Resenha - A Cabeça do Santo

Resenha feita pela
Título: A Cabeça do Santo
Livro Único.

1 - Névoa
2 - Gelo (2014
Autor: Socorro Acioli
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 168
Ano: 2014
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Sinopse: Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará. Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor. Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele irá descobrir a verdade sobre o desaparecimento do pai e se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo. Já consagrada por seus livros infantojuvenis, a escritora Socorro Acioli apresenta este seu primeiro romance dirigido ao público adulto, desenvolvido na oficina Como Contar um Conto, promovida por Gabriel García Márquez em Cuba.

A Trama: A Cabeça do Santo conta os acontecimentos da vida de Samuel depois de perder sua mãe, Mariinha, que era sua única família conhecida. Antes de morrer, Mariinha faz alguns pedidos ao filho: pede que ele acenda uma vela para o Padre Cícero, ali mesmo em Juazeiro do Norte; outra aos pés da estátua de São Francisco de Canindé; e mais uma aos pés da estátua de Santo Antônio. Outro pedido foi que Samuel procurasse sua avó paterna e seu pai - pelo qual Samuel nutre um enorme ódio, por tê-lo abandonado e a sua mãe sem justificativas. Para obedecer sua amada mãe, Samuel então parte de Juazeiro do Norte a caminho de Candeia para procurar por Niceia e Manuel do Vale. Depois de sofrer passando fome e sede dezesseis dias embaixo do sol quente, Samuel encontra sua vó, que o recebe mal e o enxota. Para não ficar na rua a noite na chuva, ele entra na primeira gruta que encontra, descobrindo no dia seguinte se tratar da cabeça de um santo, cujo corpo está fixado no alto de um morro. Acontece que o santo sem cabeça faz parte de uma história sobre uma maldição que ronda a cidade, e os poucos moradores que vivem em Candeia nem querem saber do lugar em que ele se localiza. Porém, Samuel, que percebe que só ele consegue ouvir vozes de mulheres que ainda rezam a santo Antônio, resolve se aproveitar da situação e agir como um mensageiro do santo para realizar o desejo dessas mulheres. O santo, que numa hora era uma maldição, na outra volta a ser idolatrado e Samuel passou a ser uma celebridade procurada até por pessoas de outras cidades que ouviam falar de seus feitos. Porém, nem todos ficaram satisfeitos com o rumo e o crescimento que a cidade estava tomando com a chegada de Samuel, e seus dias em Candeia passam a ser contados.
O livro mostra bem como algumas pessoas podem ser crédulas, mas sem zombar de nenhuma fé ou religião. O ponto foi realmente mostrar tudo o que aquela cidadezinha pequena escondia, segredos de moradores, o poder dos poderosos políticos e a inocência do povo. Pensei que fosse encarar uma leitura mais complicada por ser meu primeiro contato com esse tema, mas tive prazer de ler uma história fácil e bem cadenciada.

O Protagonista: Samuel cresceu muito próximo sua mãe, e a perder foi um baque muito grande em sua vida. Embora ele tenha decidido obedecer a seus últimos pedidos, Samuel não acredita nos santos e a única coisa que tem vontade de fazer com o pai caso um dia o encontre, é matá-lo. Quando ele percebe que dar dicas às mulheres de acordo com suas rezas pode se tornar um negócio lucrativo, faz uma sociedade com os amigos que conheceu em Candeia e passa a cobrar para atender as moças, loucas para arranjarem casamento, inventando que as ordens que ele mesmo dava a elas, eram passadas pelo santo. Apesar da esperteza, Samuel é um cara simples e sincero. Ele não queria estar naquele lugar, fazendo aquilo, mas o luto pelo qual passava não lhe deu outra escolha a não ser seguir o que estava predestinado a fazer.

Personagens Secundários: Francisco é o primeiro amigo que Samuel faz em Candeia, e eles se conheceram quando o menino entrou escondido na cabeça do santo onde Samuel dormia. Samuel a principio aproveita o fato do jovem estar ali ser segredo, para chantageá-lo em troca de mantimentos, mas os dois passam a conversar cada dia a mais e se tornam grandes amigos. Francisco apresenta Samuel as demais pessoas da cidade e todos acabam tendo importantes papéis durante a trama.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é "aparentemente" simples, mas até que eu gostei desse amarelão. Eu disse "aparentemente" porque na realidade essa capa amarela é uma jacket, e a capa de verdade do livro mostra uma paisagem de um lugar árido, com cactos e terra seca, que dá calor só de olhar. Os capítulos são curtos e a escrita é muito fluida, do tipo que você começa e termina de ler no mesmo dia. Nunca li nenhum livro desses autores clássicos brasileiros que escreviam sobre o sertão e sobre o nordeste, mas acredito que o estilo que a Socorro usou nesse livro seja parecido com o deles.

Concluindo: Mesmo a trama não sendo super empolgante, ela acaba despertando a curiosidade para saber no que vai dar essa confusão na qual o Samuel se meteu. A leitura vale muito a pena para quem gosta de literatura nacional e desses "causos" de cidade pequena.
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