Resenha - O Monstrologista

Resenha feita pela Tay!
Título: O Monstrologista
Título Original: The Monstrumologist
Série: O Monstrologista
1- O Monstrologista
2- A Maldição do Wendigo (2012)
3- A Ilha de Sangue (2013)
4- The Final Descent (2013 US)
Autor: Rick Yancey
Editora: Farol Literário
Páginas: 474
Ano: 2011
Saiba mais: Skoob
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SinopseWill Henry é assistente de um médico com uma especialidade incomum: a monstrologia, isto é, o estudo dos monstros. Ao receber em casa o cadáver de uma menina atrelado a um desses seres que se acreditava extinto, Will e o médico sairão à caça de outros antropófagos antes que seja tarde demais. O Monstrologista é o primeiro de uma eletrizante trilogia para aqueles com estômago forte!

A Trama: No início do livro, um personagem que não sabemos o nome (apenas sabemos que é um autor), no ano de 2007, recebe os diários de um tal Will Henry, falecido a pouco tempo. Conforme lê os diários (nesse livro, o personagem lê os três primeiros, os quais acompanhamos na íntegra), ele tem na mente que aquilo é uma história fictícia, já que o dono deles era aparentemente louco, afinal ele dizia ter nascido no ano de 1876. A história de Will Henry não podia ser mais sinistra. Conforme escrito nos diários, ele perdeu os pais em um incêndio quando tinha 11 anos, então passou a viver com o Dr. Pellinore Warthrop, com quem seu pai trabalhava. Logo ele chega a conclusão que o doutor é louco, e mesmo mais de um ano depois, ele tem isso em mente, já que ele trabalha com um tema nada peculiar como a monstrologia (o termo usado para quem estuda e caça monstros). Nesse primeiro volume da série, vamos acompanhar Will Henry e Warthrop à caça dos Anthropophagi, seres mitológicos, mas reais, que aparentemente conseguiram um meio de ir para a América. Eu gostei bastante da história e da maneira como foi contada, toda aquela coisa de "caça aos monstros" me encantou muito, e eu fiquei apreensiva junto com o protagonista e temendo por ele, com medo que aqueles seres poderiam aparecer a qualquer momento. A trama se desenvolve de uma maneira que prende o leitor e deixa-o querendo saber mais daquela história, como ela vai se desenvolver e qual será o esperado desfecho. Eu, como apreciadora de história sinistras bem contadas, amei de mais!

O Protagonista: Eu gostei de Will Henry. Era apenas um menino que foi jogado na vida caótica, confusa e sinistra do Dr. Warthrop, obrigado a ser seu assistente e suportar todo tipo de criaturas nojentas e horripilantes que o doutor resolvesse estudar. Apesar da idade dar a impressão de que ele seria frágil e fraco, na medida que as coisas vão ficando sérias e ele vê que precisa agir para se salvar, ele nos surpreende pela coragem e determinação. Ele se vê num beco sem saída com o doutor, aquele que o acolheu após a horrível morte dos pais, então abandoná-lo está fora de cogitação. Pelo menos por enquanto.

Personagens SecundáriosPellinore Warthrop é um sujeito peculiar. Maluco, com certeza, mas de certa forma brilhante. Bem naquele estilo cientista maluco, mas de uma forma bem mais mórbida e sombria. Um homem cheio de segredos, que nem quem mais convive com ele é capaz de desvendar todos. Apesar de sua "loucura" não deixá-lo enxergar certas coisas na verdadeira gravidade que são, eu gostei bastante do personagem, principalmente por essa loucura, apesar dele negligenciar por várias vezes o pobre Will Henry. Logo no início, depois de eu me acostumar com as peculiaridades do doutor, eu comecei a imaginá-lo como um personagem de Tim Burton, interpretado pelo Johnny Depp, mesmo que a história seja um pouco mais sangrenta e de revirar o estômago que os mundos sinistro de Burton. Um personagem que não gostei nada foi o Kearns, que me irritou profundamente com aquele jeitinho arrogante, mesmo que suas ideias dessem certo. Não gostei nada dele.

Capa, Diagramação e EscritaAdorei esse capa! Sério, no livro físico ela é bem mais legal e bonita do que apenas a imagem na internet. O cemitério ficou bem representado, até porque ele é parte importante da história. O corvo não tem ligação com a história, mas deu um toque mórbido maravilhoso. Até a lua e os crânios na parte azul da capa têm a ver com a trama. E a imagem do cemitério continua na contracapa *-* Durante o livro, temos algumas ilustrações demonstrando as "ferramentas" necessárias para um monstrologista, basicamente o que qualquer médico usa em uma cirurgia e etc. E também temos algumas imagens anatômicas. Eu adorei a narrativa do autor. É narrado em primeira pessoa pelo Will e tem o tom obscuro certo, a ponto de nos deixar com o coração acelerado naquelas partes de ação. Não diria que as partes sangrentas são bem gráficas, mas podem incomodar aqueles com estômago mais fraco.

ConcluindoA história da caçada aos Anthropophagi tem início e fim nesse volume, tanto que no próximo eles irão à procura de um Wendigo *-* Mas, claro, os personagens se desenvolverão mais em cada livro, então não é como se você pudesse ler qualquer um em qualquer ordem. Não recomendaria. Como todo livro, ele tem seus defeitos, até algumas coisinhas clichês, mas também tem muita originalidade. Eu quero saber o que mais tem nos diários de Will Henry (realidade ou ficção?), o desenvolvimento dos personagens e as novas caçadas. Ou seja: eu preciso do próximo livro! Recomendo para aqueles que gostem de histórias nesse estilo gótico e sinistro, não tenham estômago fraco e, principalmente, curtem uma boa história de monstros. Por último, eu queria dizer que se fizerem um filme dessa série, o Johnny Depp deveria ser contratado imediatamente para o papel de Pellinore Warthrop u.u

Quotes:
- Somo escravos, todos nós, Will Henry - começou, tomando o livro da minha mão e colocando-o sobre a pilha mais próxima. - Alguns são escravos do medo. Outros, da razão - ou do desejo. É nosso fardo sermos escravos, Will Henry, portanto a questão deve ser: a que iremos devotar nossas algemas? Será à verdade ou à falsidade, à esperança ou ao desespero, à luz ou à escuridão? Escolhi servir à luz, muito embora esse cativeiro com frequência repouse na escuridão. Não foi o desespero que me levou a apertar aquele gatilho, Will Henry. Foi a misericórdia.

(...) Por que perdíamos tempo lendo livros velhos, estudando mapas e tirando medidas enquanto um bando de trinta hóspedes vindos de um pesadelo perambulava por aí? (...)

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