Resenha - Nosferatu

Resenha feita pela Tay!
Título: Nosferatu
Título Original: NOS4A2
Livro Único.
Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 624
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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SinopseVictoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. 
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. 
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie. 
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. 
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

A TramaComeço dizendo que esse livro é viciante desde o início. Com uma trama empolgante e uma premissa original, o autor conseguiu me prender à história, me envolver com os personagens e torcer por eles. Ele me fez ter medo, sentir toda aquela tensão que certas partes necessitam e a apreensão era grande conforme eu ia lendo. Ele começa com duas histórias que parecem não ter nada a ver (Vic McQueen, uma garotinha de 8 anos que, ao atravessar uma ponte, consegue chegar em qualquer lugar que quiser; e Charlie Manx, um homem que vem roubando crianças de seus lares em seu Rolls-Royce Wraith 1938 desde muito tempo), e logo depois ele as conecta de um jeito incrível e que te deixa com mais vontade ainda de continuar lendo para ver onde aquilo tudo vai parar. O livro te empolga e te transporta para todo aquele mundo. Tudo bem, tem alguns momentos mornos e que podem desanimar um pouco, mas na maior parte do tempo, ele te puxa para dentro da história e faz com que você fique sem fôlego com os personagens. Desde o início da  leitura eu só tinha uma palavra em mente para esse livro: incrível!

A Protagonista: Acompanhamos o crescimento de Victoria McQueen no decorrer do livro, sendo que ela descobriu seu "dom" de atravessar a ponte em sua bicicleta quando tinha 8 anos, em 1986. Sempre que encontrava alguma coisa perdida, Vic inventava uma outra história de como tinha encontrado, e aos poucos ela mesma foi acreditando nessas histórias secundárias, pensando que era apenas sua imaginação de criança inventando toda aquela história da ponte. Ela passa por muitas coisas, como a separação dos pais, a marcação da mãe, principalmente em sua adolescência, e problemas que surgiram com tudo isso. Eu gostei da personagem por ela ter me parecido bem real, todas aquelas situações poderiam acontecer com qualquer um (exceto a ponte "mágica", claro). Sua determinação me convenceu e eu queria poder estar ao lado dela para ajudar, mesmo sabendo que não adiantaria de nada.

Personagens SecundáriosSão tantos, que nem sei por onde começar. Temos Charlie Manx, o antagonista da história, o homem de quem Vic tem que manter distância. Ele tem um "dom" parecido com o de Vic, sendo que o usou para construir a Terra do Natal, um lugar que existe apenas na sua cabeça, e ele apenas consegue chegar lá pelo seu Rolls-Royce. Lá, o ano todo é Natal e a infelicidade é proibida. Manx queria levar todas as crianças que julgava ter pais ruins para a Terra do Natal, para serem crianças para sempre e terem diversão eterna. O cara era odioso e realmente dava medo em certos momentos. O pior de tudo é que ele realmente acreditava que estava fazendo a coisa certa, algum tipo de bem. Adorei Maggie Leigh, uma garota que também tinha esse "dom", mas ela usava as Palavras Cruzadas. Dentre tantos outros personagens, eu adorei Lou (não sei se seria spoiler contar quem ele é, então deixo vocês descobrirem), mesmo com suas limitações, a determinação era maior. Wayne tentou ser forte o máximo que conseguiu, mas nem ele conseguia lutar contra o "dom" de Manx. Bing Partridge, que tudo o que mais queria na vida era ir para a Terra do Natal e faria qualquer coisa por isso. Enfim, são tantos personagens que eu gastaria parágrafos para falar de cada um.

Capa, Diagramação e EscritaEu adoro essa capa! E saber que ela combina com a história é melhor ainda. Ela tem esse tom envelhecido que dá um toque sombrio. Seria legal se tivessem mantido o título original (NOS4A2), que é a placa do carro de Manx e lê-se nosfouratwo (nosferatu). A diagramação está ótima para leitura, só encontrei alguns errinhos de revisão durante o livro, mas nada que atrapalhe. Também tem várias ilustrações no livro, uma até mesmo de uma lua muito sinistra, mas eu adorei cada uma! A escrita de Joe Hill me lembra muito a do pai dele (Stephen King *--*), mas claro que tem suas particularidades. Ela é fluida e gostosa de ler, e o mais importante de tudo: ela te prende. Tanto nas emoções dos personagens, quanto na história. Ele sabe passar isso muito bem e é o que nos faz apreciar ainda mais o trabalho dele. Dá para ver que ele não queria escrever qualquer história, ele queria escrever uma história que fizesse seu leitor se conectar com os personagens, torcer por eles ou odiá-los. E ele consegue isso com maestria e uma narrativa envolvente, que nos deixa roendo as unhas para o capítulo seguinte.

ConcluindoSegundo livro do Joe Hill que eu amo! A trama é eletrizante e empolgante, te fazendo não querer largar o livro um segundo sequer (a não ser quando cai naquelas partes meio mornas que eu falei). Se você gosta de histórias de horror, esse livro está recomendadíssimo! Ele veio para mim com um ingresso para a Terra do Natal, que com certeza nunca será usado, haha. Nem morta quero ir para aquele lugar!

Quotes:
(...) Chris McQueen era sinistro. Outros pais construíam coisas; o seu explodia e ia embora de Harley fumando o cigarro que havia usado para acender o pavio. Inigualável.


(...) O Natal já passara fazia praticamente três meses e havia algo desagradável no fato de ouvir canções natalinas quase no verão. Era como ver um palhaço debaixo da chuva, com a maquiagem escorrendo.

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