Resenha - A Bruxa de Near


Resenha feita pela Tay!
Título: A Bruxa de Near
Título Original: The Near Witch
Livro Único.
Autor: Victoria Schwab
Editora: Planeta
Páginas: 240
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Sinopse: Na cidade de Near não existem estranhos e a velha história da Bruxa é contada apenas para assustar as crianças. Estas são as verdades que Lexi Harris ouviu durante toda a vida. Mas quando um estranho, um garoto que parece desaparecer como fumaça, surge em uma noite do lado de fora de sua casa, ela sabe que algo não está correto. Na noite seguinte, crianças começam a desaparecer de suas camas sem deixar qualquer vestígio e o estranho é o principal suspeito. Mas quando o garoto se oferece para ajudar na busca, algo no coração de Lexi diz que ele esconde outros segredos e não é o culpado. Ela estaria imaginando ou o vento parecia sussurrar através das paredes? Quando a busca pelas crianças se intensifica, o mesmo acontece com a necessidade de Lexi de saber sobre a Bruxa que talvez não seja só uma história para dormir... 


A Trama: Numa noite, Lexi Harris vê uma estranha forma tremulando em frente ao páramo. No dia seguinte, tem-se o anúncio de que há um estranho em Near, um vilarejo onde todos se conhecem e nunca houve alguém de fora. Quando as crianças de Near começam a desaparecer, a única possibilidade que eles veem é de que o estranho está levando-as, então começam uma caçada por ele e pelas crianças, que logo se transforma em frustração. A cidade de Near já teve – e ainda tem – seus momentos mágicos, como conta a lenda da Bruxa de Near. O páramo é um lugar onde ninguém vai, pois ali era seu lugar a muitos anos atrás. Mas os ventos do páramo sussurram, e Lexi quase sente como se realmente houvessem palavras saindo dele. Contrariando a todos, principalmente seu tio, ela vai fazer de tudo para encontrar as crianças e provar que Cole é inocente.
Eu me surpreendi bastante com a trama. Foi uma história bem construída e que conseguiu me prender às páginas, querendo saber como tudo aquilo terminaria. Tem lá seus clichês, mas que livro não tem? Me surpreendi principalmente com a protagonista, da qual eu vou falar aqui em baixo.

A Protagonista: Lexi não queria ser uma mulher comum naquele vilarejo. Não queria sentar em casa, cozinhar, limpar e costurar enquanto espera por seu marido. Com apenas 16 anos, ela queria liberdade e seu pai a ensinou a ser uma rastreadora, cortar lenha e ser mais forte do que qualquer um pensa. Enfim, uma garota que vivia além do seu tempo, não querendo se limitar aos afazeres domésticos como todas as mulheres daquela época. Quando as crianças começam a desaparecer, ela não hesita em querer procurá-las, principalmente porque não quer que a mesma coisa aconteça com sua irmãzinha mais nova, Wren, e quando é impedida por seu tio de ajudar, ela começa uma busca por conta própria. Sua crença na inocência do estranho também está ligada a sua visão ampla das coisas, não apenas limitada a Near. Eu a achei determinada e autoconfiante, nada de mocinha com autoestima baixa e frágil por aqui. Lexi aceitava ajuda quando aparecia, porém não tinha medo de fazer tudo sozinha se fosse preciso.

Personagens Secundários: O estranho, a quem Lexi chamou de Cole pois ele não queria dizer seu nome, no início parecia um bichinho assustado, se escondendo na casa das irmãs Thorne. Quando o conhecemos melhor, vemos que ele não é um bicho de sete cabeças, mas é misterioso e fala pouco. Quando encontra Lexi buscando por pistas na casa de uma criança desaparecida, os dois sentem uma conexão, que irá ajudá-los a desvendar esse mistério. As irmãs Thorne, Magda e Dreska, são bruxas muito velhas e seus poderes parecem estar acabando aos poucos, mas mesmo assim conseguem causar arrepios em algumas pessoas. Mas elas não são más, apenas mal compreendidas, por causa de suas condições e de como isso era visto antes. Otto, tio de Lexi, me deu muita raiva durante o livro, eu não conseguia engolir quando ele dizia que queria apenas proteger a família do seu falecido irmão. E eu adorei a mãe de Lexi, apesar de seus feitos na história serem bem sutis, mas importantes para a protagonista.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é bem bonita e combina com a história, só não gosto de mostrar o rosto da modelo. Não tenho nada contra capas que mostram o rosto, mas a expressão no dela ficou meio estranha. E também não gostei muito da fonte que usaram para o título. A diagramação é bem simples, os números dos capítulos ficam dentro de um círculo com alguns enfeites ao redor bem bonitinhos. Eu gostei bastante da escrita da Victoria Schwab. É leve e envolvente, me prendia às páginas e eu sempre queria continuar lendo. Sua descrição dos efeitos que o páramo tinha na vila eram tão críveis, que eu podia sentir o vento sussurrando e toda a atmosfera meio sombria de algumas partes, o que me causava até alguns arrepios. Não, não é um livro de terror, mas se você entrar tanto na história quanto eu, também vai sentir o páramo sussurrando através das páginas.

Concluindo: O livro conseguiu me conquistar, mesmo não sendo um poço de originalidade. Eu gostei do toque sombrio que a autora colocou, gostei da protagonista e sua determinação e gostei de poder ter as mesmas sensações do páramo como os personagens graças às descrições da autora. Ela só deixou algumas coisas no ar, mas não são lá muito importantes. E descobri que tem um conto, onde nós ficaremos sabendo sobre o passado de Cole.

Quotes:
- (...) – Elas veem bruxas como histórias de medo, como monstros. Quando meu pai estava vivo, as coisas eram melhores. Ele acreditava que as bruxas eram abençoadas. Estão mais perto da natureza do que qualquer ser humano, porque é parte delas. Mas a maioria das pessoas acha que as bruxas são amaldiçoadas.

- (...) – Algo terrível está acontecendo em Near, Lexi. Este lugar, é como se ele estivesse possuído. O vento está possuído. Por canções. Por vozes.

Toda má notícia se espalha como fogo, mas, quando elas nos pega de surpresa, é dolorida e quente, tomando conta de tudo tão rapidamente que nem temos chance. Quando você está esperando por isso, é até pior. É fumaça, enchendo o quarto tão lentamente que dá para ver como ela rouba o seu ar.


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