Resenha - O Pacifista

Resenha feita pela Beatriz!
Título: O Pacifista
Título Original: The Absolutist
Livro Único.
Autor: John Boyne
Editora: Cia. das Letras
Páginas: 304
Ano: 2012
Saiba mais: Skoob
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Sempre ficarei sem palavras para descrever esse livro, e mesmo que eu tente nunca será o suficiente.

Sinopse: Inglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres a Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. Mas as cartas não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor pode testemunhar o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero.

A Trama: Um livro nem um pouco convencional que me fez entrar numa máquina do tempo direto para a mente de um perturbado soldado da Primeira Guerra Mundial. Tristan inicialmente parece um típico homem do início do século XX, mas é cheio de traumas, com um semblante que expressa experiência pelo período que serviu seu país na guerra. A história gira basicamente em dois períodos da vida do protagonista, ambos justificando aos poucos os motivos de certos acontecimentos de um e de outro. Me senti transportada para o momento histórico vivido, me importando com as preocupações na mesma intensidade dos personagens. É um livro que faz você rever certos princípios, recheado de fortes emoções, com reviravoltas até o último momento e um final tão intragável, de uma forma positiva, que tenho certeza que nunca vou esquecer. A maneira como a história começa no "momento presente" de Tristan nos situa em sua busca de acerto de contas com seu passado. E seu pior inimigo são suas lembranças. Depois somos apresentados a seu primeiro dia no treinamento do exército e assim o livro se sucede até o grande mistério ser revelado. Mesmo não tendo pontas soltas, fiquei inconformável com o final simplesmente por ter acabado.

A Protagonista: Tristan foi uma pessoa tão completa que me identifiquei com inúmeros de seus pensamentos, alguns eram tão íntimos que fiquei me perguntando se o autor não se baseou em um sobrevivente real da 1° Guerra, mesmo sabendo que não seria possível. Sua coragem impulsiva e constante falta de iniciativa o tornou humano, mesmo nas situações desumanas que a guerra o fez passar.

Os Personagens Secundários: O livro conta mais sobre os temores e acontecimentos da vida de Tristan, sendo que o restante dos personagens ficou realmente em segundo plano. Há Will, por quem Tristan guarda uma secreta paixão, (sim, o livro aborda questões homossexuais). Como muitos jovens, se alistar no exército era o sonho de Will e eu o achei conquistador e cativante por ter uma mente avançada que não pensa duas vezes antes de se engajar em um projeto ou protesto. O restante dos personagens aparece com frequência, já que são poucos, mas não os conhecemos com a mesma intensidade. Eu achei que todos representaram um aspecto na nossa vida, seja a vergonha de falar com estranhos, o choque que sentimos com eventos inesperados, tristes ou bons, até a dificuldade de nos abrir com amigos.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é simples, delicada e transmite bem a essência do livro, incluindo os dois personagens que mais aparecem. Amei o contraste do prata metalizado! A diagramação está perfeita, o estilo da fonte e o tamanho da letra são bem agradáveis, incluindo a cor creme das páginas, eu só notei pequenos erros de revisão, porém nada de demais.
Se tentar explicar o que senti com a história desse livro foi difícil, falar sobre a escrita de Boyne é ainda mais. Já deixei claro que ele é um dos meus autores preferidos e meu sonho é tê-lo como professor de história, pois sinceramente o cara é uma enciclopédia de guerras. A maneira como ele relata de um jeito profundo e singelo as ruas da Inglaterra de 1919, mesclando os costumes da época com a trama em si é impressionante para não dizer perfeita. Enquanto lia a sensação era de estar assistindo as cenas de tão natural o jeito que sua escrita conduz os elementos do livro. Já deu para entender, não é?

Concluindo: Um livro feito de personagens com personalidades fortes, porém com receios que no fundo os tornam frágeis, humanos. Gostei de conhecer mais sobre a tão pouco falada Primeira Guerra Mundial e, no meu ponto de vista, não tem como se decepcionar com Boyne. Recomendo para quem não se importa com a falta de um final feliz e quer ler um livro que com certeza vai amar e te surpreender, não só na própria trama, mas também na qualidade da escrita. Também adorei o significado que o título ganha após a leitura.

Quotes:
Digo a mim mesmo que hoje é terça-feira, embora não tenha como sabê-lo. Dar nome ao dia oferece uma pálida iusão de normalidade.


Se era redenção o que eu procurava, não havia nenhuma. Se era compreensão, não havia ninguém capaz de oferecê-la. Se era perdão eu não o merecia.

A cor da farda não importa, todas elas são pardas no escuro.


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