Resenha - Perdão, Leonard Peacock


Resenha feita pela Maay!  
Título: Perdão, Leonard Peacock
Título Original: Forgive me, Leonard Peacock
Livro Único.
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Simplesmente, Matthew Quick. Traduzindo: impossível não amar. <3

Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes, ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele, e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto. 

A Trama: O livro gira em torno do dia em que Leonard completa 18 anos, aquele que deveria ser o último de sua vida.
Entre os acontecimentos presentes, no entanto, há diversas lembranças do protagonista, além de algumas "cartas do futuro". No começo não entendi muito bem o que essas cartas significavam, e até achei que Matthew estava ficando meio maluco, tentando misturar o livro com uma distopia. Mas, fiquem tranquilos, tudo fará sentido, ele não enlouqueceu (haha).
Como já era de se esperar, a história é muito bem escrita e extremamente densa. Enquanto O lado bom da vida contava com algumas cenas mais descontraídas, Perdão, Leonard Peacock é uma leitura pesada do início ao fim. Isso, no entanto, não afeta em nada sua altíssima qualidade.

O Protagonista: Eu comecei a  leitura esperando uma nova versão de Pat Peoples, mas Leonard é um personagem completamente diferente. Claro, ele também tem seus fantasmas. Mas, a semelhança acaba aí.
Leonard já se decepcionou tanto com as pessoas, que agora ele espera o pior de tudo. E, confesso, esse pessimismo tornou o personagem pouco carismático, sendo uma das coisas que mais me incomodou.
Fora sua falta de carisma, ele é, sim, um bom personagem (mas isso a gente já sabia). Leonard é muito bem construído e realmente nos convence de sua história.
Simpatizei muito com ele, que isso fique claro aqui. A única coisa é que, entre as histórias do Sr. Quick, acho que será difícil alguém superar a de Pat (ao menos para mim).

Personagens Secundários: Pensei em falar sobre alguns personagens secundários, no entanto, eles recebem pouco destaque. Podia falar o que gostei e não gostei, mas sabemos sobre eles apenas o que Leonard conta, de forma bem superficial. Por isso, na minha cabeça problemática, pareceu que destacá-los aqui, seria desviar da ideia central do livro.
Agora, não entendam isso como um ponto negativo, não é. Eles tem pouco destaque porque a história foca nos sentimentos do protagonista e deixa as pessoas um pouco de lado.
Embora saiba que muitos leitores reclamarão desse aspecto, para mim não foi problema algum. Pelo contrário, só tornou a obra ainda mais única.

Capa, Diagramação e Escrita: Eu não gostei da capa. Achei pesada, vermelha de um jeito que deixava claro que, de lá, não sairia muita coisa boa. Porém, ela transparece perfeitamente a bagunça que está a cabeça do protagonista, sem a agressividade em exagero que percebi na capa norte-americana. E, exatamente por isso, tenho de admitir: nenhuma outra versão combinou tanto com o livro, quanto a nacional.
A diagramação é bastante simples, embora existam alguns trechos em que o autor joga com ela. Mas, isso, vou deixar que vocês percebam durante a leitura.
Agora, a escrita... É Mathew Quick, gente. E, todo mundo aqui sabe, eu me apaixonei por ele quando li a primeira página de O lado bom da vida. A escrita é carregada de emoção e cada palavra te faz entrar mais e mais na mente de Leonard. É Mathew Quick, sério, não tem muito o que falar.

ConcluindoQuando li O lado bom da vida, ele entrou para os meus livros favoritos. Infelizmente, não posso dizer o mesmo sobre Perdão, Leonard Peacock.
O livro é ótimo e, depois de tantas decepções recentes com meus autores favoritos, foi bom perceber que alguns ainda mantém o mesmo nível em suas obras. Fiquei muito feliz ao perceber que Matthew Quick não será um "autor de um livro só". Muito mesmo. E estou ansiosa por outros livros dele, com toda a certeza do mundo.
Enfim, o livro é realmente maravilhoso. Eu indico, sem precisar nem pensar. 
Não se deixem levar pela minha visão totalmente parcial, leiam o livro e tirem suas próprias conclusões. Leiam o livro, de verdade. Perdão, Leonard Peacock é, sim, uma obra digna de reconhecimento.

Quotes:
Meu homicídio-suicídio se tornará Desjejum Para um Assassinato Adolescente uma obra de arte de preço inestimável porque as pessoas querem que os artistas sejam comletamente diferentes delas. Se você é tedioso, legal e normal - como eu costumava ser -, certamente não vai se sair bem nas aulas de arte do colégio e será um artista medíocre na vida.
Inútil para as massas.
Esquecido.
Todo mundo sabe disso.
Todo mundo.
Daí que a chave é fazer algo que marque você para sempre na memória das pessoas comuns.
Algo que importe.

Jogens fingem melhor do que adultos, certo? Minha teoria é a de que perdemos a capacidade de ser feliz à medida que envelhecemos.


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