Resenha - À Espera de Um Milagre

Título: À Espera de Um Milagre
Título Original: The Green Mile
Livro Único.
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 399
Ano: 2013 (originalmente 1996)
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Apesar de fugir ao estilo do autor, a obra é impecável.

Sinopse: Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain. Stephen King foi buscar no lado mais sombrio de sua imaginação a história assombrosa de John Coffey, condenado à morte, e seu encontro fatal com o carcereiro Paul Edgecombe.
Originalmente publicado em seis partes, com o título de O Corredor da Morte, o romance é agora lançado em volume único: "À Espera de um milagre". Nas telas, o diretor Frank Darabont recria a história magistral de King, com Tom Hanks interpretando o guarda Edgecombe

A Trama: Em 1932, Paul Edgecombe trabalhava na Penitenciária de Cold Mountain. Mais precisamente no bloco E, conhecido como Corredor Verde - o Corredor da Morte. Lá, ele conheceu o gigante John Coffey, condenado por estuprar e matar duas crianças. Desde o início Paul acredita que tem algo errado na história do grandalhão - e as próximas páginas, em grande maioria, serão sobre esse "algo errado". 
Honestamente? Ignorem a parte da sinopse que fala sobre uma trama de mistério e terror, cenário de desespero e sufoco, lado mais sombrio de sua imaginação, história assombrosa de John Coffey e blá blá blá. Ignorem. Isso nada mais é do que uma sinopse fake para vender livros aos que estão acostumados aos livros de terror de Stephen King. 
Na boa? A história de Coffey não tem absolutamente nada de terror, nada de assombrosa e nem de longe saiu do lado mais sombrio da imaginação de King. É uma história triste, comovente, e com um toque de suspense. Mas não é nem de longe assustadora. 


O Protagonista: Paul Edgecombe é muito mais do que um homem muito velho que trabalhou no corredor da morte. Paul é um homem que viu demais do mundo e é nitidamente perturbado por essas lembranças. Além de ser um ótimo contador de histórias.
Agora, é complicado falar sobre ele. Pois, apesar de ser o protagonista e narrador da coisa toda, o livro é muito mais sobre John Coffey do que sobre Paul. 

Personagens Secundários: John Coffey - como o que se bebe com leite, só que se escreve diferente - me ganhou desde que entrou pelo Corredor Verde. O autor soube perfeitamente passar toda a bondade e dor que emanam daquele homem, e é simplesmente impossível passar as quase 400 páginas torcendo para que ele escape da Velha Fagulha. 
Também gostei bastante de Del, e ao correr das páginas simplesmente esqueci de ele ter sido condenado à pena de morte. O doidinho dono de um rato de estimação simplesmente não pode ser o mesmo assassino que matou várias pessoas.
Senti por não conhecer mais sobre a vida dos outros guardas, minha simpatia por Brutal foi instantânea, e realmente gostaria de saber mais sobre ele. Mas no todo, os personagens são ótimos, e apesar de eu querer mais deles, não faltou nada à história

Capa, Diagramação e Escrita: O livro é narrado por Paul, muitos anos depois do ocorrido em 1932. E ao ler, eu realmente me senti na pele do narrador presenciando todos aqueles fatos. Mas, vamos ser sinceros, sobre a escrita de Stephen King eu nem preciso falar, o cara não é um autor consagrado à toa. 
Sobre a capa, apesar de eu achar que ela não tem muito a ver com a obra, gostei muito mais dela do que da antiga (com imagens do filme). 

Concluindo: Quem está acostumado aos livros de terror de King talvez estranhe um pouco essa obra, mas eu duvido muito que tenha do que reclamar. Eu me esforcei, de verdade, e não encontrei defeito algum.
O trabalho do autor foi impecável, e o mestre do terror conseguiu, brilhantemente, criar uma história que vai tocar a todo e qualquer coração. E esse livro, com a maior certeza do mundo, entrou para os melhores do ano

Sobre o filme: Honestamente? À Espera de Um Milagre é a melhor adaptação que já assisti. Comparei com diversas outras, nenhuma chega aos seus pés. 
Obviamente, o roteiro não foi 100% fiel ao livro, mas as mudanças feitas  - salvo um erro crasso de cálculo - acabaram por melhorar ainda mais essa história que já não precisava de melhoras. 
Se eu indico? Ambos, livro e filme, sem a menor sombra de dúvida

Quotes:
Cada um de nós tem compromisso com a morte, não há exceções, sei disso, mas às vezes, oh meu Deus, o Corredor da Morte é muito comprido.