. Vale a pena ler com calma, deixando a narrativa te prender na história. Não deixe de lado descrições de acontecimentos e personagens que parecem passageiros, mas que têm grande importância depois de um tempo. E que suas espadas permaneçam afiadas!

Quotes:

Saphira: "Você tem certeza de que não está ferido?" Eragon: "Pelo menos, no lado de fora... mas não tenho tanta certeza quanto ao resto de mim."

A língua descreve a natureza verdadeira das coisas e não o aspecto superficial que todos veem. Por exemplo, o fogo se chama brisingr. Esse não é apenas um nome para fogo, este é o nome do fogo. Se você tiver força o bastante, pode usar brisingr para que o fogo faça o que você quiser.
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