Resenha - Mansfield Park


Resenha feita pela
Título: Mansfield Park
Título Original: Mansfield Park
Livro Único.
Autora: Jane Austen
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 606
Ano: 2014 (Originalmente 1814)
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Sinopse: Na literatura, esperamos que o herói seja vigoroso, tenha um espírito aventureiro, audácia, bravura, capacidade de superação e uma pitada de imprudência. Ele deve ser ativo, enfrentar obstáculos e afirmar a própria energia. Fanny Price, a heroína de Mansfield Park, é o oposto de tudo isso. Frágil, tímida, insegura e excessivamente vulnerável, a pequena Fanny deixa a casa dos pais pobres para morar com os tios mais afortunados em Mansfield Park. Lá, convive com diversos familiares, mas se aproxima apenas do primo Edmund, seu companheiro inseparável. A tranquilidade de casa, no entanto, é abalada com a chegada dos irmãos Mary e Henry Crawford em uma propriedade vizinha. Edmund se apaixona por ela, enquanto Henry flerta com todas as moças. Mansfield Park é o romance que marca a maturidade de Jane Austen. Apresenta um tom mais contido, sardônico, em comparação com obras idealizadas antes, como Orgulho e preconceito e Razão e sensibilidade. Aqui, mais consciente dos verdadeiros males e sofrimentos inerentes à vida em sociedade, uma das maiores autoras da língua inglesa enaltece, na figura de Fanny, a imobilidade, a solidez, a permanência e a resignação.

A Trama:  O mais bacana de ler um clássico de Jane Austen é que é como se você estivesse lendo um livro de época como esses atuais, sem as cenas quentes de romance, que porém foi escrito na mesma época em que a trama se passa. Esse livro traz como assunto principalmente as tradições familiares da sociedade inglesa do século XIX, os deveres de cada irmão na família, na qual a ordem de nascença define o que o filho deve seguir; e da valorização dos dotes e casamentos.

A Protagonista: Fanny não é dessas protagonistas fortes, expressivas, ousadas, mas surpreendentemente isso não faz dela uma personagem chata ou entediante. A obediência e inteligência da moça que foi criada deixada de lado, sempre à sombra das primas e servindo as tias, acaba sendo favorável à ela e eu gostei muito do jeito dela.

Personagens Secundários: Apesar dela não fazer nada de tão malvado, não consigo achar um nome melhor para chamar a Sra Norris do que bruxa. Dela foi a ideia de levar Fanny para Mansfield Park e seu cunhado, dono da mansão, aceitou acreditando que a Sra Norris o ajudaria nas despesas, mas ficou tudo por conta dele. Ela vive se fazendo de vítima sem motivo e se mete livremente na vida e na casa da irmã, do cunhado, e dos sobrinhos, querendo dar uma de boa samaritana quando na realidade não é bem assim. A Lady Bertram é uma lesma. Por ser fraca fisicamente, tem que passar o dia todo sentada sem se esforçar, mas parece que o conformismo subiu para a cabeça e ela pouco opina nas atitudes dos filhos, só diz o que pensa quando indagada pelo marido, mas quando está sem ele sucumbe aos caprichos da irmã e aceita tudo o que as pessoas ao seu redor fazem. Não gostei dos irmãos Crawford desde a primeira cena em que eles apareceram, só digo isso. Edmund Bertram foi bem bobinho em alguns momentos, mas dá pra compreender o personagem e acabei com um sentimento indefinido sobre ele.

Capa, Diagramação e Escrita: Acho linda essa capa. O único contra dessa edição é a falta de orelhas, no mais, ela é muito boa. Não há o que falar da escrita de Jane Austen, exceto que a mulher realmente tinha o dom. Nesse livro ela criou uma história mais madura que em Orgulho e Preconceito, mas o seu estilo continua o mesmo na obra, e ainda nos permite conhecer um pouco mais da autora.

Concluindo: O romance te deixa curioso do princípio ao fim para saber o que acontecerá e qual será o futuro de Fanny. Pode não ser o melhor livro da Jane Austen, mas Mansfield Park tem seu valor. Mesmo tendo me deixado desejando mais detalhes sobre um acontecimento do final, fiquei conformada com o desfecho do livro.

Quotes:
[...] Ah, escreva, escreva. Acabe com isso de uma vez. Acabe com essa agonia. Decida-se, entregue-se, condene-se.
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