Resenha - O Palácio da Meia-Noite

Resenha feita pela Beatriz!
Título: O Palácio da Meia-Noite
Título Original: El Palacio de la Medianoche
Série: Trilogia da Névoa
1- O Príncipe da Névoa (2013)
2- O Palácio da Meia-Noite
3- Luzes de Setembro (fim de 2013)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma das Letras
Páginas: 272
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Uma deliciosa narrativa e uma história tecida por mistérios que me fez faiscar com as revelações.

Sinopse: Ben e Sheere são irmãos gêmeos cujos caminhos se separaram logo após o nascimento: ele passou a infância num orfanato, enquanto ela seguiu uma vida errante junto à avó, Aryami Bosé. Os dois se reencontram quando estão prestes a completar 16 anos. Junto com o grupo Chowbar Society, formado por Ben e outros seis órfãos e que se reúnem no Palácio da Meia-Noite, Ben e Sheere embarcam numa arriscada investigação para solucionar o mistério de sua trágica história. Uma idosa lhes fala do passado: um terrível acidente numa estação ferroviária, um pássaro de fogo e a maldição que ameaça destruí-los. Os meninos acabam chegando até as ruínas da velha estação ferroviária de Jheeter’s Gate, onde enfrentam o temível pássaro. Cada um deles será marcado pela maior aventura de sua vida. Publicado originalmente em 1994, O Palácio da Meia-Noite – segundo romance do fenômeno espanhol Carlos Ruiz Zafón – traz uma narrativa repleta de fantasia e mistério sobre coragem e amizade.

A Trama: Precisamos voltar no tempo e mudar de país nesse segundo livro. Agora estamos em 1932 na cidade de Calcutá, Índia. Todos os personagens são diferentes, exceto o mais temível de todos que possui diversos nomes e aqui se chama Jawahal. Uma terrível maldição cruzou o caminho da família dos gêmeos Ben e Sheere e acabaram órfãos ainda bebês. Sheere foi criada pela avó Aryami, e Ben enviado ao orfanato da cidade, já que seria perigoso demais deixar os dois juntos. Porém, quando as crianças completavam 16 anos, era preciso deixar o orfanato e seguir adiante, por isso Jawahal deu sossego ao mundo enquanto aguarda os anos passarem. Enquanto Sheere viveu uma vida fugindo do perigo com sua avô, Ben cresceu com seus amigos da Chowbar Society, uma espécie de irmandade que seguia ao pé da letra o lema "Um por todos e todos por um". Os gêmeos não se conheciam, até que o fatídico dia do aniversário de ambos se aproximava e com ele muitas revelações.
O autor estava me conquistando até a metade do livro. A narrativa estava tão bem conduzida que foi impossível não me apaixonar pela história. Mas no final ele perdeu um pouco do ritmo, os nomes dos amigos de Ben me confundiram muito e restaram muitas pontas soltas, por exemplo, como todos da Chowbar estavam se preparando para ir embora, então todos fazem aniversário no mesmo dia? Mas o melhor do livro foi a narração ser dividida em 3°pessoa e algumas partes serem contadas em 1° por um amigo de Ben, já adulto, relembrando o momento mais emocionante de suas vidas. Outra coisa interessante, mas que também me confundiu, foram as mudanças da história dos país dos gêmeos, já que a avó inventou diversas partes para não contar a verdade e só no final decide revelar tudo.

Os Protagonistas: O que mais gostei foi o fato de até metade do livro Ben e Sheere não se conhecerem e no seu primeiro encontro, ambos não sabiam que eram irmãos, quanto mais gêmeos. Adorei conhecer seus sonhos, medos e seu passado assombroso antes deles terem consciência. Os dois são corajosos e ousados e ao contrário do clichê de querer descobrir o legado da família, se conformaram em fazer o máximo para manter seus velhos e novos amigos vivos.

Os Personagens Secundários: Adoro o jeito de Zafón não fazer seus personagens como se tivessem nascido agora, e sim como pessoas reais, com planos futuros e ideias já se desenvolvendo na mente de cada um, como se habitassem e crescessem no imaginário do autor há muito tempo. Cada membro do Chowbar Society tem uma personalidade distinta, por mais que eu não conseguisse distinguir a maioria pelo nome. Conheci um pouco do passado do vilão e como ele se tornou o que é no primeiro volume. Todos os personagens, até mesmo os com aparições rápidas e precisas, foram bem desenvolvidos, é como em um filme onde as coisas já estão acontecendo e mesmo assim você não de sente perdido.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é bem simples e as cores transmitem o clima da história. Mesmo a letra sendo um pouco pequena e com alguns errinhos, eu adorei a diagramação com espaçamentos ideais e páginas amareladas. 
Consigo perceber a escrita simples, porém detalhada na medida certa que a torna mágica. A qualidade melhorou e o número de falhas diminui em relação ao primeiro livro, mas ainda tem muito potencial para atingir e eu sei que Zafon vai conseguir. Apesar das falhas, consegui perceber que ele fez o máximo para que ficasse o mais completo e sem exageros possível.

Concluindo: O livro me passou uma sensação de contos natalinos, mesmo não tendo nada a ver com a história. É mais por ambos serem deliciosos de ler e lembrar momentos ótimos e lições que às vezes nos esquecemos. Ideal para quem quer relaxar com uma história mais profunda que te leva para uma viagem, tanto no emocional dos personagens quanto pelo lugar onde ela se passa.

Quotes:
A única matéria que não dominava e que nunca foi capaz de transmitir a sua alunos foi a arte de dizer adeus.


Os traços do lápis-carvão de Michael situaram o grupo diante de um lago onde flutuava o reflexo de seus rostos. No céu, uma grande lua cheia e, no fundo, um bosque que se perdia na distância. Bem examinou os rostos refletidos e imprecisos na superfície do lago, comparando com os rostos das figuras representadas diante do laguinho. Nenhum deles tinha a mesma expressão que seu reflexo


Aos olhos da recém-chegada, o palácio nada mais era que um antigo casarão abandonado cujo sombras sinuosas revelavam os restos de gárgulas, colunas e relevos, vestígios daquilo que um dia devia ter sido palacete senhorial de pedra, fugido das páginas de alguma história de fadas.

Entre as ruínas e recordações, aquele lugar emanava uma aura de magia e ilusão que só pode sobreviver na memória nebulosa dos primeiros anos de nossas vidas.

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