Resenha - Novembro de 63

Resenha feita pela Tay!  
Título: Novembro de 63
Título Original: 11/22/63
Livro Único.
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 727
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
Comprar: Submarino // Fnac

Sinopse: A vida pode mudar num instante, e dar uma guinada extraordinária. É o que acontece com Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade do Maine. Enquanto corrigia as redações dos seus alunos do supletivo, Jake se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque... mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. Al mostra a Jake como isso pode ser possível: entrando por um portal na despensa da lanchonete, assim chegando ao ano de 1958, o tempo de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado... com consequências imprevisíveis. Em Novembro de 63, livro inédito de Stephen King, a viagem no tempo nunca foi tão plausível... e aterrorizante. 

A Trama: Jake Eppings é um professor de Inglês que, enquanto corrigia as redações sobre “o dia que mudou suas vidas” de seus alunos do supletivo, se deparou com a chocante história de Harry Dunning, o zelador da escola. Em 1958, o pai de Harry chegou bêbado em casa e matou toda a família com uma marreta, restando apenas Harry e sua irmã mais nova que ficou em coma e morreu três anos depois. Mesmo com a simplicidade da redação e os inúmeros erros quanto à gramática, Jake não conseguiu não se emocionar com aquele e relato. Ele também é amigo de Al Templeton, dono de um pub local pouco movimentado, devido à origem estranha da carne de seu hambúrguer. Depois de algum tempo, quando reencontra Al, Jake vê que seu amigo parecia ter envelhecido dez anos em apenas alguns dias, além de estar visivelmente com algum tipo de doença. Sabendo que não lhe resta muito tempo, Al leva Jake para a dispensa de seu estabelecimento e conta-lhe que ali há uma passagem para o passado. Jake só acredita naquilo depois que vê com seus próprios olhos ele sair da dispensa de Al e ir parar em 1958. Mas seu amigo não está lhe contando aquele segredo à toa. Al quer que Jake conclua um plano que traçou desde que descobriu sobre o portal: salvar o presidente Kennedy.
Eu achei incrível a forma como Stephen King resolveu tratar da viagem no tempo. Não foi uma coisa fantasiosa como costumamos ver, foi real, como se aquilo pudesse realmente acontecer. Depois de aceitar a proposta de Al e passar pela “toca de coelho” (como Jake começou a chamar o portal), ele sabia que sua vida nunca mais seria a mesma. Além do plano de salvar o presidente, ele também queria impedir o assassinato dos Dunning, já que a redação de Harry realmente mexeu com ele. Depois disso, ele teve que iniciar uma vida no passado e, de alguma forma, ele se sentia mais confortável nessa realidade do que em seu próprio tempo, onde sua vida de professor era banal e ele tinha se divorciado da esposa. Também conseguimos ver e sentir o quanto ele se sente melhor nessa época. O livro é muito grande, e uma coisa que tenho a reclamar é exatamente esse tamanho dele, contendo partes que poderiam muito bem ter sido tiradas para deixar o livro mais dinâmico. Isso tornou a leitura cansativa em alguns momentos, mas quando as cenas de ação engrenavam, era impossível não perder o fôlego junto com o protagonista.
Esse é um livro que trata bastante de política, devido ao tema do assassinato de Kennedy e tudo o que vem com isso. Mesmo entendendo pouco sobre a política americana, eu consegui me dar muito bem com o livro, porque o interesse pelo assunto e a paciência para lidar com ele é essencial nesse livro.

O ProtagonistaNo geral eu gostei bastante do Jake. Em sua vida no passado ele adotou um novo nome – George Amberson – e, de certa forma, uma personalidade diferente da que ele tinha. Não que ele tenha inventado completamente um personagem, mas ele trouxe à tona um lado dele que nunca conseguiu demonstrar em sua “vida real”. Eu gostei da determinação dele em salvar os Dunning e todos os outros que ele encontrou pelo caminho, mesmo que aquilo pudesse ter resultados trágicos no futuro. Às vezes ele era chato, mas ninguém é perfeito, então isso apenas tornou o personagem mais real.

Os Personagens Secundários: Temos vários personagens secundários no decorrer do livro, então vou falar dos que mais se destacaram. Harry Dunning, o responsável por parte da decisão de Jake de se aventurar no passado. Não sei muito sobre ele, apenas que teve influência em alguns acontecimentos da história. Al Templeton, o dono do pub, me irritou um pouquinho nas partes em que apareceu, devido a sua obsessão por salvar Kennedy (porque durante todo o livro uma pergunta retumbou na minha mente: será que valeria à pena salvar o presidente?). Sadie é uma bibliotecária que Jake conheceu no Texas, quando já estava começando a arquitetar seu plano para deter o assassino. Ela era uma mulher doce e divertida, e posso dizer que foi uma das minhas personagens favoritas. Por último, Lee Harvey Oswald, o assassino. Claro que Stephen mexeu um pouquinho na história para poder fazer de Lee seu personagem, mas não podemos esquecer que ele é uma pessoa real e que o autor estudou muito bem para torná-lo o mais verídico possível. E posso afirmar: ele era odiável.

Capa, Diagramação e Escrita: Para mim o design da capa é lindo. A imagem tem total concordância com a história e adorei a textura áspera que colocaram nessa parte, parecendo um jornal antigo. A diagramação da Suma é simples, o livro sendo divido em seis partes e cada capítulo também tem suas divisões. Esse foi o primeiro livro do Stephen King que eu li. Sempre tive curiosidade em ler seus livros e posso dizer que adorei. Ele tem uma escrita fluida e gostosa de ler, mas seu texto contém vários palavrões e cenas fortes, ele não tem medo de descrever o que está acontecendo naquele momento e percebemos que tudo aquilo forma os personagens e nada está fora da forma de linguagem usada na época.

Concluindo: Eu gostei do livro, gostei da forma como Stephen King tratou da viagem no tempo e gostei de acompanhar Jake pela sua nova vida no passado e torcer para que tudo desse certo. O autor conseguiu romancear muito bem um acontecimento real e histórico, prendendo a minha atenção, além de causar várias perguntas na minha cabeça, como o que aconteceria no futuro se o passado fosse mudado de forma tão drástica. Não é um livro que eu recomendo pra todo mundo, mas sim para quem se interessou e quer descobrir como Jake lidou com cada tentativa do passado em se manter intacto. Vale à pena. E eu quero mais Stephen King.
Quotes:
- (...) Se você disser alguma coisa sobre ataques terroristas em 1958, o povo vai achar que está falando de adolescentes derrubando vacas.

- (...) Quando alguém veste uma fantasia de palhaço e põe um nariz de borracha, ninguém tem ideia de como é por dentro.

- Certa vez li uma coisa... 
- Acho que não estou muito disposta a discussões literárias, Jake. 
(...) 
- Era um provérbio japonês. “Quando há amor, marcas de varíola são lindas como covinhas”. Vou amar o seu rosto, não importa como fique. Porque ele é seu.

Classificação: