Resenha - Ruínas do Tempo

Resenha feita pela Luh!
Título: Ruínas do Tempo
Título Original: Beautiful Ruins
Livro Único
Autor: Jess Walter
Editora: Verus (Record)
Páginas: 364
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Cultura

Uma bela história, mas contada de uma maneira confusa.

Sinopse: Ano de 1962. Em um trecho rochoso do litoral italiano, um jovem dono de hotel olha para as águas incandescentes do mar da Ligúria e vê uma aparição; uma bela mulher se aproximando em um barco. Ele então descobre que se trata de uma atriz, uma estrela americana, e que ela está morrendo. A história dá um salto e recomeça nos dias atuais, a meio mundo de distância, quando um idoso italiano aparece em um estúdio de cinema procurando pela misteriosa mulher que ele viu pela última vez em seu hotel décadas atrás. O que se desenrola a partir daí é um romance que abrange cinquenta anos e algumas vidas. Da filmagem de 'Cleópatra' à agitação do Edinburgh Fringe Festival, o autor nos apresenta um emaranhado de vidas de uma dúzia de personagens - o apaixonado dono de hotel italiano e seu amor desaparecido; o conservado produtor que outrora conseguiu juntá-los e sua jovem e idealista assistente; o veterano do exército que se tornou escritor e o libertino Richard Burton, cujas vontades são responsáveis pelo desenrolar de toda a narrativa - ao lado dos amantes e sonhadores, celebridades e perdedores que povoam o mundo nas décadas que se seguem.

A Trama: Começamos em 1962, em uma ilhazinha quase desconhecida com uma população de menos de uma dúzia de italianos. Pasquale é um jovem que já estudou em uma das maiores cidades da Itália, mas voltou à terra natal após a morte de seu pai, para cuidar da mãe em luto. Como sua mãe se recusa a sair da ilha, Pasquale passa a administrar o pequeno hotel que sua família possui e se conforma em ver os rostos dos mesmos pescadores todos os dias, até que uma belíssima atriz chama Dee Moray se hospeda em seu hotel. O protagonista se vê fascinado pela atriz americana e sua vida 'glamourosa'. Então a narrativa pula para os dias atuais, com um Pasquale muito mais velho tentando encontrar aquela mesma atriz.
É assim, entre saltos no tempo e muito suspense, que vamos conhecendo melhor a história de Pasquale e Dee e desvendando os segredos do produtor Michael Deane.
Tive diversos problemas com esse livro, o principal sendo a narrativa, que saltava e voltava no tempo a cada capítulo. Apesar de termos a data no início dos capítulos, eu não conseguia me desligar do cenário e trama anterior para focar apenas na atual. Em diversos capítulos as tramas não pareciam se interligar, ao menos não diretamente, e isso tornou a narrativa confusa.  Além disso, a Itália de 1962 tinha potencial para ser um cenário magnífico, mas o autor nos limita à pequena ilha de Porto Vergogna, que está praticamente em ruínas. Entretanto, um ponto interessante do livro é que são citadas pessoas reais como Elizabeth Taylor e Richard Burton.

O Protagonista: Pasquale é um bom homem, mas isso não o torna um personagem particularmente interessante. Ele passou a maior parte de sua vida na pequena Porto Vergogna, não tem opiniões fortes e não parece ser particularmente inteligente, então não acrescenta nada à história e não gostei dele como narrador. Apreciei as escolhas que o personagem tomou no final do livro, mas isso não compensou por seu comportamento monótono.

Os Personagens Secundários: Apesar de serem bem-desenvolvidos e interessantes, nenhum dos personagens conseguiu me envolver. Quem chegou mais perto foi Clare, a assistente do produtor Michael Deane, e gostei muito de quando ela larga o namorado (que é claramente um idiota), porém seu dilema interminável sobre a carreira não despertou nenhum sentimento em particular. Michael é um idiota do início ao fim e fica claro que ele não tem chances de redenção, então o personagem obviamente me irritou.
Pat, apesar de não ter agradado no início, foi amadurecendo e se tornando mais interessante e cativante.
O maior defeito da narrativa é que ela foca em muitas pessoas diferentes. O principal é Pasquale, mas também vemos alguns capítulos focados em Clare, Pat e até Michael.

Capa, Diagramação e EscritaAmei essa capa! Ela passa um certo ar de mistério e as cores são maravilhosas. Gostei de como acrescentaram a mulher de vestido, já que a capa original só tem aquela ilha do fundo. A diagramação está ótima, usando muitas fontes para indicar ao leitor quando a narrativa muda.
Apesar de eu geralmente não me importar com uma narrativa não-linear, a de Jess Walter era uma confusão e ele parecia querer acrescentar tudo o que era possível. Por meio da trama geral, flashbacks e até trechos de livros, vemos cenas em 1846, 1945, 1962, 1978, 2008 e no ano 'atual', que acredito ser 2012. Na minha opinião, foi completamente desnecessária essa troca constante de cenário e o autor se esforça demais para explicar a vida de cada personagem mencionado, tornando o livro maçante e forçado.

Concluindo: A trama é interessante e tinha potencial, mas não me identifiquei com a escrita do autor e detestei a narrativa não-linear, o que tirou todo o prazer do livro. Sendo assim, não foi um livro que aproveitei muito, mas absolutamente compreendo como muitas pessoas gostaram. Se você gosta de dramas, dê uma chance, mas não espere muita ação ou romance.

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