Resenha - O Grande Gatsby

Título: O Grande Gatsby
Título Original: The Great Gatsby
Livro Único.
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Cia das Letras
Páginas: 256
Ano: 1925
Saiba mais: Skoob
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Para os amantes dos clássicos, trata-se de uma leitura obrigatória.

Sinopse: Nos tempos de Jay Gatsby, o jazz é a música do momento, a riqueza parece estar em toda parte, o gim é a bebida nacional (apesar da lei seca) e o sexo se torna uma obsessão americana. O protagonista deste romance é um generoso e misterioso anfitrião que abre a sua luxuosa mansão às festas mais extravagantes. O livro é narrado pelo aristocrata falido Nick Carraway, que vai para Nova York trabalhar como corretor de títulos. Passa a conviver com a prima, Daisy, por quem Gatsby é apaixonado, o marido dela, Tom Buchanan, e a golfista Jordan Baker, todos integrantes da aristocracia tradicional.
Na raiz do drama, como nos outros livros de Fitzgerald, está o dinheiro. Mas o romantismo obsessivo de Gatsby com relação a Daisy se contrapõe ao materialismo do sonho americano, traduzido exclusivamente em riqueza.
Aclamado pelos críticos desde a publicação, em 1925, O grande Gatsby é a obra-prima de Scott Fitzgerald, ícone da “geração perdida” e dos expatriados que foram para a Europa nos anos 1920.


A Trama: Como todo clássico que se preze, O Grande Gatsby retrata a sociedade da época. Em 1920, a classe média alta americana era, em sua grande maioria, bastante fútil. Importava o dinheiro, casamentos por interesse, festas espalhafatosas... Enquanto o amor era deixado de lado.
É nesse ambiente que vivem os personagens dessa história, e é se afirmando financeiramente, que Jay Gatsby pretende conquistar o grande amor de sua vida.
Os personagens são bastante caricatos, e a história é muito interessante. Tem aquela leveza dos clássicos, mas também traz consigo uma crítica social intensa (escondida no romance tradicional).
Obviamente não é um livro para qualquer um, é preciso certo tato para conseguir apreciar os clássicos, deixando de lado sua linguagem rebuscada para aproveitar a história. Mas, se você é uma dessas pessoas que, como eu, adora esse tipo de leitura, pode ter certeza de que não se arrependerá.

O Protagonista: Apesar de todo o mistério que cerca o protagonista, de sua posição social privilegiada e das festas que promove, Gatsby é um homem muito triste.
Todos os seus atos tem como único objetivo reconquistar sua ex-namorada, Daisy, e ele acaba não conseguindo aproveitar as coisas boas que conquista nessa jornada.
Apesar dessa aura de tristeza e de eu assumidamente não gostar muito de quem não vê o lado bom das coisas, Gatsby me conquistou. Ele tem um "que" de ingenuidade, não sei, uma coisa difícil de explicar, mas que me deixou encantada pelo personagem.

Personagens Secundários:
 Daisy, na minha opinião, não merece um centésimo do esforço que Gatsby faz para conquistá-la. Ela é a futilidade encarnada, sinceramente. Não criei simpatia nenhuma pela personagem, e até acho que ela merece o casamento infeliz que tem.
Tom, marido de Daisy, é outro personagem que não me agradou. Mas esse, acho que foi feito para isso mesmo. Enquanto Daisy representa a futilidade, Tom é o preconceito, o esnobismo, a superioridade (que ele acha que tem).

Capa, Diagramação e Escrita: Falar sobre a capa e a diagramação de um clássico é complicado, considerando a infinidade de edições diferentes que encontramos.
O livro é narrado por Nick Carraway, e esse é um dos pontos do livro que mais me chamaram a atenção. Nick não é um personagem importante para o desenvolvimento da trama, ele é um mero observador e relator dos fatos. Porém, se você levar em conta que, não fosse por ele, não conheceríamos essa história, ele é essencial. Vi que, em algumas resenhas, colocaram esse personagem como uma representação de Fitzgerald, e concordo plenamente com isso.
Quanto à escrita, ela é diferente de todos os clássicos que tive a oportunidade de conhecer. O autor coloca certa acidez nas palavras, totalmente diferente da escrita suave com a qual estava acostumada a encontrar nesse tipo de obra. Esse é, com certeza, outro ponto forte do livro e razão pela qual, quase 100 anos após sua publicação, ele continua fazendo imenso sucesso.

Concluindo: Apesar de se passar na década de 1920, o livro é bastante atemporal. Ainda hoje vemos diversos dos comportamentos criticados pelo autor, e acredito que, daqui a mais um século, continuaremos vendo isso.
Eu sou uma amante assumida dos clássicos, por isso sou suspeita para falar. 
Na minha opinião, mais do que para entretenimento, esse tipo de leitura traz uma bagagem cultural muito grande, e serve para um crescimento pessoal do leitor.
Eu indico para quem gosta desse estilo, e também para os que estão pensando em se aventurar nele. Se você não gostar, pelo menos fará cara feia com "conhecimento de causa".

Ps: Já disse e repito, minha nota é baseada na minha ordem de preferência entre os livros que já resenhei, não na qualidade da obra. Se fosse pela qualidade, eu não seria louca de dar menos de 50 para um livro desses.

Quotes:
Sorriu com um ar de compreensão – muito mais do que compreensão. Era um daqueles sorrisos raros com uma qualidade de eterna reafirmação, que encontramos uma quatro ou cinco vezes na vida. Ele se defrontava – ou parecia se defrontar – com todo o mundo externo por um instante e então se concentrava em você com uma parcialidade irresistível a seu favor. Ele o entendia na medida em que você desejava ser entendido, acreditava em você como você desejaria acreditar em si mesmo e lhe garantia que guardava de você a impressão que, à melhor maneira, você esperava transmitir.

Nenhuma quantidade de fogo ou de frescor podia competir com aquilo que um homem é capaz de armazenar no seu coração fantasioso.

E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.