Resenha - Eu, Anna

Resenha feita pela Maay!  
Título: Eu, Anna
Título Original: I, Anna
Livro Único.
Autora: Elsa Lewin
Editora: Record
Páginas: 336
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Um livro extraordinário, mas que não é para qualquer um.

Sinopse: Anna Welles, 50 anos, divorciada, mora em um minúsculo apartamento com a filha adolescente em Nova York. Sentindo-se perdida e desamparada depois do fim de um casamento de quase trinta anos, ela busca meios de se reerguer. Em uma noite, depois de uma festa para solteiros, Anna acaba no apartamento de um estranho, e, de repente, toda a frustração e a solidão vêm à tona. E o que se segue é o início de seu pior pesadelo.

A Trama: A trama, na minha opinião, acaba ficando um pouco em segundo plano, até mesmo porque tudo é resolvido rapidamente. O que ganhou verdadeiro destaque foi a forma que cada personagem encontrou para lidar com seus problemas e como isso acaba afetando suas vidas.

A Protagonista: Anna é uma mulher muito calejada, e isso fez com que eu tivesse certa empatia pela personagem. É o tipo de pessoa que nunca esperou muito da vida, sempre se contentando com o que lhe era oferecido. Porém, quando perde tudo o que tinha, isso a desestabiliza.
Ela acaba desenvolvendo alguns mecanismos de defesa, para fugir de sua triste realidade e da depressão em que se encontra. Anna esquecia o que estava fazendo, porque estava nos lugares ou o que tinha acabado de fazer... E essa foi uma das partes que mais me fascinaram na história, pois, apesar de ser uma trama fictícia, a situação toda é muito real.

Personagens SecundáriosHá muitos personagens no livro, todos eles muito reais e bem estruturados. O diferencial, aqui, é que conhecemos cada um deles o suficiente para formarmos uma opinião - seja ela boa ou ruim.
Bernie foi um dos que menos gostei. Não tenho paciência para pessoas que tem auto-preconceito. Sabe aquele tipo de gente que, por mais que ninguém fale ou faça nada para que ele se sinta assim, sempre vai falar que é perseguido porque faz parte de uma minoria? Então... Bernie é um judeu extremamente complexado com isso.
Janet aparece muito pouco, mas a personagem me conquistou. Talvez por ela ser uma das mais equilibradas entre um mundo de pessoas problemáticas. Queria ter tido a oportunidade de conhecê-la ainda melhor, mas entendo que não havia como.

Capa, Diagramação e Escrita: Achei as cores da capa um pouco fortes, mas elas combinaram perfeitamente com o clima do livro. E apesar de ser inimiga assumida das capas com referência ao filme, tenho de admitir, eu gostei dessa. A atriz, no canto da imagem, faz uma referência muito sutil e de extremo bom gosto à obra cinematográfica. Tão sutil, que muito provavelmente, não são poucos os que vão passar desapercebidos por esse "detalhe".
O livro é pequeno, e a fonte um pouco maior do que o normal. Portanto, a leitura é super rápida.
A escrita de Elsa Lewin é bem pesada, mas quando descobrimos que a autora é, também, psicanalista, isso faz todo o sentido. Há dois capítulos narrados por Anna, em primeira pessoa, e os demais são narrados em terceira pessoa. O foco alterna de personagem em personagem, mostrando, principalmente, o viés psicológico de cada um.

ConcluindoO livro é denso, isso porque ele explora muito (e muito bem) a psicologia. Porém, apesar de esse ser um aspecto que me agradou muito, sei que para várias pessoas será um problema.
Na capa, o livro é classificado como um romance, e logo abaixo há um comentário que o coloca como um "fascinante suspense psicológico". Concordo com a parte do psicológico, mas para mim, o livro é, na verdade, um drama.
No geral, apreciei muito a leitura. E indico, sim, para aquele fascinados pela psicologia, assim como eu.

Ps: O filme deve estreiar, aqui no Brasil, em setembro.

Quotes:
Eu queria que alguém entendesse. Não estou pedindo para ser perdoada. Mas queria que alguém entendesse. 
Se alguém entender, isso pode ser a prova de que eu vivi. De que fiz a diferença. Eu vivi a dor. E fiz a diferença.
Eu, Anna.

- Deviam começar a vender seguro de amor. Que nem seguro de vida. Se o amor morrer, você recebe.
- As empresas de seguro iriam falir. O amor sempre morre. Além disso, qualquer um preferiria ficar com o dinheiro. 

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