Resenha - A Coisa

Resenha feita pela Tay!
Título: A Coisa
Título Original: It
Livro Único.
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 1104
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
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Finalmente venci a Coisa! \o/


SinopseNesse romance o mestre do terror nos leva de volta ao tempo em que acreditávamos mais em nossa imaginação, em nossos sonhos e também em nossos pesadelos...Junho de 1958. Derry, pacata cidadezinha do Maine. Início das férias de verão. Para Bill, Richie, Eddie, Stan, Beverly, Mike e Ben, sete adolescentes que, pouco a pouco, se tornam amigos inseparáveis, este será um verão inesquecível. Um tempo em que vão descobrir o doce sabor da amizade, do amor, da união. época em que vão provar o gosto amargo da perda, do medo, da dor. Este será um ano inesquecível. Terrivelmente inesquecível. O ano em que vão conhecer a Coisa, a força estranha e maligna que vem deixando um rastro de sangue na calma Derry. O ser sobrenatural que apresenta um apetite especial por inocentes crianças.
Maio de 1985. O tempo passou deixando suas marcas em cada um deles. Já não são mais crianças. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir novamente suas forças. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. Apenas eles podem vencer o poder maléfico da Coisa.

A Trama: Um ano depois da morte do seu irmão mais novo e de vários assassinatos de crianças, Bill Denbrough percebe que pode não ser apenas um assassino lá fora, mas sim um monstro. E, logo, esse monstro prova sua existência. Mas não apenas para ele. Logo, ele descobre que Richie, Ben, Eddie, Beverly, Mike e Stan também tiveram contato com a Coisa. Agora, eles estão determinados a matá-la. Já no ano de 1985, os mesmos protagonistas, agora mais velhos, vivem suas vidas fora de Derry, Maine. E o mais incrível é que eles não conseguem se lembrar de nada de sua infância. Mas, após a ligação de Mike, anunciando que a Coisa pode ter voltado depois de 27 anos, todos se vêem, pouco a pouco, relembrando os fatos assustadores e traumatizantes daquele verão de 1958. 
Se não tivesse tanta enrolação na narrativa, eu consideraria A Coisa um livro sensacional. O terror é pesado e consegue nos amedrontar, tanto pela Coisa, quanto pelo inimigo dos garotos de carne e osso, Henry Bowers. O autor enrola muito para chegar na trama principal, principalmente contando sobre ocorridos do passado. Alguns foram importantes para tornar a história mais completa e complexa, porém o resultado de 1104 páginas é meio cansativo. Mas isso não faz a história ser menos incrível do que ela é. Quando chegamos, finalmente, à trama principal, o livro traz uma emoção atrás da outra e tudo o que acontece é incrível e emocionante. 

Os Protagonistas: Temos sete protagonistas, mas senti que dois deles não foram tão importantes assim. Claro que eles têm sua parte na história e no grupo, mas senti que eles foram os menos envolvidos numa amizade dos outros cinco. Esses dois são Stan e Mike. Embora Mike narre algumas partes do livro como um diário que ele está escrevendo, no grupo mesmo ele foi menos ativo que os outros. Stan também não me passou a sensação de protagonista, mas ele tem suas partes importantes na história. Bill Denbrough sempre foi o líder do grupo, não que eles o tivessem escolhido, mas sempre sentiram isso, principalmente por ser Bill que perdeu o irmão para a Coisa no ano anterior. E ele tinha mesmo um espírito de liderança e uma sede de vingança incrível para uma criança de 11 anos. Beverly Marsh era a única menina do grupo e uma das minhas personagens favoritas. Ela não se importava de estar no meio de meninos e não aceitava quando eles queriam deixá-la de fora de uma situação que consideravam perigosa, apenas por ser garota. Ben sempre sofreu por ser gordo, e quando conheceu Bill e Eddie, se sentiu incluso em um círculo de amizade, sem ser julgado por sua aparência. Também gostei bastante dele, principalmente depois de perder a insegurança que sempre o acompanhou. Eddie sempre foi considerado o mais frágil dos sete, principalmente por ter asma e ser suscetível a acidentes porém conseguiu provar que conseguiria enfrentar a Coisa e ir contra as regras de sua rígida mãe. Richie Tozier foi outro personagem que eu gostei muito. Com sua boca grande e um senso de humor peculiar, Richie sempre conseguia colocar um sorriso no rosto dos amigos, mesmo que não conseguisse calar a boca nos momentos inoportunos. Num todo, eu gostei bastante de todos os protagonistas, mas esses cinco foram os que mais se destacaram e os que eu mais me importei ao longo do livro.

Personagens SecundáriosO autor consegue inserir incontáveis personagens secundários na sua história, mas os principais são: Henry Bowers, o garoto que gostava de fazer bullying com os meninos mais fracos. Henry é realmente odiável, chegou num ponto da história que até eu sentia medo dele e sua personalidade só vai piorando com o passar das páginas. Seus fiéis escudeiros, Victor Criss e Arroto Huggins, no início não são piores do que ele, mas depois não passam de paus mandados e suas maldades estão bem longe de se comparar com as de Henry. Temos também, claro, a Coisa. Ela consegue assumir a forma de qualquer coisa que a pessoa tenha medo para assombrá-la e é, aparentemente, imortal. Não sei como Stephen King conseguiu criar um monstro tão cruel, aterrorizante e desprezível, mas ele foi muito bem sucedido com isso, pois ela consegue meter medo mesmo, daquele tipo que você fica com medo de andar no escuro. Eu, que já não gostava de palhaços, gosto ainda menos depois desse livro.

Capa, Diagramação e Escrita: Eu gosto da capa, apesar dela ser bem simples. Os olhos do palhaço conseguem me dar medo. A diagramação é simples, mas ótima para ler, e encontrei poucos erros de revisão ao longo da leitura. Eu gosto muito da escrita do Stephen King. Ele consegue ter seu próprio jeito de escrever, com suas particularidades, eu até acredito que se estivesse lendo um pequeno texto sem ter o nome do autor e fosse dele, eu saberia que foi ele quem escreveu. Eu adoro o jeito que ele constrói e narra as cenas, além de conseguir inserir o leitor naquele ambiente e fazê-lo ter os mesmos sentimentos dos personagens. Houve um momento em que eu estava tão presa na leitura, que até me assustei quando minha mãe chegou perto de mim (eu nem tinha visto ela se aproximando). Mas também notei alguns pontos ruins. Ele enrolou muito até chegar a trama principal, contando histórias que antecederam os ocorridos, descrevendo, em certa parte da história, como o ambiente estava numa determinada cena. Mesmo que a escrita dele seja bem fluida, nessa enrolação toda a história me cansou um pouco, tanto que, vocês sabem, demorei eras para terminar o livro. Acredito que algumas centenas de páginas a menos não fariam diferença nenhuma na história.

Concluindo: Como já disse milhares de vezes, o livro é incrível, mas precisa de muita paciência para ser lido. Tenho certeza que todas essas páginas desanimam muita gente de começar a ler, principalmente depois de saber que é meio enrolado. Mas, mesmo nessa enrolação, a escrita do autor é fluida. Eu apenas demorei uma eternidade para terminá-lo, porque ficava com preguiça de gastar muito tempo com ele, tempo que eu poderia estar lendo outros livros incríveis. Mas eu me determinei esse início de ano e finalmente consegui terminá-lo! Sim, vale a pena para quem curte o gênero e o autor, mas você precisa estar determinado a lê-lo assim que pegá-lo, senão ficará preso eternamente nas garras da Coisa.

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