Resenha - Graffiti Moon

Resenha feita pela Tay!
Título: Graffiti Moon
Título Original: Graffiti Moon
Livro Único.
Autor: Cath Crowley
Editora: Valentina
Páginas: 240
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Fnac

SinopseUma aventura emocionante e perigosa como um grafite clandestino. Uma noite de arte e poesia, humor e autodescoberta, expectativa e risco e, quem sabe, amor verdadeiro. Um artista, uma sonhadora, uma noite, um significado. O que mais importa? O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar: essa noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho de sua vida. Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois de repente se juntam numa busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.

A Trama: Na noite em que terminou o ensino médio, Lucy sai para comemorar com as amigas, e elas acabam encontrando Ed, Leo e Dylan. Jazz queria apenas uma aventura para “chacoalhar” um pouco as coisas e se preparar para seu monólogo, por isso as meninas acabam saindo com eles (além de Daisy ser namorada de Dylan, apesar de estar furiosa com ele). Só que Lucy e Ed não têm um histórico muito bom juntos: dois anos antes, num primeiro encontro dos dois, ele acabou saindo com o nariz quebrado. Mas para Lucy essa noite promete muito mais do que os momentos constrangedores ao lado de Ed. Ela, com a ajuda dos garotos, vai mais uma vez atrás do Sombra, o grafiteiro misterioso que espalha imagens incríveis pela cidade, e por quem ela está platonicamente apaixonada, já que os grafites mexem muito com ela. Ela só não esperava que o Sombra e seu parceiro Poeta estivessem mais próximos do que ela poderia imaginar. Mas a noite ao lado de Ed se torna tão profunda, cheia de sentimentos e arte, que ela acaba despertando algo que já podia ter sentido por ele.
Em certo momento, a trama pode até se tornar previsível, mas eu adorei passar cada momento daquela noite com Lucy e Ed. Os dois são muito sensíveis em relação à arte e eu adorei como a autora conseguiu passar isso para o papel. Uma mini trama também se inicia dentro livro, com relação a Ed, Leo e Dylan, que estavam planejando fazer uma coisa errada, que teria um resultado catastrófico, mas ela serviu para ajudar os personagens a crescer um pouco.


Os ProtagonistasLucy gosta de trabalhar com vidro, fazendo esculturas fantásticas. Sua paixão pela arte do Sombra não é de agora, e ela sempre foi louca para encontrá-lo. Apesar de na maior parte da noite ela ficar falando sobre o Sombra, aos poucos ela foi se deixando envolver pela companhia do Ed e se focando cada vez mais nele. Também tem a questão do provável divórcio de seus pais – o que ela pensa -, que está deixando-a bastante aflita.
Ed está passando por muitos problemas, por isso topou entrar naquela enrascada para ajudar Leo e ainda poder ganhar um pouco, mas podemos ver o quanto ele está indeciso quanto a isso, sobre o certo e o errado, e sobre não querer ir parar na cadeia. Ele parou os estudos no primeiro ano do ensino médio (na Austrália não é preciso cursar todo o ensino médio) para poder ajudar a mãe nas contas de casa. Arrumou um emprego na loja de tintas e fez amizade com o patrão, Bert, um senhor que entendia de arte e o entendia, que foi para ele como um pai. Com o passar da noite, ele vai ficando cada vez mais frustrado por não conseguir contar seu segredo à Lucy (que vocês já devem ter percebido qual é, mas isso não é um spoiler, pois é contado logo no início), mesmo que a conversa com ela esteja fluindo tão bem, que ele possa estar começando a gostar dela de novo. Eu gostei dele, mesmo com a maneira crua que ele via as coisas. Era um garoto cheio de sentimentos misturados por dentro, e sua única maneira de gritá-los para o mundo era deixando-os nos muros. Sensível, fofo e muito charmoso. Sim, deu pra ter uma quedinha por ele.

Personagens Secundários: Eu adorei a Jazz, melhor amiga da Lucy. Ela era divertida e ainda se dizia vidente. E não é que ela acertava mesmo em muitas coisas? Apesar de meio maluquinha, é daquelas amigas que só te deixam de alto astral, mesmo quando está te xingando. Os maiores momentos de Daisy e Dylan são eles tendo uma “DR” quase todo o livro, por isso não consegui gostar ou desgostar de nenhum dos dois. Só sei que foram dispensáveis. Leo é o cara dos poemas – que não são nada convencionais, diga-se de passagem -, aquele que nem parece, mas tem muito sentimento por dentro. Apesar das enrascadas em que se mete, é divertido e fez tudo pelo seu amor à poesia.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa foi o que me chamou a atenção, apesar de não ser exatamente bonita. É peculiar, digamos assim, mas eu gosto bastante dela, nos remete aos grafites do Sombra espalhados pelas ruas. A edição da Valentina ficou muito fofa, com umas manchas de tinta em volta do nome do narrador do capítulo (porque o livro é narrado por Lucy e Ed, com algums poemas do Poeta no meio). A escrita da Cath Crowley é muito gostosa e rápida de ler, tanto que eu li esse livro em um dia. Adorei que ela tenha conseguido colocar tanto sentimento dentro dos protagonistas, porque eles precisavam ter.

ConcluindoO livro não é super original, apesar de eu ter adorado a temática dos grafites. O final é previsível, mas enquanto você está lendo, a narrativa te envolve e te conquista, faz você ir a todos aqueles lugares com os personagens, que você até esquece dos clichês e fica esperando ansiosamente por aquele final que você sabe que virá (ou não). Também achei legal que a autora não focou apenas no romance, mas também falou, mesmo que de uma maneira simples, de laços familiares, laços de amizades (como a de Bert e Ed) e a sensibilidade da arte de todos os tipos. Recomendo o livro para quem gosta de romance, arte e de um bom livro para passar o tempo.

Quotes:
Tenho que chegar a tempo. Tenho que encontrar o Sombra. O Poeta também, mas o Sombra principalmente. O cara que pinta no escuro. Pinta pássaros presos em muros de tijolos, pessoas perdidas em florestas fantasmas. Caras com corações feitos de grama e garotas empurrando cortadores de grama. Por um artista que pinta essas coisas, eu poderia me apaixonar. Completamente.


- (...) Mas, enfim, eu nunca me apaixonei por ela, então imagino que o mecanismo cerebral que controla o amor não responda quando é chamado de otário.

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