Resenha - Adeus, Por Enquanto

Resenha feita pela Maay!
Título: Adeus, Por Enquanto
Título Original: Goodbye for Now
Livro Único.
Autora: Laurie Frankel
Editora: Paralela
Páginas: 320
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Sinopse: A talentosa autora de Atlas do amor inova em seu segundo romance, no qual conta a história do jovem casal que estendeu seu amor para além dos limites da vida. Não é milagre e nem magia, é pura ciência da computação. Graças ao software que Sam Elling, um divertido programador do MIT, desenvolve, torna-se possível conversar com projeções perfeitas de pessoas queridas que morreram. Assim, ele ajuda sua namorada a superar a perda recente da avó, mas não esperava que um dia fosse precisar se tornar usuário de seu próprio programa...

A Trama: Primeiro eu queria esclarecer que o livro é classificado como um romance, porém o romance mesmo começa e se desenvolve em cerca de 30 páginas. Nas páginas restantes, o que vemos é um livro sobre as diferentes formas de encarar o luto.
Quanto à trama, logo que Sam e Meredith se apaixonam, a avó dela morre. Diante da dificuldade de Merde (que m**** de apelido é isso?!) em aceitar a perda, Sam acaba desenvolvendo um programa de computador que possibilita a comunicação das pessoas com "Entes Queridos Falecidos". 
O RePose, como é chamado, é alimentado com os dados eletrônicos do indivíduo - e-mails, conversas em vídeo, sites que costumava visitar, etc. Com esses dados, o programa é capaz de responder ao usuário da mesma maneira que a pessoa responderia, quando em vida. 
A história é bem previsível, tenho de admitir. Porém, a sua profundidade é o que encanta. 

Os Protagonistas: Os protagonistas não me conquistaram muito. Sam é legal e tal, mas a impressão que eu tive é que faltava alguma coisa nele, não sei o que era, mas fazia com que parecesse um personagem incompleto. 
Meredith, por outro lado, é chata. Não gostei, não simpatizei e foi difícil até mesmo tolerá-la. Odeio gente boazinha demais, gente assim não me convence. E ela é assim. Além de que é bastante incoerente, afinal, ao mesmo tempo que se culpa e se martiriza pelo mal que RePose está fazendo a algumas pessoas, não para de usá-lo. 

Os Personagens Secundários: Dash foi disparadamente meu personagem favorito. Gay assumido, ele sabe transitar perfeitamente entre o cara um pouco ácido e o rapaz de bom coração. 
Gostei bastante, também, dos usuários de RePose, mesmo que eles me obrigassem a voltar páginas e mais páginas do livro a fim de lembrar quem era quem (sim, eu tenho dificuldade em lembrar de muitos nomes). São pessoas bem diferentes uma das outras, mas com uma coisa em comum e que os une: a perda. A relação que constroem entre si é linda, eles realmente formaram uma família, e isso me comoveu.

Capa, Diagramação e Escrita: Tive uma relação de amor e ódio com a capa. Ao mesmo tempo em que achei tudo lindo - as cores, desenhos, fonte... Fiquei bem irritada, porque para os mais detalhistas, ela solta um belo de um spoiler. A propósito, a sinopse também faz isso! Uma das coisas citadas por ela, só vai acontece a menos de 100 páginas do final. 
A diagramação é bem simples e quase não tem detalhes. Agora, a escrita... Eu me apaixonei pela escrita de Laurie. Mais do que a história, mais do que os personagens, mais do que tudo. Eu amei a escrita. É difícil explicar, mas sabe quando você lê um texto e ele tem ritmo? Por aí. E eu sou fã assumida de frases curtas, coisa que a autora soube como usar e aproveitar maravilhosamente. 

Concluindo: Mesmo sendo uma história previsível, ela me ganhou aos poucos. Não é um livro que me fez chorar, mas é um livro extremamente pesado - carregado pelo luto e pela tristeza de seus personagens. Não acredito que qualquer pessoa possa ler, é preciso ter um psicológico um pouco mais forte. Eu mesma falei diversas vezes durante a leitura que o livro estava me deprimindo. 
Fora isso, é uma história bonita, que conquista na sua simplicidade. 

Quotes:
É difícil sentir saudades de alguém de quem você não se lembra. Sentir saudades é se lembrar. São o mesmo ato. São partes integrantes uma da outra.

"Então que diabos eu faço?"
"Fique triste."
"Por quanto tempo?"
"Para sempre."
"Mas então por que não está todo mundo infeliz por aí o tempo todo?"
"Porque sorvete ainda é gostoso. E sol com vinte e quatro graus ainda é um dia lindo. E filmes engraçados fazem dar risada, e o trabalho é realizador, e uma cerveja com um amigo é legal. E outras pessoas o amam também."
"E isso basta?"
"Não há o que baste. [...]"
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