Resenha - A Menina Que Tinha Dons

Resenha feita pela Tay!
Título: A Menina Que Tinha Dons
Título Original: The Girl With All The Gifts
Livro Único.
Autor: M. R. Carey
Editora: Fábrica231 (Rocco)
Páginas: 384
Ano: 2014
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SinopseCultuado autor de quadrinhos e roteiros da Marvel e da DC Comics, entre eles algumas das mais elogiadas histórias de X-Men e O Quarteto Fantástico, o britânico M. R. Carey apresenta uma trama original e emocionante em sua estreia como romancista com A menina que tinha dons, lançamento do selo Fábrica231. Aclamado pela crítica, o livro se tornou um bestseller imediato na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos ao contar a história de Melanie, uma menina superdotada que faz parte de um grupo de crianças portadoras de um vírus que se espalhou pela Terra e que são a única esperança de reverter os efeitos dessa terrível praga sobre a humanidade. Uma comovente história sobre amor, perda e companheirismo encenada num futuro distópico.

A Trama: Numa Inglaterra pós-apocalíptica, o mundo foi tomado por um vírus que deu origem aos famintos, um tipo de zumbi. Na base em que a Dra. Caldwell opera para tentar descobrir a origem desse vírus e, possivelmente, uma cura, há soldados e professores. Os primeiros para protegerem o lugar dos famintos e dos lixeiros (humanos que se recusaram a se juntar a um grupo de sobrevivência e decidiram sobreviver por conta própria no mundo colonizado por zumbis). Já os professores estão ali para cuidarem do aprendizado de crianças muito especiais, observar seus avanços e o quanto seus cérebros conseguem reter informações e torná-los inteligentes. Melanie é uma desses crianças e a mais especial de todas. Todos acreditam que elas são a fonte de uma cura para o vírus, mas os estudos da Dra. Caldwell começa a assustar Melanie. E quando a base é atacada por lixeiros (munidos de famintos), tudo pode estar perdido.
Eu tinha lido em algum lugar que o livro teria zumbis, mas eu não imaginava a forma como seriam introduzidos na história. E eu achei incrível! Acredito que o autor construiu o foco da trama de uma forma bem original, mesmo que as cenas de sobrevivência na estrada já seja meio batidas (eu não me importo, porque adoro esse tipo de história). Uma das coisas que eu também adorei na história, é que o autor não se contentou em simplesmente fazer seus personagens sobreviverem a um apocalipse zumbi sem nenhum tipo de resposta. Tem toda uma trama biológica que vai se desenrolando ao longo do livro, explicando como o vírus se desenvolve, porque e os motivos.

Os Personagens: Me surpreendi em como Melanie era esperta, mesmo em sua condição. Ela conseguia fazer o grupo levantar questões que nem tinham imaginado e, inclusive, fazê-los enxergá-la de uma forma diferente. Achei bem legal a forma como o autor a desenvolveu - assim como as outras crianças. A Srta. Justineau era a professora das crianças e a favorita de Melanie, que inclusive desenvolveu uma certa paixão pela professora e tudo o que ela mais queria era protegê-la. Ela fez algumas coisas bem burras ao longo do livro, mas ainda assim eu gostei dela. Parks era o sargento da base, um cara que gosta de mandar e ver todos obedecê-lo. Não fui com a cara dele por boa parte do livro, principalmente por ele sempre achar que os outros eram incapazes e sempre duvidar deles, mas no desenrolar da trama ele foi mostrando seu lado mais humano e eu gostei desse desenvolvimento. A Dra. Caldwell foi outra que me irritou muito, mas eu entendia sua sede de conhecimento e sua vontade de descobrir a cura. Gallagher era um soldado, mas parecia que ele não conseguia pensar por si mesmo (e quando ele fez, foi para ter uma atitude bem idiota). Não foi um personagem que se destacou, então não tive sentimentos muito fortes por ele ao longo do livro.

Capa, Diagramação e Escrita: Eu acho meio estranha a pose da silhueta daquela menina, mas a capa funciona para o livro, então não tenho do que reclamar. Gosto de como está o título e o amarelo da capa. A diagramação é bem simples, mas ótima para ler. Eu não sei exatamente o que dizer sobre a escrita do autor, só sei que ele conseguiu me prender e, muitas vezes, sentir aquele desespero que os personagens sentiam. O livro é narrado em terceira pessoa pelos pontos de vistas dos cinco personagens, e acredito que se ele tivesse se focado em apenas um personagem, a história teria ficado incompleta, então ponto positivo pra ele! E também da forma como ele narrou, fez tudo parecer tão real. Ele realmente conseguiu me puxar para aquele mundo devastado. 

Concluindo: Eu gostei muito do livro e acredito que todos aqueles que também gostam de histórias de zumbis vão gostar, principalmente por ter uma trama diferenciada. E o livro não trata apenas de zumbis. Ele fala sobre acreditar e confiar uns nos outro, sobre o amor que pode fazer uma pessoa criar um instinto tão grande de proteção por outra. Eu achei fascinante a forma como o livro foi escrito e todo o desenvolvimento das descobertas biológicas e dos personagens. E o final também foi muito bom, algo que eu nem tinha imaginado. Depois de sair de uma leitura bem mediana, A Menina Que Tinha Dons me surpreendeu e me fez ficar desejando que o livro tivesse uma continuação, não porque faltou algo para ser explicado aqui, mas porque eu adoraria ler mais sobre esse mundo pós-apocalíptico.


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