Resenha - Biofobia

Resenha feita pela Tay!
Título: Biofobia
Livro Único.
Autor: Santiago Nazarian
Editora: Record
Páginas: 240
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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SinopseApós o suicídio da mãe, uma conhecida escritora, André, um roqueiro decadente, vai passar alguns dias na casa de campo em que a mãe passou os últimos anos. O que deveria ser apenas um fim de semana entediante transforma-se em um pesadelo, quando a casa e a natureza circundante parecem se voltar contra André. Entre garrafas de vodca, restos de drogas, telefonemas para a ex-namorada, visitas passageiras de conhecidos, ele enfrenta os fantasmas de suas lembranças, encara a descrença no futuro e experimenta o medo do desconhecido que o cerca. Repleto do sarcasmo característico de Santiago Nazarian, Biofobia é um thriller eletrizante sobre o confronto entre homem e natureza.

A TramaCom a morte da mãe, André vai para sua casa de campo a fim de se despedir dos restos deixados por ela - livros, discos, quadros nas paredes... Logo parentes e amigos também chegariam para levar embora tudo o que quisessem. Conforme passa mais tempo naquela casa, ele vai se remoendo de coisas que deram errado em sua vida, de tudo o que ele tinha antes e perdeu, e ficar naquela casa, sozinho, cercado pela natureza que poderia ser tanto amiga quanto inimiga, faz com que as coisas pareçam cada vez mais com uma loucura que vamos desvendando aos poucos. Não me pareceu uma trama meticulosamente calculada, mas uma série de acontecimentos que resultou em algo até confuso, mas que pode surpreender. Corrigindo um pouco a sinopse, não acho que o livro seja um thriller eletrizante, porque ele é até lento e cansativo em alguns momentos, com todos aqueles devaneios do André, e não há um suspense na história.

O Protagonista: André é um roqueiro decadente de meia idade. Não faz mais sucesso e com isso as frustrações tomaram conta dele, fazendo-o se martirizar e ter vários devaneios ao longo da narrativa. Eu não senti nenhuma empatia pelo personagem, mas dependendo do leitor, ele pode ser interessante. E também não consegui me conformar com algumas "escolhas" que ele fez (não posso explicar direito, porque seria spoiler).

Personagens SecundáriosComo André fica isolado na casa da mãe, temos pouco dos personagens secundários. Conhecemos sua irmã, que já estava cansada dos dramas do irmão mais novo; seu amigo e a namorada dele, que dão uma passada por lá para ver se conseguiam levar algumas coisas de sua mãe; sua ex-namorada, que tenta de alguma forma ajudá-lo. Falar de mais sobre eles entregaria pontos da história, e eu não quero fazer isso. Mesmo que tenhamos poucos desses personagens, eles foram bem escritos, mas com histórias que nunca saberemos profundamente.

Capa, Diagramação e EscritaEu gostei dessa capa, principalmente pelo título parecer ter sido escrito com terra no tronco de uma árvore, isso ficou bem realista. A diagramação é bem simples, mas boa para ler. Eu achei meio estranha a escrita do autor, principalmente pela repetição de palavras e frases, para tentar dar um tom mais poético e "louco" à narrativa, montando de uma forma diferente as divergências de pensamentos (por exemplo: "André se levantou e contemplou o vazio. André se levantou e contemplou os excessos."). Mesmo que algumas partes possam ser chatinhas, a narrativa não é ruim.

ConcluindoChegando ao final, temos meio que uma reviravolta na história, e quando você pensa que entendeu o que aconteceu, tudo se torna confuso. O final foi bem aberto, e até agora não entendi direito o que houve, só que isso me deixou bastante confusa. É um daqueles livros onde cada leitor tira sua própria conclusão do final, então alguém pode compreender o desfecho melhor do que eu. Num todo, foi uma leitura diferente, mas que não me empolgou e não me conquistou.

Quotes
"A gente terminou há quase seis anos e você me trocou por um pagodeiro."
Isso era algo difícil de perdoar. Ela poderia tê-lo trocado por um cantor de metal melódico, por um produtor cultural, até por um advogado ou um publicitário, mas precisava ser por um pagodeiro? Fazia André questionar quanto ela fora realmente sincera com ele. Quanto gostava das bandas que ele apresentara, os filmes que apresentara, quanto expusera realmente nas conversas que tiveram. Como aquela mulher poderia tê-lo trocado por um pagodeiro?
"Eu não troquei você por ninguém. Eu o conheci depois. E ele não é pagodeiro."
"Não? Agora ele é o quê, sertanejo universitário?"
"É pop romântico. E você sabe muito bem."
"Pop romântico e pagode são a mesma coisa."
"Ah, tá bom, senhor junkie roqueiro que conhece tanto de samba."
"Pop romântico agora é samba?"
"Andy, não estou entendendo aonde você quer chegar com essa conversa."

(...) O mundo continua o mesmo quando você termina. (...)

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