Resenha - A Improvável Jornada de Harold Fry

Resenha feita pela Luh!
Título: A Improvável Jornada de Harold Fry
Título Original: The Unlikely Pilgrimage of Harold Fry
Livro Único.
Autor: Rachel Joyce
Editora: Suma de Letras
Páginas: 248
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Uma jornada que parecia incrível na teoria, mas não foi.

Sinopse:  A improvável jornada de Harold Fry, de Rachel Joyce, tem como temas centrais os sentimentos de amor, amizade e arrependimento. A autora conta a história do aposentado Harold Fry que numa manhã de sol sai de casa para colocar uma carta no correio, sem imaginar que estava começando uma jornada não planejada até o outro lado da Inglaterra. Ao receber uma carta de Queenie Hennessy, uma velha conhecida com quem não tem contato há décadas, ele descobre que ela está em uma casa de saúde, sucumbindo ao câncer. Então, Harold Fry escreve uma resposta rápida e, deixando sua mulher com seus afazeres, vai até a caixa postal mais próxima. Ali, tem um encontro casual que o convence de que ele deve entregar sua mensagem para Queenie pessoalmente. E assim começa a peregrinação improvável de Harold Fry. Determinado a andar 600 milhas de Kingsbridge à Berwick-upon-Tweed, porque, acredita que, enquanto caminhar , Queenie Hennessy estará viva; ao longo do caminho, ele encontra personagens fascinantes, que o trazem de volta memórias adormecidas: sua primeira dança com Maureen, o dia do seu casamento, a alegria da paternidade. Todos os resquícios do passado vêm correndo de volta para ele, permitindo-lhe conciliar as perdas e os arrependimentos.

A Trama: O livro tinha seus bons momentos e a trama era interessante no início, mas durante a maior parte do tempo, eu estava entediada. A Improvável Jornada de Harold Fry é a história de Harold, um homem aposentado de 65 anos que recebe uma carta dizendo que uma velha amiga está com câncer. Então, repentinamente, Harold resolve caminhar mais de 800km, sem comida extra ou até calçados adequados, para encontrar a mulher.
Acho que o grande problema foi que eu não consegui me conectar ao protagonista e, sendo assim, não compreendia seus motivos. Não sei se me falta a experiência de vida para aproveitar as lições do livro, mas senti que a mensagem de solidariedade foi forçada. Além disso, o câncer da mulher era incurável e não entendo como o protagonista podia acreditar que sua caminhada faria alguma diferença, principalmente considerando que ele não era religioso.
O final foi interessante e um pouco triste, porém bem previsível.

O Protagonista: Harold não é um protagonista muito carismático. Ele prefere estar isolado, longe das pessoas e das cidades, gosta de dormir ao ar livre e confia demais em estranhos. Além disso, por meio de flashbacks, vamos conhecendo o passado do personagem e suas relações familiares, tanto com os pais quanto com o filho, que são bem estranhas e incomuns. Harold é um homem simples, um pouco teimoso e excêntrico e teve uma vida comum, sem grandes acontecimentos.

Os Personagens Secundários: Achei os personagens secundários extremamente irrealistas. Em toda a sua longa jornada, Harold nunca encontra algo realmente perigoso e muitas pessoas pareciam dispostas a ceder uma cama à um estranho. A esposa do protagonista, Maureen, me parecia uma mulher amarga e introvertida, mas ao conhecê-la melhor passei a compreender suas manias. Quanto aos outros personagens, nenhum se destacou.

Capa, Diagramação e EscritaApesar de eu gostar mais da capa original por suas cores vibrantes, acredito que essa passa a mensagem do livro de uma maneira perfeita. As cores são simples e dão ao livro um ar misterioso e talvez até um pouco triste. A diagramação interna está impecável. Há desenhos no início de cada capítulo e a fonte tinha um tamanho e espaçamento ideais.
A escrita da Rachel Joyce não é péssima, mas poderia ser muito melhor. A narração volta no tempo, para trechos aleatórios, com frequência demais e me confundiu um pouco. Além disso, a autora repete demais as mesmas frases e palavras. A frase "colocar um pé depois do outro", por exemplo, aparece tantas vezes que se tornou praticamente uma reza.

Concluindo: Compreendo perfeitamente como muitas pessoas amaram esse livro, é uma jornada longa e árdua e o personagem reflete bastante sobre a vida e os hábitos humanos, porém eu não consegui gostar da narrativa ou do protagonista e, portanto, foi um livro que não aproveitei muito.

Quotes:
- Diga a ela que Harold Fry está a caminho. Ela só precisa esperar. Porque eu vou salvá-la, entendeu? Eu vou continuar caminhando e ela precisa ficar viva.

Harold acreditava que sua viagem estava realmente começando. Ele pensada que o começo tinha sido no momento em que decidira caminhar até Berwick, mas agora via que fora ingênuo. Começos poderiam ocorrer mais de uma vez, de formas diferentes. A pessoa pode pensar que está começando algo do zero, quando na verdade o que está fazendo é dar continuidade.
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