Resenha - Onde a Lua Não Está


Resenha feita pela Tay! 
Título: Onde a Lua Não Está
Título Original: The Shock of the Fall
Livro Único.
Autor: Nathan Filer
Editora: Rocco
Páginas: 272
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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SinopseNuma viagem de férias em família, dois irmãos saem numa aventura infantil no meio da noite, mas apenas um deles volta a salvo para casa. Finalista do Costa Book Awards, Onde a lua não está é o elogiado romance de estreia de Nathan Filer, enfermeiro da área de saúde mental e poeta performático britânico. Permanentemente assombrado pela morte do irmão, portador da Síndrome de Down, Matthew nunca desistiu de tentar entender o que aconteceu na fatídica noite e acredita ter descoberto uma maneira de trazê-lo de volta, neste comovente romance de formação que inspirou um curta-metragem dirigido por Udo Prinsen.


A Trama: Quando Matthew tinha 9 anos, houve um acidente em que seu irmão mais velho, Simon, acabou morrendo. Simon era um menino especial. Ele tinha uma doença, o que gerava a superproteção dos pais, que sempre colocavam a culpa em Matt quando alguma coisa dava errada. Com o passar dos anos, Matthew vai desenvolvendo um transtorno, o que o leva a nos contar sua história, como aquele acidente com seu irmão (que temos consciência do que aconteceu mais para o final da trama) transformou sua vida e seu ser, levando-o ao estado em que ele vive hoje. Encontrei aqui praticamente o que eu esperava: um drama. Apesar de ter imaginado uma trama diferente, o livro me presenteou com outra, mas não estou reclamando, porque consegui me envolver com a história e apreciar a leitura da mesma forma.

O Protagonista: Matthew vai nos envolvendo em sua loucura conforme as palavras que ele escreve. Agora com 19 anos, ele nos conta o que aconteceu desde o dia em que seu irmão morreu, alternando com outras lembranças ao longo dos anos. Talvez sua doença já estivesse lá, mas com certeza ela se libertou após a morte de seu irmão, dominando-o pouco a pouco. Claro que muitas coisas em que ele acredita são viagens de sua cabeça, mas eu gostei dele, gostei mesmo. Temos que entender o personagem nesse livro, já que ele sofre de uma doença mental, que às vezes está lá, às vezes não. Ele passa a maior parte do tempo num hospital, onde ele pode usar um computador, e é aí que começa a escrever sobre sua vida.

Personagens Secundários: Ao longo do tempo, os pais de Matthew foram tentando viver a vida sem o primogênito da família, mas foi uma tarefa difícil, principalmente para a mãe. Não consegui me conectar muito bem com eles, apesar de tentarem fazer seus papeis de pais. Quero dizer, como a história é contada por Matthew e ele, com o tempo, não se tornou o fã número um de seus pais, temos essa visão dele sobre eles, que não ficou muito ligado à família, exceto por sua avó, Nanny Noo, uma personagem que eu gostei bastante, apesar de aparecer pouco. Jacob era o melhor amigo de Matthew, mas quando os dois decidiram se libertar de suas famílias e dividirem um apartamento, as coisas não deram muito certo, por causa da preocupação de Jacob com sua mãe. Começando na pré-adolescência, ele apresentou um mundo diferente a Matt, o que também pode ter ajudado a crescer suas alucinações.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é bonita, mas não entendi o motivo da árvore. O título pode parecer estranho, mas quando terminamos o livro entendemos o significado dele. Uma das coisas mais bacanas desse livro é a diagramação. Em algumas partes há desenhos que Matt fez; uma fonte diferente quando ele introduz cartas de alguém no texto; fonte de máquina de escrever quando ele ganha uma da avó e escreve algumas passagens com ela; palavras espalhadas pela página; até uma pequena árvore genealógica da sua família. Eu gostei bastante da escrita do Nathan, da maneira que ele resolveu montar sua história. Apesar de eu ter ficado meio perdida quando ele ia para o passado e voltava para o presente sem aviso, fui me acostumando a isso e consegui acompanhar seu ritmo, entendendo Matthew. Sinceramente, sua escrita é a melhor parte disso tudo. Tenho certeza que a trama se tornaria chata se não fosse a maneira que ele narrou tudo. Sério, acho que esse foi o livro em que mais marquei páginas até o momento. Adorei!

Concluindo: Sim, o livro poderia ter sido melhor em alguns aspectos, mas eu me envolvi com a trama de Matthew e me inseri um pouco dentro de sua cabeça, tentando entendê-lo. Apesar de só ter assistido ao filme de “As Vantagens de Ser Invisível”, acho que quem gostou desse filme/livro, tem grandes chances de curtir Onde a Lua Não Está, mesmo que não tenha romance. É um drama envolvente e bem escrito.

Quotes:
Vou te contar o que aconteceu porque será uma boa maneira de apresentar meu irmão. O nome dele é Simon. Acho que você vai gostar dele. Eu gosto de verdade. Mas, daqui a algumas páginas, ele estará morto. E ele nunca mais foi o mesmo depois disso.

(...) Shhh, shhh. Vai ficar tudo bem. Era o que ele dizia ao me colocar no chão na frente de nosso trailer, antes de correr para chamar mamãe. Talvez eu não tenha sido muito claro – Simon realmente não era forte. Me carregar daquele jeito foi a coisa mais difícil que ele já fez, mas ele ainda tentou me tranquilizar. Shhh, shhh. Vai ficar tudo bem. Ele parecia tão adulto, tão gentil e seguro. Pela primeira vez em minha vida senti verdadeiramente que tinha um irmão mais velho.

Este é mais ou menos o retrato de nossa família. Não é o tipo de coisa que você ache que vá lhe fazer falta. Talvez você nem mesmo perceba tudo isso naqueles milhares de vezes, sentado entre sua mãe e seu pai no sofá grande e verde, com o irmão mais novo no carpete atrapalhando a visão da TV. Talvez você nem mesmo tenha notado.
Mas nota quando ele não está mais ali. Nota muitos lugares onde ele não está mais e ouve muitas coisas que ele não diz mais.
Eu ouço.
O tempo todo.

(...) Ler é meio parecido com alucinar.

(...) O irmão dela tem uma doença, uma doença com a forma e o som de uma serpente. Ela desliza pelos galhos de nossa árvore genealógica. Deve ter partido seu coração saber que eu era o próximo.

Quando seu irmão mais velho está chamando, quando finalmente chega a hora de ir brincar, se você precisa fugir de um hospital psiquiátrico – a primeira coisa a fazer é observar. Depois consiga que façam o trabalho árduo por você. Diga, Aaaah. Eu sou doente mental, não um idiota.

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