Resenha - Misery

Resenha feita pela Tay!
Título: Misery - Louca Obsessão
Título Original: Misery
Livro Único.
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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OMG! *-*

SinopsePaul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegarão ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, em Misery – Louca obsessão, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. 

A Trama:  Após terminar seu mais novo romance, Paul Sheldon sai para comemorar, mesmo em meio á uma nevasca, e acaba sofrendo um acidente com o carro. É então que Annie Wilkes, uma ex-enfermeira, encontra-o e leva-o para sua casa. Paul vai acordando aos poucos e ouvindo os murmúrios de Annie, que diz ser sua fã número um. Logo Paul percebe que Annie não está querendo apenas cuidar de suas pernas destroçadas, mas que ele virou prisioneiro da mente doentia dela que aos poucos se revela. Então Annie lê o último livro de Paul sobre sua personagem favorita, Misery, e não fica nada feliz com o final trágico da personagem. Agora ela quer que Paul arrume uma maneira de trazer Misery de volta e escrever, na máquina de escrever faltando a tecla da letra “n”, o melhor romance de Misery que ele já ousou imaginar. E Annie tem maneiras nada sutis de obrigar Paul a fazer o que ela quer, como se recusar a dar os compridos para parar a dor, ou ameaçar acertar seu joelho que quase nem existe mais, ou até mesmo usar o machado...
Stephen King sabe criar uma trama que prende o leitor. Não vou falar que li esse livro super rápido, porque não foi o que aconteceu, mas eu consegui aproveitar a leitura e toda vez que eu pegava o livro, as páginas pareciam voar. Eu me juntei a Paul em sua agonia e no final... Acho que meu coração nunca ficou tão acelerado enquanto lia um livro.


Os Personagens: Paul queria se livrar logo de Misery, porque ele não suportava a fama de sua personagem ser maior que a sua própria, mas foi obrigado a voltar ao mundo dela e, mesmo que não quisesse, se sentiu bem por poder escrever sobre personagens que conhece tão bem. Mesmo nos momentos que ele pensava em desistir, sempre aparecia uma centelha de esperança, uma ideia para que ele conseguisse sair dessa. Eu gostei muito do personagem e me conectei muito a ele, sentindo sua agonia e sentindo a tensão dos momentos em que ele conseguia escapar do quarto, mas tinha que voltar antes que Annie retornasse. Além de, através dele, Stephen King ter me ensinado algumas coisinhas sobre escrever um livro, não desistir de uma cena quando um personagem entra em um beco quase sem saída, mas pensar em formas de “sair dessa”. E Paul usa muito essa brincadeira do “Sai dessa” para conseguir sobreviver com Annie.
Fica claro desde o primeiro momento que Annie não bate bem da cabeça, e com o decorrer do livro nós vamos descobrindo mais sobre sua história. Lembram-se do Téo de Dias Perfeitos? Annie é mil vezes pior. O problema é que nas vezes em que ela se fazia de vítima, eu chegava mesmo a sentir pena dela, assim como Paul, mais isso logo passava. A construção da personagem foi incrível e ela mete muito mais medo do que monstros de muitas histórias de terror por aí.

Capa, Diagramação e Escrita: Essa capa não é tão sinistra como muitas do livro que eu vi por aí, mas eu gostei da imagem, a máquina de escrever tem tudo a ver e a floresta lá atrás dá um toque sombrio. Eu gostei da diagramação, quando mostra partes do romance de Misery que Paul está escrevendo, todas as letras “n” estão com uma fonte de escrita à mão, porque Paul pediu à Annie para preencher os “n”, achei bem legal esse cuidado para parecer tudo mais real. A escrita de Stephen King é incrível! Antes de começar a ler seus livros, eu sempre achei (não sei por que) que ele teria uma escrita pesada, arrastada. Mas não é nada disso. Ele tem um humor negro próprio em sua narrativa e a leitura flui que é uma beleza, porque a narrativa é envolvente e até mesmo leve, faz você ficar grudado nas páginas, e quando vê já avançou tanto na leitura que nem dá para acreditar direito. Sério, se vocês ainda não leram nada do Stephen, LEIAM! Ele sabe escrever um livro, sabe acelerar seu coração naquelas partes de tensão psicológica, quando você (e o personagem) ficam esperando aparecer o mal em qualquer canto escuro, vindo por trás, imagina sons... Ele conseguiu me ganhar.

ConcluindoO final mesmo não foi tão empolgante assim – mas foi bom -, mas o quase final... Eu fiquei realmente sem fôlego enquanto lia, tinha que me lembrar que eu precisava respirar. O livro todo trás uma tensão e um suspense muito gostoso, acompanhado de uma narrativa excelente e de personagens que ficarão com você mesmo depois de terminar a leitura. Virou favorito, com certeza, e eu estou louca para continuar a ler os livros do Stephen King.

Quotes:
Ele descobrira três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após ter emergido da nuvem escura. A primeira era que Annie Wilkes tinha bastante Novril (na verdade, tinha muitos remédios de vários tipos). A segunda era que ela era viciada em Novril. A terceira era que Annie Wilkes era perigosamente louca.


- Paul, eu estou avisando. Se essa pessoa ouvir algum barulho, ou se eu  ouvir algum barulho e pensar que ela ouviu, eu mato seja lá quem for, quantos forem, depois mato você, e aí me mato.



(...) Depressivos se matam. Psicóticos, acalentados no berço venenoso de seus egos, querem fazer um favor aos outros, levando-os junto.



- Acho que você pensa em escapar. Como um rato na ratoeira, não é? Mas você não vai escapar, Paul. Se essa fosse uma das suas histórias, talvez você conseguisse, mas não é. Eu não posso deixar você ir embora... mas posso ir com você.


Porque escritores se lembram de tudo, Paul. Especialmente o que dói. Tire toda a roupa de um escritor, aponte para as cicatrizes e ele vai contar a história de todas, até as menores. As maiores rendem romances, não amnésia. É bom ter algum talento se você quer ser escritor, mas o único requerimento real é a habilidade de lembrar da história de cada cicatriz.
Arte é a persistência da memória.
Quem dissera aquilo? Thomas Szasz? William Faulkner? Cyndi Lauper?


(...) Ocorreu a Paul que a mente dela e o cortador tinham algo em comum: ambos pareciam normais até que você os erguesse para olhar embaixo. E então você via uma máquina de matar suja de sangue com uma lâmina muito afiada.

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