Resenha - O Trem dos Órfãos

Resenha feita pela Tay!
Título: O Trem dos Órfãos
Título Original: Orphan Train
Livro Único.
Autor: Christina Baker Kline
Editora: Planeta
Páginas: 304
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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SinopseQuando Vivian Daly, uma senhora de 91 anos, decide se livrar de seus pertences antigos ela acaba recebendo a ajuda de Molly, uma adolescente órfã e rebelde, que está disposta a prestar serviços para não acabar no reformatório. Revivendo cada momento marcante de sua história, Vivian conta para Molly sobre sua família irlandesa pobre que foi de barco para Nova York em busca de uma nova vida e acabou morta em um incêndio. Sendo a única sobrevivente, ela foi levada por um trem com outras centenas de crianças que teriam seu destino decidido pela sorte. Seriam elas adotadas por famílias gentis e amáveis, ou teriam de encarar uma infância e adolescência de servidão e trabalho pesado? 

A TramaMolly é “órfã” e vive em lares adotivos. Na casa em que está morando agora, Dina, a esposa, não é muito fã dela, e as coisas pioram mais ainda quando ela é pega tentando roubar um livro da biblioteca. Agora Molly tem que prestar 50 horas de serviço comunitário, e Jack, seu namorado, consegue fazer com  que ela seja a responsável por limpar o sótão de uma senhora de 91 anos chamada Vivian Daly. O que Molly achou que seriam horas de tédio ajudando aquela senhora a se livrar de suas tranqueiras velhas, se tornam horas de aprendizado, onde ela vai conhecer um pouquinho mais sobre o passado de Vivian, que também foi uma órfã como ela. Num trabalho para a escola, Molly entrevista Vivian sobre seu passado e ela acaba criando um apreço muito grande por aquela senhora.
O livro se passa em dois tempos, nos dias atuais (2011) e no passado de Vivian (de 1929 à 1943), desde sua infância, sendo que a história de Vivian é a maior parte do livro. Eu achei ambas as histórias interessantes, mas não há como negar que as partes de Vivian são as melhores, onde aprendemos como ela lidou com as dificuldades da época. Esse livro também é para ser sentido e entendido, principalmente quando lemos sobre tudo o que Vivian teve que passar, como fome, abusos, medo. Eu adorei acompanhar sua jornada e saber um pouquinho sobre os Trens dos Órfãos, que realmente existiram naquela época, levando milhares de órfãos para famílias que, futuramente, poderiam vir a adotá-los.

As Protagonistas: Molly tenta ser rebelde para repelir qualquer pessoa que queira se aproximar. Não tem um bom relacionamento com a esposa da família que a acolheu, mas a mulher parece ter mesmo uma mania de perseguição com ela. Mesmo assim, não consegue não ficar próxima de Vivian, ainda mais quando descobre que as duas têm muito em comum, até esse espírito rebelde da adolescência. Gostei dela, apesar de ter me irritado um pouco quando ela ficava na defensiva.
Vivian veio da Irlanda com os pais quando era bem nova. Os cabelos ruivos eram uma peculiaridade em sua aparência, o que poderia fazê-la sofrer muitos preconceitos. Seu nome verdadeiro é Niamh (pronuncia-se Ni-vi), mas a primeira família que a pegou nomeou-a Dorothy e, outra família, deu-lhe o nome de sua filha morta, Vivian. Ela sofreu bastante na infância com famílias que queriam explorá-la e não tinham a menor intenção de mantê-la segura. Eu gostei de como ela conseguiu se manter forte, mesmo sabendo de mais para a pouca idade.

Personagens SecundáriosTemos vários ao longo do livro. Como eu já disse, Dina, a esposa da família que acolheu Molly, não se dá nenhum pouco bem com ela, mas a mulher é muito irritante. Ralph, o marido, é mais legal, mas não consegue contrariar as ordens da esposa. Falando daqueles que Vivian conheceu ao longo de sua vida, temos Dutchy, o garoto que ela conheceu no trem dos órfãos e se tornou amiga, anos mais tarde os dois até viveram um romance (que foi bonitinho, mas não gostei de como ele começou do nada; num momento ela estava pensando se o veria novamente, no outro eles se reencontram e já estão se beijando; tipo, eles eram só amigos, não havia nenhum interesse amoroso entre eles antes para já se reencontrarem dessa forma!). A Srta. Larsen, professora de Vivian, que foi muito boa para ela e a ajudou bastante. Os outros personagens secundários é legal você ir conhecendo ao longo do livro, mesmo que vários sejam odiosos.

Capa, Diagramação e EscritaEu gosto da capa, acho que tem a ver com a história, a imagem é bem bonita. A diagramação é simples, com um tamanho de fonte muito bom para leitura. Sinceramente, eu achei que a narrativa desse livro seria mais arrastada, mesmo o tema sendo ótimo. Mas, ao contrário, a narrativa é leve e envolvente, mesmo com algumas partes mais obscuras, fazendo que a leitura flua facilmente. Achei a escrita da autora bem gostosa e gostei de como ela narrou os fatos, nenhuma parte “agarrando” a leitura.

ConcluindoLi alguns comentários no Goodreads falando mal do livro, principalmente de como o livro retrata as famílias, principalmente as mães, desses lares adotivos provisórios, até mesmo de uma mulher falando que ela é uma dessas mães e que não concorda em como a autora descreveu Dina. Bom, cada caso é um caso, ela não é como Dina, mas a personagem da autora é, então não vejo porque ela ter reclamado tanto. E outra coisa, as famílias retratadas são de outra época, em que as coisas eram bem diferentes, então também achei injusto para a história terem reclamado das características que a autora deu a seus personagens. Mas enfim, cada uma tira suas próprias conclusões, né? No final, também temos uma breve matéria sobre os trens dos órfãos, com imagens reais, o que achei bem legal. Eu gostei bastante do livro, apenas algumas coisas me incomodaram – como o instalove dos personagens. O final foi muito bonito, emocionante até. No mais, eu recomendo muito a leitura, principalmente se você ficou interessado no tema.
Quotes:
- Quase não vejo televisão. Você sabe que não tenho computador. De certo modo, minha vida é exatamente como era há vinte ou mesmo quarenta anos.
- Isso é meio triste - diz Molly abruptamente, e logo em seguida se arrepende.
Mas Vivian não parece ofendida. Fazendo um gesto de "quem se importa?" com os ombros, diz:
- Não acho que perdi muita coisa.
- Internet sem fio, fotografias digitais, smartphones, Facebook, YouTube... - Molly bate os dedos de uma mão. - O mundo inteiro mudou na última década.
- Não é o meu mundo.
- Mas você está perdendo muito.
Vivian ri.
- Não creio que o FaceTube - ou que nome isso tenha - faria melhorar a minha qualidade de vida.
Molly balança a cabeça.
- É Facebook. E YouTube.
- Que seja (...).


(...) Que infância miserável é essa, saber que ninguém a ama ou está tomando conta de você... Estar sempre do lado de fora, olhando para dentro. Eu me sinto uma década mais velha do que a idade que tenho. Sei demais; tenho visto pessoas no seu pior estado, no seu momento mais desesperado e egoísta, e esse conhecimento me faz desconfiar de tudo. Então, estou aprendendo  a fingir, a sorrir e assentir, para mostrar uma empatia que não sinto. Estou aprendendo a deixar passar, para me parecer com todos os outros, mesmo que me sinta partida por dentro.
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