Resenha - Quando Eu Era Joe

Resenha feita pela
Título: Quando Eu Era Joe
Título Original: When I Was Joe
Série:
Quando Eu Era Joe
1 - Quando Eu Era Joe
2 - Quase Verdade (UK 2010)
3 - Another Life (UK 2012)
Autor: Keren David
Editora: Novo Conceito
Páginas: 318
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Extra // Submarino // Fnac

Sinopse: Imagine o que é perder, em uma única noite, sua casa, seus amigos, escola e até mesmo o seu nome. Aos 14 anos, Ty presencia um crime bárbaro num parque de Londres. A partir desse momento, tudo muda para ele: a polícia o inclui no programa de proteção à testemunha, e Ty é obrigado a assumir uma vida diferente, em outra cidade. O menino ingênuo, tímido, que costumava ser a sombra do amigo Arron, matricula-se na nova escola como Joe... E Joe não poderia ser mais diferente de Ty: faz sucesso com as meninas, torna-se um corredor famoso... Joe é tão popular que acaba incomodando os encrenqueiros da escola. Ser Joe é bem melhor do que ser Ty. Mas, logo agora, quando ele finalmente parece ter se encaixado no mundo, os atentados e ameaças de morte contra sua família o obrigam a viver no anonimato, em fuga constante e sob a pressão de prestar depoimentos sobre uma noite que ele gostaria de esquecer. Um livro – de tirar o fôlego! – sobre coragem e sobre o peso das consequências do que fazemos.

A Trama: Tyler estava no lugar errado na hora errada e acabou testemunhando um assassinato que mudou sua vida repentinamente. Depois de depor à polícia, que percebeu pelas investigações o perigo no qual o garoto se meteu, ele e sua mãe devem mudar de cidade e identidades deixando tudo para trás. Como se a constatação da polícia não bastasse, no momento em que Tyler e Nicki estão recolhendo seus pertences, uma bomba é estourada numa loja embaixo do apartamento em que viviam, provando que suas vidas estão em perigo.
Na nova cidade, Ty assume o nome Joe, cabelos tingidos, lentes de contato e uma série abaixo da qual estava na escola em que estudava, para fugir dos criminosos que não querem que ele testemunhe sobre o homicídio de Londres. Mesmo com cabelos pretos no lugar dos castanhos e olhos castanhos em vez de verdes, Joe se torna uma atração na nova escola, atrapalhando os planos de Tyler de passar despercebido, já que vive rodeado de admiradoras e sendo odiado por alguns meninos.
Como Joe, Tyler tem a chance de repensar as atitudes e modo de viver de seu antigo eu, enquanto luta para esconder quem é e porque se mudou, e para que a polícia não descubra outra mentira que ele esconde.

O Protagonista: Apesar de ter somente 14 anos, Tyler age com maturidade na maioria das vezes, embora ele também cometa erros que correspondem a sua idade e deixe os hormônios o guiarem em alguns momentos. Adorei o jeito do Ty, como ele passou a viver como Joe e lidou com os acontecimentos sem surtar, tentando manter a cabeça no lugar e não errar mais uma vez. Acabei nutrindo carinho pelo personagem. Foi muito bom estar na mente dele durante a trama, por que possibilitou que eu pudesse conhecê-lo a fundo e entender seus segredos de acordo com o que ele vai contando aos poucos.

Personagens Secundários: A mãe de Tyler engravidou na adolescência e não tem a maturidade que deveria ter para orientar um filho na idade de Ty, e ele vive com a dúvida de se ela se arrepende de ter dado luz a ele ou não. Ty não tem o costume de chamá-la de mãe, mas com o disfarce, Nicki passa a ser Michelle, e isso força que Tyler mude o modo de se relacionar com ela na frente de outras pessoas, o que desperta a relação mãe e filho entre eles e os afeta de forma profunda. Gostei muito do crescimento da personagem durante o livro e dos outros familiares do Ty, que também estão a cuidado da polícia e correndo perigo, mesmo afastados.
Ashley é uma das meninas que passa a cercar Tyler na escola e também a mais popular. Para se sentir mais como Joe, Ty acaba se envolvendo com ela, apesar de Ashley não ser uma pessoa muito legal.
Também nessa vida como Joe, Tyler entra para a equipe de atletismo da escola e passa a treinar com Ellie, uma cadeirante que não desistiu do esporte apesar de ter sofrido um acidente, e por meio dela, acaba se aproximando de sua irmã Claire, que estuda com Ty, mas passava despercebida por ele por ser tímida e retraída.

Capa, Diagramação e Escrita: Achei muito bacana o “sangue” espirrado na capa do livro. Enquanto a imagem e o título são foscos, o sangue é em relevo, e me deu uma sensação diferente ao passar a mão em cima dele, que me instigou ainda mais a ler.
Sempre que alguma celebridade ou programa que não são conhecidos no Brasil são citados, há uma nota de rodapé explicando do que se trata, e é muito legal quando a editora tem esse cuidado, apesar de numa página ter um pequeno diálogo em francês - que me fez recorrer ao google tradutor para saber do que se tratava-, que merecia uma notinha também e não teve.
A autora teve muita sensibilidade ao criar um personagem como Tyler e narrar o livro inteiro pela mente dele. Tornou-se até estranho para mim, lembrar que o Ty não existe de verdade e é um personagem fictício, porque eu o sentia de uma forma muito real, como se pudesse encontrá-lo por aí em algum lugar, vivendo de verdade.

Concluindo: Mesmo não me trazendo fortes emoções, achei o livro ótimo. Não tinha vontade de parar de ler e não consigo pensar em alguma parte que me decepcionou ou que eu mudaria. Acredito que ele tenha a capacidade de agradar quem gosta e quem não gosta de livro policial, pois ele vai muito além desse gênero.
Quotes: 
Penso se algum dia no futuro voltarei a ser Ty de novo e poderei dizer: “Uma vez tive que me esconder porque testemunhei um crime. Não foi tão ruim assim quando eu era Joe”. É inimaginável. Isso nunca vai ser algo sobre o qual poderei falar.

- Sem problemas. Fale comigo em turco.

Eu sussurro em um tom grave com sotaque de Istambul que tem baratas na cozinha e que tenho medo de receber uma visita da vigilância sanitária. Ela suspira e diz:

- Isso é tão sexy. – Eu a beijo de novo, então digo em inglês:

- Isso foi tão obsceno que não posso dizer o que significa.

Eles tiram uma radiografia. Eu fico deitado sozinho na mesa branca enquanto a máquina clica e zumbe por cima de meu corpo. Imagino como seria se essas máquinas pudessem enxergar dentro de sua mente assim como de seu corpo e ver o emaranhado de mentiras e pensamentos  e problemas que tem lá; se pudessem produzir uma imagem que capturasse a verdade interna, a pessoa real, o esqueleto da alma. Quem veriam se pudesse enxergar dentro de mim?
                                 Classificação:
 
Classificação:
Classificação: