Resenha - Azul da Cor do Mar

Resenha feita pela
Título: Azul da Cor do Mar
Livro Único.

Autor: Marina Carvalho
Editora: Novo Conceito
Páginas: 334
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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Sinopse: ACASO, DESTINO ou LOUCURA? No caso de Rafaela, Pode ser tudo isso junto. Para alguém como ela, nada é impossível. Rafaela sonha desde a adolescência com o garoto que viu uma vez, perto do mar, carregando uma mochila xadrez... A ideia fixa não a impediu, porém, de ser uma menina alegre e muito decidida. Ela quer ser jornalista, e seu sonho está se concretizando: Rafaela Vilas Boas (um nome tão imponente para alguém tão desajeitado) conseguiu um estágio no melhor jornal de Minas Gerais. Mas, como estamos falando de Rafa, alguma coisa tinha que dar errado. O jornal é mesmo incrível, mas seu colega de trabalho, Bernardo, não é a pessoa mais simpática do Mundo. Em meio a reportagens arriscadas – e alguns tropeços -, Bernardo acaba percebendo, contra a sua vontade, que Rafaela leva jeito para a coisa... E que eles formam uma dupla de tirar o fôlego. Mas e a mochila? E o garoto, o envelope, as cartas? Um dia a estabanada Rafaela vai ter que se libertar dessa obsessão.

A Trama: Aos onze anos de idade, passando férias no litoral do Espírito Santo como costumava fazer, a jovem Rafaela observa um menino poucos anos mais velho que ela, caminhar em direção ao mar com uma mochila xadrez nas costas, deixar um papel ser levado pela água, olhar para trás e ir embora. Essa imagem nunca saiu de sua cabeça, e nos anos seguintes, Rafa passou a escrever um diário com suposições sobre o garoto, o criando em sua imaginação como se fosse uma pessoa que ela conhecesse pessoalmente.
Agora, já com 21 anos, Rafaela está no último ano de sua faculdade de jornalismo e com a ajuda de uma professora, consegue estágio no jornal mais famoso de Minas Gerais, o Folha de Minas. Apesar de ter sido muito elogiada e colocada numa posição em que poucos estagiários conseguiriam estar, Rafa não está totalmente contente. Isso porque seu cargo é ficar na cola do repórter investigativo Bernardo, um durão com cara de poucos amigos, que a menospreza e a trata mal logo de cara.
Embora seu relacionamento com seu mentor não seja do mais amistoso, conforme eles vão se aproximando a mente de Rafaela passa a dividir seus pensamentos no garoto da mochila xadrez, com pensamentos sobre Bernardo, mas ela não admite suposições de que seus sentimentos pelo carrasco estejam mudando. No entanto algo muda quando Gisele, uma de suas amigas, passa a ter interesse em Bernardo, o que abala a relação das duas radicalmente e faz Rafaela repensar esses estranhos sentimentos, enquanto ela se aproxima de Marcelo, boa pinta que trabalha no setor de jornalismo do jornal e tem sido agradável com ela desde o dia em que ela começou a trabalhar.
Gosto muito da familiaridade dos livros nacionais, principalmente chick-lits, que não são o meu forte, mas com expressões e lugares tão reconhecíveis, a leitura se torna deliciosa. Passei nervoso em alguns momentos da leitura, o que me fez ficar obcecada em ler e ler mais para saber o que aconteceria. Além do romance, o livro mostra um pouco dos desafios que os repórteres têm que viver, o que deu um toque diferenciado a trama.

A Protagonista: Rafaela é muito estabanada e igualmente divertida, o que logo se vê pelo toque de seu celular: a música tema de "O Fantasma da Ópera". Ela divide apartamento com dois de seus três irmãos, que são super protetores com a irmãzinha mais nova. Sua obsessão com o garoto da mochila xadrez acaba atrapalhando seus relacionamentos, já que nenhum rapaz parece bom o bastante quando comparado com o garoto de Rafaela.
Gostei muito dessa protagonista. Claro que um cargo em um jornal importante de repente, mesmo sendo o sonho da pessoa, assusta qualquer um. Mas Rafaela prova que tem talento e determinação e que é madura pra sua idade.

Personagens SecundáriosBernardo aparece sendo arrogante, mal humorado, mas a Rafa também não facilitava pro moço. Quando ele tentava ser mais simpático, ela já estava armada para se defender. Eu fiquei tão envolvida pelo turrão de olhos azuis quanto Rafaela, só esperando o momento de seus segredos serem desvendados e seu coração doce se revelar.
Marcelo, acusado por Bernardo de ser cafajeste, me deixou pensando "é ou não é?" até o final do livro. Ele começa a se aproximar como amigo da protagonista, mas não tarda a revelar suas intenções. Adorei os irmãos da Rafaela, são personagens muito queridos. Suas amigas Alice e Sofia estão sempre ao lado da Rafa, sendo boas amigas como a Gisele deveria ter sido, mas estou com vontade de esganar essa última até agora.

Capa, Diagramação e Escrita: Essa capa é fofíssima, e tem tudo a ver com a trama, já que o lugar em que Rafaela avistou o menino da mochila xadrez foi numa praia. No início de cada capítulo há ilustrações fofinhas e trechos do Manual de Redação da Folha de São Paulo, o que foi uma ideia ótima considerando que o livro acaba nos passando uma noção mesmo que mínima de jornalismo. Usaram fontes diferentes para diferenciar e-mails, mensagens e o texto “normal” do livro, o que foi muito legal também.
Como eu já conhecia a escrita da Marina Carvalho, tinha ideia do que esperar e fiquei feliz por ela não me decepcionar. O comportamento e as falas dos personagens são muito divertidos e me tiraram boas risadas. Recomendo muitíssimo para quem gosta de livros nacionais ou quer conhecer os autores brasileiros do momento, os livros da Marina, apesar de só ter lido dois dos três já publicados.
Concluindo: A trama não deixa de ser clichê, mas no meu ponto de vista, a maioria dos chick-lits são assim, então se você é fã do gênero e ainda não leu esse livro, leia já! Sou uma apreciadora assumida de clichês. Se conseguir me divertir e me levar para um caminho longe do tédio, está aprovado, e isso Azul da Cor do Mar fez com louvor. Para você terem noção, mesmo me divertindo durante a leitura, quando chegou a reta final e o momento do drama básico, a pessoa aqui, gripada, quase foi as lágrimas às 03:00h da madrugada - e não sosseguei até terminar de ler. Nem preciso dizer mais nada né?!
Quotes: 
Descobri que queria ser jornalista aos treze anos. No começo meu pai achava engraçado e dizia que eu acabaria mudando de ideia quando ficasse mais velha. Só que eu não mudei, meu pai parou de achar graça e tentou me convencer a escolher outra profissão.
  
Já que, tecnicamente, posso ser considerada uma jornalista investigativa, por que não uso minhas técnicas de investigação para encontrar o garoto? A resposta principal é que agora eu sou adulta e não posso ficar brincando de procurar um sujeito sem nome, sem história, do passado. Adolescentes fazem essas coisas; uma pessoa da minha idade, não.

Eu nunca havia estado naquela posição antes e confesso, por mais devassa que possa parecer, que foi uma descoberta e tanto. Um achado. Nós ainda não havíamos dado aquele passo, mas me enrodilhar nele daquela forma representava um avanço, dos grandes. E, quer saber? Recomendo demais. A posição, quero dizer. Mas só para as maiores de idade, pelo amor de Deus.
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