Resenha - Coração de Pedra

Resenha feita pela Tay!
Título: Coração de Pedra

Título Original: Stoneheart
Série: Coração de Pedra
1- Coração de Pedra
2- Mão de Ferro (2014)
3- Silvertongue (2009 UK)
Autor: Charlie Fletcher
Editora: Geração
Páginas: 464
Ano: 2007
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Submarino // Americanas


Sinopse
O romance ''Coração de Pedra'', do inglês Charlie Fletcher, publicado pela Geração-Ediouro, conta a fascinante história de uma guerra entre estátuas mitológicas e estátuas de seres humanos em Londres. O início de tudo foi um soco de um adolescente, George Chapman, decepando a cabeça de um dragão de pedra do pórtico do Museu de História Natural. Ele é perseguido por um Pterodáctilo, réptil de dentes afiados e pontudos, que se soltou da fachada do museu e o olhava fixamente com ódio e fome. George é salvo pela estátua do Artilheiro do Memorial de Guerra. Somente o jovem enxerga as estátuas em movimento. Para reparar o estrago que aprontou, ele tem de colocar a cabeça do dragão no Coração de Pedra, mas George não sabe onde encontrá-la. Na busca, conta com a ajuda de Edie, uma menina bem decidida. Com linguagem ágil e fácil, a história tem ritmo eletrizante, mas ao mesmo tempo diverte.

A TramaGeorge leva uma advertência do professor no passeio da turma ao Museu de História Natural por algo que ele não cometeu. Quando recebe como castigo ficar numa sala do museu até o fim da excursão, ele decide contrariar tudo o que o professor disse e sai do museu sem dar explicações a ninguém. No meio de sua raiva, ele acaba dando um soco na cabeça de um dragão de pedra do pórtico do museu. Ao invés de machucar a mão, o que acontece deixa George atordoado: ele decepa a cabeça da estátua. E é a partir daí que sua vida vira de cabeça pra baixo, começando com ele sendo perseguido pela estátua do Pterodáctilo. Em pouco tempo, George descobre que há uma Londres completamente diferente vivendo em uma outra "camada" da sua, onde estátuas ganham vida e ele pode ter acabado de começar uma guerra entre Estigmas (estátuas de animais e etc) e cuspidos (estátuas que imitam o ser humano), sendo que os primeiros são os malvados e os segundos os bonzinhos. Agora o garoto tem de correr para salvar sua vida e voltar para sua Londres normal, e para isso vai contar com a ajuda de Edie (uma fagulha) e o Artilheiro (uma estátua). Eu gostei da trama, apesar de eu ter esperado uma tipo de história mais pesada, não um infanto-juvenil que muitas vezes me lembrou Percy Jackson. O livro conseguiu me prender nos momentos de ação, mas em alguns outros eu me dispersei da narrativa, o que prova que ela não conseguiu me prender tanto assim. De qualquer forma, a história é bem bacana e diferente do que já vimos por aí.

O Protagonista: George é um garoto de 12 anos e conforme vamos lendo, percebemos que em alguns momentos ele parece um menino de 12 anos e em outros parece ser bem mais velho, e não estou falando de que ele teve que amadurecer com o tempo por tudo o que estava acontecendo e tudo o mais, porque o livro se passa em 24h e, mesmo com tudo aquilo, era impossível ele ficar tão fodão assim de uma hora pra outra. Ele fez algumas coisas que me irritaram bastante, mas num geral ele foi "ok" como protagonista.

Personagens Secundários: Edie é uma fagulha, ou seja, quando toca em alguma estátua, ela é capaz de ver o passado dela, mas esse é um processo muito doloroso e já lhe causou marcas na alma. Ela sim, com seus 12 anos, tem motivos para ter amadurecido mais rápido, já que passou a morar nas ruas e com certeza já viu muita coisa para deixar assustada qualquer criancinha. Ela me irritou em alguns momentos também, mas em outros eu gostei bastante dela, principalmente por ser mal compreendida por ser fagulha (as estátuas tentam se manter o mais longe possível dela). Gostei bastante do Artilheiro, ele faz aquele papel de adulto legal que ajuda as crianças no livro e não tem como não gostar dele, principalmente por tudo o que fez para proteger George e Edie. Conforme vamos lendo, conhecemos outras estátuas também e outros tipos de personagens importantes para a trama, como o Corvo, por exemplo, que é bem sinistro. Uma personagem que achei mal elaborada foi a mãe do George. Como assim a mulher sai no meio do dia para fazer um teste para um filme lá em Madrid e nem se preocupa com o filho? Achei isso bem forçado, apenas uma desculpa mal feita para o George poder ficar fora de casa o dia todo sem ninguém se importar.

Capa, Diagramação e EscritaEu não acho a capa lá essas coisas, mas ela combina com a história e isso é importante. A parte da gárgula tem uma textura áspera bem bacana.A diagramação é simples, com tamanho de fonte muito bom, só achei alguns erros de revisão ao longo da leitura. O livro é narrado em terceira pessoa, e quando estamos acompanhando George ou Edie, a narrativa fica bem infanto-juvenil mesmo, e quando temos o ponto de vista de outros personagens, ela muda um pouco, apesar de não ser muito. Não é a melhor narrativa do mundo, mas também não é ruim, mesmo eu esperando que o autor faça melhor na continuação, porque se dispersar na leitura não é uma coisa legal.

Concluindo: É um livro bom de se ler e de acompanhar a aventura dos personagens. O final me deixou curiosa pela continuação, apesar de eu não estar morrendo para lê-la. Achei a ideia das estátuas que ganham vida e só determinado tipo de pessoa poder vê-las muito legal e toda essa coisa da guerra entre elas também, mas o livro não foge de clichês do gênero. Se quiserem apenas uma história com aventura para passar o tempo, recomendo a leitura.

Quotes:
Dizem que nunca se está mais sozinho do que no meio de uma multidão, mas estar sozinho no meio de uma multidão, enquanto se é perseguido por uma coisa monstruosa sem que ninguém perceba, é muito pior.


A cabeça do Dragão encolheu, fazendo seu corpo formar um "S". A crista estreita se expandiu e as escamas no seu pescoço se eriçaram com o que quer que estivesse se inchando dentro dele. George uma vez vira um filme com um lagarto encrespado esticando seu pescoço em fúria. Este aqui parecia a versão mais adulta e típica do fim do mundo.


- (...) Gente que usa máscara tem sempre algo a esconder.


- Às vezes tudo o que se pode fazer é tentar. Mas enquanto se tenta, não se desiste, e isso é a metade do caminho.


Classificação: