Resenha - Mundo Novo

Resenha feita pela Tay!
Título: Mundo Novo

Título Original: The Young World
Série: Mundo Novo
1- Mundo Novo
2- Sem título (2015 US)
3- Sem título
Autor: Chris Weitz
Editora: Seguinte
Páginas: 328
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Submarino // Americanas


Sinopse
Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos. Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes. Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.

A Trama: O mundo foi assolado por uma Doença que matou todos os adultos e as crianças. Os adolescentes foram os únicos sobreviventes e agora eles se dividem em tribos para pode sobreviver. Só que a Doença continua agindo, então sempre que uma pessoa completa 18 anos, ela morre. Ninguém sabe como tudo isso aconteceu, mas todos sentem falta do Antes e tentam se adaptar da melhor forma possível ao mundo novo. Há destruição por toda parte e todos sabem que, conforme o tempo passa, os suprimentos ficam mais escassos e a animosidade com outras tribos apenas faz a sobrevivência ser mais difícil, já que eles tentam se matar para ter controle sobre o que resta da população. Jefferson e Donna fazem parte da tribo da Washington Square, e a vida lá está parcialmente boa. Não há muitos suprimentos, mas eles conseguem se virar com o que conseguiram e com as buscas que fazem de vez enquanto. Geradores os ajudam a tentar "se manter" no Antes, fornecendo energia para iPhones e coisas assim. Depois que a tribo da Uptown faz uma visita nada amigável a eles e o irmão de Jefferson, Wash, morre com a doença, o desespero começa e ninguém tem uma perspectiva de futuro - até porque não há futuro. Mas Crânio se lembra de uma reportagem que leu uma vez em uma revista de ciências e acha que a resposta para a cura pode estar lá. Uma nova busca por essa revista começa, mas eles não contaram a possibilidade de nunca mais retornarem. Mundo Novo pode ser apenas "mais um livro de 'fim do mundo' onde pessoas precisam sobreviver na cidade em ruínas", mas não há como negar que é emocionante acompanhar aqueles personagens lutando por sua sobrevivência e para alcançar a cura para a humanidade. Várias coisas contidas no enredo são típicas de livros desse tipo, como os suprimentos se tornando escassos, os humanos sobreviventes que só querem matar uns aos outros e coisas assim, mas conforme você lê, o autor consegue te envolver com aquele clichê e fazer você torcer muito pelos personagens.

Os ProtagonistasJefferson não queria se tornar o "líder", mas depois da morte de seu irmão, pareceu a única coisa a fazer. Às vezes eu achava ele meio idiota, mas algumas características dele provaram que era certo ele estar à frente do grupo, como seu dom para conversa fazer todos ficarem interessados no que ele tinha a dizer e desistir de matá-los.
Eu adorei Donna! No início, seu mimimi sobre o Antes pode ser cansativo e até irritante, mas é compreensível, já que todos ali perderam seus pais e entes queridos. Ela não era um garotinha indefesa e gostei muito disso, pois ela poderia fazer as escolhas por si própria, mesmo que tenha escolhido seguir Jeff. 

Personagens SecundáriosPeter foi meu favorito, sem sombra de dúvida. E eu adorei que o autor não usou o esteriótipo de menino gay para criá-lo e sim fez dele um personagem bem humorado e até mesmo fodão. Crânio é super calado, mas como seu apelido diz, ele é o "crânio" do grupo, sempre entendendo tudo antes mesmo que qualquer outro possa considerar a hipótese. Seus pais eram cientistas e ele pegou muitas dessas coisas para si, além de ser ele que "descobre" onde a cura pode estar. Minifu também era bem legal e boa de briga, apesar de não terem focado muito nela. 

Capa, Diagramação e Escrita: Eu gosto das ilustrações da capa, a maioria combina com os personagens do livro (só achei que aquela menina de cabelo curto, que acho que deveria representar Donna, não se parecem em nada com a personagem) e os desenhos continuam na orelha da capa e na contracapa, então temos mais personagens retratados. Só não gosto da cor que usaram na capa (em mãos, o livro é um laranja fluorescente que ficou meio estranho) e de como tá o nome do autor. O título ficou legal, mas o preto do nome do autor deu um contraste estranho com o resto. A diagramação está bem simples, mas boa para ler. Como temos dois personagens narrando em primeira pessoa (Jeff e Donna), os capítulos de cada um tem fontes diferentes. Eu gostei da escrita do Chris, ele soube narrar bem a história e os pontos de vista dos dois personagens não ficaram confusos. 

ConcluindoO final me deixou bem ansiosa pela continuação, porque terminou em uma parte muito "WTF??" (de um jeito legal). Se esse livro não tivesse sequência, eu com certeza ficaria muito "p" da vida, mas agora só resta o segundo volume ser lançado ano que vem (em julho ainda, dá pra acreditar nisso? E nos EUA!). Eu adoro livros com esses temas de distopia, apocalipse, fim do mundo e etc., então mesmo com os clichês, eu gostei bastante de Mundo Novo e recomendo para quem também gosta de histórias assim. 

Quotes:
(...) quando você está com fome, pensa com o estômago. Tipo, seu estômago realmente pensa. Ouvi dizer que o estômago tem tantos receptores de serotonina quanto o cérebro. Então somos como aqueles dinossauros com dois cérebros. Somos como os dinossauros de outras maneiras também. Vamos ser extintos, por exemplo.


(...) Eu vi o futuro, e ele é bacon.


Crânio (gênio do crime)
Donna (garota poderosa ligeiramente desequilibrada)
Peter (gay cristão viciado em adrenalina)
E eu (rei filósofo nerd)
Não é exatamente a Sociedade do Anel, mas não é tão ruim assim, (...).


O problema com tudo isso, o lance da princesa e o lance do jedi, é que - e eu tenho que falar sem rodeios - eles são ficcionais. Não existem. Na vida real, não há bruxas más, nem mentores sábios, nem fadas madrinhas, nem impérios do mal. Tudo são tons de cinza.
Argh, não posso acreditar que uma expressão tão útil  foi sequestrada por aqueles livros idiotas.


Eu já matei antes. Mas não tão de perto. A intimidade é doentia.


(...) Quando você sai por aí agindo todo heroico e tentando mexer com o status quo, o status quo responde chutando o seu saco.

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