Resenha - Seraphina

Resenha feita pela Luh!
Título: Seraphina
Título Original: Seraphina
Série: Seraphina
1- Seraphina
2- Dracomaquia (2014 US)

Autor: Rachel Hartman
Editora: Pensamento
Páginas: 384
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Um mundo fantástico.

Sinopse: Neste livro você vai conhecer Seraphina Dombergh, uma garota de 16 anos com grande talento para a música e que possui um terrível segredo. A história se passa no reino medieval de Goredd, onde seres humanos e dragões convivem em harmonia há décadas, desde a assinatura do Tratado de Paz. Criaturas extremamente inteligentes que podem assumir a forma humana, os dragões frequentam a corte como embaixadores. Seraphina se torna assistente do compositor da corte justo quando um membro da família real é assassinado bem ao estilo dos dragões. O clima começa a ficar perigosamente tenso e Seraphina passa a colaborar com as investigações, ao lado do capitão da Guarda da Rainha, o Príncipe Lucian Kiggs. Durante essa jornada, que pode destruir a paz entre humanos e dragões, a fachada cuidadosamente construída por Seraphina começa a desmoronar, sendo cada vez mais difícil manter seu segredo, cuja revelação seria catastrófica.

A Trama: Seraphina traz um mundo incrível! Sua construção vai muito além dos cenários. A autora pensou em tudo: religião, política, nações diferentes, costumes, festas nacionais e até em preconceito. Ela também tem ideias muito originais, como o jardim dos grotescos (um lugar que fica dentro da mente da protagonista), dragões que podem assumir a aparência humana e romances inesperados que tornam a narrativa mais interessante e agradável.
Entretanto, o que mais me encantou no livro foi também onde tive problemas. Por ter que explicar o extenso e complexo mundo, o ritmo da história ficou muito lento e me envolver foi difícil. Não me importo muito quando o ritmo é lento, contanto que isso tenha um propósito, mas senti que na primeira metade do livro não aconteceu muita coisa. Basicamente, descobrimos quem é Seraphina, qual seu segredo, como seu universo funciona... E só. Quase duzentas páginas para isso. Outro problema da complexidade desse universo foi o fato de nomes como saarantas e samsameses se confundirem facilmente, até eu encontrar o Glossário no fim do livro.
Entretanto, para compensar, a segunda metade parece ser um livro diferente. Com um ritmo muito mais rápido e uma trama extremamente interessante, Seraphina finalmente atinge seu potencial e fica impossível parar de ler. O final, apesar de me deixar muito ansiosa pelo próximo livro, consegue dar um desfecho satisfatório à trama e responde a maioria de minhas dúvidas.

A Protagonista: Seraphina é uma protagonista fascinante e uma narradora ótima. Uma garota peculiar e cheia de mistérios, vamos descobrindo sobre ela aos poucos por seus próprios pensamentos, diálogos e flashbacks. Extremamente sagaz, a protagonista era capaz de compreender a política de seu mundo e tudo o que acontecia ao seu redor. Mas sua passividade me afligia. Seraphina não poderia chamar a atenção, então ela parecia fazer nada  de importante. Eu realmente gostei da garota e me envolvi com sua batalha interna entre a necessidade de esconder seus segredos e a vontade de mostrar quem ela é.

Os Personagens Secundários: Os dragões eram magníficos! Proibidos de tomar suas formas originais, eles eram quase idênticos aos humanos em aparência, mas eram também seres frios, desprovidos de quaisquer emoções. Meus personagens prediletos foram Glisselda (que poderia parecer ingênua, mas compreendia muito mais do que demonstrava), por trazer um ar mais leve às cenas, e Lucian, o príncipe maravilhoso que me fazia amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo por ser tão honesto e correto.
O antagonista (que não mencionarei o nome por ser um spoiler) surgiu inesperadamente e cumpriu seu papel com perfeição. Ele mal apareceu e eu já estava torcendo pra alguém matá-lo!
Algo muito raro aconteceu em Seraphina: eu gostei de todos os personagens. Todos eles, dos malvados aos bonzinhos, dos dragões aos que queriam destruí-los, incluindo até a protagonista!

Capa, Diagramação e EscritaNão pensei que poderiam existir "níveis de diagramação", mas essa é uma das melhores que eu já vi. O detalhe dourado do título ficou lindo (você só precisa tomar muito cuidado pra não arranhá-lo), a capa é maravilhosa e tem citações de blog nacionais como o Psychobooks (que eu considero muito mais confiável que um jornal famoso). As folhas possuem uma gramatura maior que a normal (tornando praticamente impossível que as letras da parte de trás da página apareçam) e o tamanho da letra está ótimo.
Como se a originalidade e atenção aos detalhes não bastasse, a escrita de Rachel Hartman é linda e poética e te faz querer anotar todos os trechos do livro para poder citar depois. Entre o presente, flashbacks e memórias, às vezes a narrativa ficava confusa, mas logo me acostumei e passei a apreciar o estilo da autora.

Extras: Eu precisei criar uma categoria especial para mencionar os extras encontrados no fim do livro. O "Cast" é hilário, além de ser ótimo para lembrar de todos os personagens. O Glossário me ajudou bastante quando me confundia com as expressões e o conto extra deu um toque especial ao livro!

Concluindo: Trama interessante, personagens extremamente cativantes e uma originalidade infinita. O único defeito do livro foi o ritmo, mas ainda assim foi uma leitura agradável e acredito que o próximo volume da série será simplesmente perfeito!

Quotes:
Não se pode voar em duas direções ao mesmo tempo. Não posso pousar entre aqueles que pensam que sou defeituosa.

Eu lutaria cem mil guerras
Apenas por um beijo seu.
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