Resenha - Quem Poderia Ser A Uma Hora Dessas?

Resenha feita pela Beatriz!
Título: Quem Poderia Ser a Uma Hora Dessas?
Título Original: Who Could That Be At This Hour?
Série: Só Perguntas Erradas
1- Quem Poderia Ser a Uma Hora Dessas?
2- Quando Você a Viu Pela Última Vez? (Outubro/2013)
Autor: Lemony Snicket (Daniel Handler)
Editora: Seguinte
Páginas: 235
Ano: 2012
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Siciliano // Submarino

É Lemony Snicket. Isso já diz tudo é mais um pouco (perfeição). Não que ele costume revelar tudo isso em seus livros.

Sinopse: Em uma cidade decadente, onde se criam polvos para a produção de tinta, onde há uma floresta de algas marinhas, e onde um dia funcionou uma redação de jornal em um farol, um jovem Lemony Snicket começa o seu aprendizado em uma organização misteriosa. Ele vai atender seu primeiro cliente e tentar solucionar o seu primeiro crime, aos comandos de uma tutora que chama carro de “esportivo” e assina bilhetes secretos. Lá, ele vai cair na árvore errada, vai entrar no portão errado, destruir a biblioteca errada, e encontrar as respostas erradas para as perguntas erradas - que nunca deveriam ter passado pela cabeça dele. Ele escreveu um relato sobre tudo o que se passou, que não deveria ser publicado, em quatro volumes que não deveriam ser lidos. Este é o primeiro deles.

A Trama: Você não precisa ter lido Desventuras em Série para entender Quem Poderia Ser a Uma Hora Dessas, porém há referências leves da série que só quem leu consegue captar.
A história começa com Lemony indo parar no carro de sua nova tutora S. Theodora Markson (S. de quê?), que além de ser a última no ranking de melhores agentes para a "empresa que trabalham", se acha incrivelmente inteligente e capaz de resolver casos complexos em um instante. Depois de deixar seus supostos pais na estação de trem, Lemony vai parar em Manchado, uma cidade falida que só existe porque parte do mar foi drenada e vivia da tinta produzida por polvos. Quer mais bizarrices? Lá, protagonista e tutora encontram uma cliente dizendo que sua estatueta da Fera Ressonante foi roubada, um objeto que supostamente não vale nada, mas por incrível que pareça, há muitos suspeitos atrás dela. Durante o desenrolar do livro, Lemony vai atrás das resoluções dos mistérios, evitando fazer perguntas erradas e indo em direção as respostas que o levaram ao caminho certo. É um livro que me deu vontade de reler logo após o termino da leitura (algo que raramente sinto) só para poder prestar mais atenção nas pegadinhas e não largar o livro até tudo se resolver, mesmo eu sabendo que isso não iria acontecer só por ser do Snicket!


O Protagonista: Uma das melhores partes é o próprio autor ser o protagonista e não deixa claro se a narrativa ocorre no presente ou sua versão adulta relembrando o passado. Durante a leitura, tive vários pensamentos do tipo “Desde essa época ele fazia isso!”, pois eu li Desventuras em Série e já estou habituada com seus hábitos hilários de escrita, um tipo de humor de quem sabe ser engraçado em contextos simples ou complexos. Lemony é um menino quieto e sossegado, mas muito questionador por dentro. Mesmo com 12 anos, ele carrega incertezas do seu passado e prova ser mais inteligente que muita "gente grande". E claro, é muito divertido de um jeito cínico e simplório, e pude aproveitar sua personalidade agradável em dobro.



Os Personagens Secundários: Uma características dos livros Lemony é formar personagens juvenis cativantes, por serem inteligentes e possuírem mentes abertas, tentando desvendar os enigmas da forma mais correta possível, mesmo os adultos atrapalhando e desconsiderando seus esforços. Já a maioria dos personagens mais velhos, fazem o leitor rir por possuírem mentes facilmente manipuláveis pelos vilões ou nos enchem de irritação por serem tremendos cabeças duras e metidos a espertos. Em ambos os casos, Lemony sabe como fazê-los provocar os mais diversos sentimentos nos leitores. Começando pela tutora S. Theodora Markson que implantou no seu aprendiz a repulsa de perguntas erradas. Durante quase o livro inteiro, Theodora se mostrou uma pessoa narcisista e arrogante, mas com os sumiços de Snicket e sua preocupação com ele aumentando, ela prova que não é tão insuportável assim. Eu achei bem bolada a ideia dos dois irmãos taxistas que cobram dicas literárias ao invés de dinheiro, e morri de rir imaginando a cena de como eles dirigiam o carro do pai! Ellington parece ser muito importante para os próximos livros, mas nesse permanece um mistério.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é linda e mesmo mostrando certas partes, personagens e objetos descritos no livro, mantém um ar de suspense, como se dissesse que o verdadeiro mistério está nas páginas. A única coisa que me irritou foi o fato da capa ser emborrachada, pois qualquer coisinha deixa marcas nela. A diagramação está muito boa, as letras são grandes assim como os espaçamentos, perfeito para conseguir um bom ritmo de leitura. Quanto à parte gráfica, cada capítulo começa com uma ilustração e há algumas espalhadas pelo livro, mas todas estampam a história de outro ângulo do que é narrado e eu achei super interessante e bem feitas. No início do livro há uma “mensagem” impressa, como se fosse o início de uma carta e eu tenho certeza que Snicket colocou algum código e só no final da série conseguirei decifrar, isso é bem típico dele.

Algumas escritas são mágicas por descrever as coisas muito bem, outras te impressionam por você se identificar tanto. A de Lemony é estrategista por me fazer querer e entender suas palavras e o que ele quis dizer com elas. Sou muito suspeita para falar desse autor! Gosto como, em poucas palavras, o autor monta ótimas descrições, pois Lemony tem facilidade de escrever de forma ágil e fluida, sem tirar a impressão de que foi feita com cuidado e qualidade. E sua habilidade de me fazer conhecer o caráter das personagens pelos diálogos me conquista. 

Concluindo:. A trama tem um ar de suspense sobre espiões, mas com personagens juvenis! Agentes cumprindo uma missão secreta, uma agência de espionagem que parece estar em todo lugar, tudo feito com um humor irônico. Já mencionei ou deixei claro que ele é um dos meus autores preferidos? Hehe, com certeza será relido. Eu gostei das lições que o livro traz e foi muito divertido o jeito como o autor as mostra, nas entrelinhas e por trás de cenários e personagens bizarros. Entrou para meus favoritos desde as primeiras páginas.

Quotes:

É interessante olhar para a família de alguém e imaginar como ela pareceria a um estranho.

O mapa não é um território. Essa expressão significa que o mundo não corresponde à imagem que temos em nossas cabeças.

[...] me interessei pelo capítulo que falava sobre bruxas de Manchado, que tinham tinta correndo em suas veias em vez de sangue. Fiquei me perguntando o que elas colocavam nas canetas.

Existe um método simples para encontrar uma pessoa quando você ouve gritos. Primeiro, pegue uma folha em branco e um lápis bem apontado. Depois trace nove colunas, cada uma delas com quatorze casas. Então jogue o papel fora e encontre quem estiver gritando para poder ajudá-lo. Não é hora de perder tempo com papel.

Classificação: