Resenha - Fogo

Resenha feita pela Beatriz!
Título: Fogo - Como Tudo Começou
Título Original: Fire
Série: Sete Reinos
1- Graceling (2011)
2- Fogo
3- Bitterblue (2012 US)

Autora: Kristin Cashore
Editora: Rocco
Páginas: 512
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Tive vontade de ter uma conversa séria com a autora e perguntar o que aconteceu com seu dom de escrever. NÃO contém spoilers de Graceling.

Sinopse: Não é um tempo de paz nos vales. O jovem rei Nash se apega a seu trono, enquanto senhores rebeldes no norte e no sul reunem exércitos para derrubá-lo. As montanhas e florestas estão cheia de espiões, ladrões e homens sem lei e honra. Isso é onde Fire vive. Com uma aparência selvagem, irresistível com cabelos da cor das chamas do fogo, Fire é a última remanescente de uma raça de monstros humanos, com habilidades especiais. Igualmente odiada e adorada, que tinha a capacidade única de controlar a mente das pessoas, mas ela guarda seu poder, sem vontade de roubar os segredos de pessoas inocentes. Especialmente quando ela mesmo tem tantos. Mas então o príncipe Brigan trata de trazê-la a cidade do rei. A família Real precisa de sua ajuda para descobrir a trama contra o rei. Longe de casa, Fire começa a perceber que há mais em seu poder do que ela jamais sonhou. Seu poder pode salvar o reino... Se ela não tiver medo de se tornar o monstro que seu pai um dia foi...

A Trama: Depois da cativante história de Graceling, eu esperava ainda mais de Fogo, porém a única surpresa que tive foi me decepcionar com a história.
Tudo se resume, no cotidiano de Fogo, à uma garota que nasceu filha de uma mãe humana e um pai monstro, não só no aspecto físico. A história se passa em Dells, um lugar distante dos Sete Reinos, mas não que seus tremores sejam brandos: monstros de um colorido berrante e dotados de uma mente capaz de enganar suas vítimas até atraí-las para o bote fatal. Fogo, a protagonista, herdou esse poder de seu pai.
Sinceramente, não há muito o que explicar na trama. Fogo vivia a maior parte do tempo em palácios, evitando chamar atenção, pois as pessoas ficavam diferentes em sua presença, fosse para atacá-la com um ódio crescente ou persegui-la por terem sido seduzidos. Há uma guerra acontecendo, com a qual não temos muito contato, e mesmo que todos criem desculpas, fica óbvio que estão lutando pela morte ou pela proteção de Fogo.

A Protagonista: A melhor parte do livro deveria ser Fogo, mas ela foi só mais um dos fatores que contribuiu para que o livro não atingisse seu potencial. Eu pensava que com tudo isso de ser filha de um monstro, ter força sobre-humana e poder controlar mentes com seu cabelo cor das chamas, o livro não tinha como falhar. Porém praticamente durante toda a trama, Fogo vive com hematomas, cortes, cicatrizes, sangrando e reclamando de como doía se mexer. Demorava demais para tomar decisões, mesmo que parecesse óbvia a resposta certa e  não parecia se preocupar em ter atitudes decentes. 

Os Personagens Secundários: Achei boa parte dos personagens superficiais, cumprindo apenas o papel deles, não tiveram espaço para de desenvolver, nos conquistar ou apenas para permitir que os conhecêssemos melhor. E aqueles que apareciam com mais frequência me deram a impressão de que a autora tinha esgotado seu estoque de ideias, e isso inclui os diálogos repetitivos. Outra coisa que me irritou foram os nomes parecidos, como Nax e Nash. Além da grafia estranha da maioria deles, um borrão se passava na minha mente quando o nome era ilegível.

Capa, Diagramação e Escrita: Era para a capa ser bem bonita, seus detalhes de fundo realmente são, mas o que mata tudo é a cor do título sair tão facilmente. Eu encontrei vários erros de pontuação e tradução, faltou sim uma boa revisão. Porém, os espaçamentos estão excelentes e o tamanho da letra também.
Kristin, o que foi que aconteceu!? A ideia inicial era ótima, eu esperava uma protagonista forte e um livro repleto de ação, mas o que temos é uma rotina tão monstruosamente monótona quanto a protagonista provou ser e ao invés de romance temos apenas casos e mais casos aleatórios e que não contribuem em nada para o andamento da história. Com a narrativa em terceira pessoa, chovem repetições de nomes de personagens, mas a história é tão focada em Fogo que ela parecia a narradora de um jeito maçante. A autora deixa transparecer demais as "fragilidades da mulher", talvez como forma de tornar Fogo mais humana, mas ela virou uma marionete que só sabia chorar e sentir medo de tudo.

Concluindo: Eu esperava um livro emocionante, mas a meu ver ele só serviu para contar brevemente a origem do personagem mais temível de Graceling. O livro não interferiu em nada com a história do volume anterior, até o que ele revela sobre o vilão deste poderia ser desconsiderado sem causar alteração. Mesmo sendo uma trilogia que não precisa ser lida em ordem, recomendo que comecem com Graceling, pois até agora é o único que vale a pena.

Quotes:
Um monstro exalava tudo o que era ruim, especialmente um monstro feminino, por causa do desejo dos infindáveis canais pervertido para a expressão da maldade. Para todos os homens fracos, a mera visão dela era uma droga para suas mentes. Que homem poderia usar o bem, o ódio ou o amor quando estava drogado?

Para cada homem pacífico, havia outro que queria feri-la, até matá-la, porque ela era uma criatura deslumbrante que ele não poderia possuir.

Classificação: