Resenha - @mor

Resenha feita pela Maay!  
Título: @mor
Título Original: Gut Gegen Nordwind
Série: @mor
1- @mor
2 - Emmi & Leo (2013)
Autora: Daniel Glattauer
Editora: Suma de Letras
Páginas: 184
Ano: 2012
Saiba mais: Skoob
Comprar: Extra // Cultura // Saraiva

Um livro que tinha tudo para ser apenas mais um clichê, porém é muito mais do que isso.

SinopseNum e-mail enviado por engano, começa um relacionamento virtual que testa as convicções de Leo Leike e Emmi Rothner. Leo Leike, ainda digerindo o fracasso de seu último relacionamento, responde de forma espirituosa a duas mensagens enviadas por engano por Emmi Rothner, casada. Inicialmente, ela só queria cancelar uma assinatura de revista. Depois, inclui Leo por engano entre os destinatários de um e-mail de boas festas. Na terceira troca de e-mails, o mal-entendido dá lugar à atração mútua, reforçada pelo fato de um nunca ter visto o outro. Nada como a curiosidade instigada por frases bem encadeadas chegando a intervalos regulares numa caixa postal eletrônica para que os dois se esqueçam dos possíveis impedimentos. A cada dia, Leo e Emmi se sentem mais impelidos a marcarem um encontro. Após trocas contínuas de mensagens, está claro para ambos que o marido dela e as feridas emocionais dele não serão obstáculos para que marquem um encontro. O único obstáculo real é a insegurança de ambos quanto à transformação da fantasia em realidade. O austríaco Daniel Glattauer dá nova vida à tradição epistolar em @mor, primeiro de dois romances que exploram um relacionamento sustentado basicamente em trocas de e-mails. Romance de estreia de Glattauer e campeão de vendas na Alemanha e na Espanha, o livro explora, sob roupagem moderna, sentimentos familiares a amantes de todas as gerações.

A Trama: Emmi manda alguns e-mails para o endereço errado quando tenta cancelar a assinatura de uma revista, que são respondidos de forma inusitada pelo destinatário, e então a correspondência constante entre os dois começa. Basicamente é isso o que ocorre na história, mas a forma como tudo acontece e as consequências dessa comunicação foram os motivos pelos quais o livro ganhou meu coração. 
Há um ponto que me chamou muito a atenção, tornou a história até mesmo mais crível e fez toda a diferença: tudo acontece de forma muito natural e espontânea entre Emmi e Leo. Não há um acontecimento que marque a transição dos diálogos sobre a revista Like para uma conversa, não há um acontecimento que marque o nascimento do interesse mútuo entre eles, nada disso. As coisas acontecem, e quando você para pra pensar, já estão lá - assim como ocorre na vida real.
É uma trama gostosa, que te prende muito e, apesar de não ter entrado para os meus favoritos, é um livro de que gostei bastante e sem dúvida merece ser lido.

Os Protagonistas: Emmi e Leo são personagens incrivelmente reais. Talvez em alguns trechos pareçam imaturos para a idade, mas isso não tem tanta relevância. 
Eles são personagens completos, com qualidades e defeitos que, ao mesmo tempo nos fazem torcer para que dê tudo certo para esse casal em potencial e temos vontade de bater a cabeça deles contra a parede para ver se param de ser tão teimosos. 
Porém, mesmo quando me deixavam com raiva, eu não conseguia não torcer pela felicidade de ambos - preferencialmente juntos. Nessa situação meio inusitada, os personagens conquistam e convencem perfeitamente o leitor.

Personagens SecundáriosO livro é composto pelos e-mails trocados entre Emmi e Leo, e isso faz com que os personagens secundários tenham pouquíssimo (pra não dizer nenhum) destaque. Dessa forma, ou nós não conhecemos nada além de seus nomes, ou conhecemos apenas a descrição que os protagonistas fazem deles.

Capa, Diagramação e Escrita: Confesso que acho a primeira capa nacional - aquela dos notebooks no fundo rosa - muito mais bonita. Mas considerando que essa capa faz "par" com o segundo volume, eu gosto dela. As cores são legais, a única coisa que me incomoda mesmo é que os desenhos são angulosos demais (mas isso é esquisitice minha). 
Agora minha parte favorita: o livro é narrado em formato epistolar (através de e-mails). Já falei isso na minha resenha de Onde Terminam os Arco-íris e repito agora, eu adoro esse tipo de narrativa. Apesar de algumas pessoas reclamarem que esse modelo acaba deixando alguns furos na história, e outras se incomodarem com a linguagem mais informal que ele exige, é um tipo de narrativa que me ganha de primeira. É rápido de ler, é gostoso, e nos dá a sensação de que estamos realmente lendo a correspondência de alguém. Enfim... Eu adoro. 

ConcluindoJá faz algum tempo que livro nenhum conseguia vencer o meu cansaço. Não importa o quão maravilhosos eles fossem, meu sono era mais forte e eu acabava parando de ler para ir dormir, o que estava me fazendo demorar muito mais do que o normal na leitura. Ok, admito que esse é um livro curto, e o formato também colabora para que seja lido em menos tempo. Mas ainda assim, @mor me fez virar a noite. E a única coisa que me impediu de devorar Emmi & Leo assim que fechei o primeiro livro, foi o medo de fazer confusão na resenha.
Daniel Glattauer é fantástico. A história não tem nada de extraordinário, mas ainda assim te prende mais e mais a cada página, até o momento em que tudo o que você precisa é saber quando, finalmente, os protagonistas irão se encontrar.

Ps: Lembram de quando sugeri as SMS aleatórias? Parece que os e-mails aleatórios estão dando resultados também gente (hahahahaha).


Quotes:
Se alguém não é uma qualquer, esse alguém é você. E não o é de forma alguma pra mim. Pra mim, você é como uma segunda voz dentro de mim, que me acompanha durante o dia a dia. Você fez do meu monólogo interior um diálogo. Você enriquece minha vida interior. Você questiona, insiste, satiriza, você entra em conflito comigo. Eu lhe agradeço tanto por seu humor, seu charme, por sua vivacidade em sim, até mesmo por suas "vilezas".
[...]
Emmi, eu simplesmente tenho medo de perder a minha "segunda voz". Eu quero mantê-la. Quero lidar cuidadosamente com ela. Ela se tornou imprescindível pra mim.


A proximidade não é o fim da distância, mas sua superação. A ansiedade não é a falta da completude, mas sim a constante procura por ela e a repetida insistência em obtê-la.
Classificação: