Lançamentos de Junho #3



Vamos ignorar que eu esqueci do post de lançamentos de domingo e conferir o que vem de bom por aí. Hoje temos lançamentos do Grupo Editorial Pensamento, da Agir e da Companhia das Letras. Gostei de Hugo & Rose, Do Que é Feita Uma Garota e O Gigante Enterrado.

A Odisseia de Tibor Lobato - Gustavo Rosseb - Jangada
Depois de perder os pais num terrível incêndio no acampamento cigano onde moravam e passar dois anos num orfanato, Tibor Lobato e sua irmã Sátir são encontrados pela avó e vão morar no seu sítio. Ali fazem amizade com Rurique, um garoto conhecedor das lendas e histórias de assombração do lugar.
Durante a quaresma, coisas muito estranhas começam a acontecer na região e seres fantásticos do folclore - como a Mula Sem Cabeça, o Boitatá e a Cuca -, ganham vida e começam a assombrar os habitantes dos Sete Vilarejos. Os três começam a correr perigo quando descobrem segredos que ligam a família dos irmãos a esses seres fantásticos e a um lendário Oitavo Vilarejo. A partir daí inicia-se uma odisseia cheia de magia, que levará os três amigos a reconhecerem e valorizarem virtudes como lealdade, coragem, esperança e amizade.

Se a humanidade achava que conhecia suas origens, chegou a hora de repensar tudo, porque todas as crenças estão prestes a ser questionadas...
A pesquisadora científica Evelyn Edwards e sua equipe descobrem um corpo de 40 mil anos enterrado sob a calota polar da Antártida. Mas, quando começam a extrair o corpo do gelo, o sonho se transforma em um horrível pesadelo quando todos são marcados para a morte por alguém que quer manter enterrado esse segredo. Evelyn mal consegue escapar com vida. Ela pede ajuda a seu ex-marido Matt Adams, antigo membro de uma unidade de elite do governo.
Logo eles se veem envolvidos em uma corrida alucinante contra o tempo, que os leva ao Grande Colisor de Hádrons, em Genebra, enquanto tentam desvendar a maior conspiração de todos os tempos, antes que seja tarde demais para a espécie humana.

Casa Versace conta como Gianni Versace, ao lado de sua irmã Donatella, juntou seu enorme talento a uma ambição extraordinária para criar quase sozinho este império da moda. A jornalista Deborah Ball apresenta a história vista de dentro, baseada em entrevistas com membros da família Versace; com parceiros e rivais de Gianni; modelos internacionais e ícones da indústria da moda.

Gianni Versace estava no auge quando foi assassinado em Miami, fato que ocupou as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo e a caçada ao assassino virou uma obsessão da mídia. Ball relata vividamente os esforços de Donatella ao assumir o controle da Versace e tentar se colocar à altura da genialidade de Gianni, se livrar das drogas, suas disputas com seu irmão Santo e o mistério de por que Gianni deixou o controle de sua empresa para sua sobrinha, Allegra.

Entre Deuses e Heróis traz os mais importantes mitos e lendas condensados a partir de suas fontes primárias. As histórias escolhidas para este livro não estão adaptadas e nem entremeadas pela interpretação que o autor faz delas. O livro apresenta as histórias de maneira acessível e agradável, preservando a dramaticidade, a ironia e as paixões (pathos) dos originais. Esta é uma obra voltada a um público amplo e satisfaz uma necessidade real, poupando tempo ao leitor interessado, que vai tomar conhecimento de toda a gama de lendas e mitos clássicos gregos e romanos de um modo eficiente e prazeroso.



Rose é uma dona de casa como outra qualquer — exceto em seus sonhos. Desde criança ela sonha com a mesma ilha e o mesmo amigo imaginário: um menino corajoso e divertido chamado Hugo. Esses sonhos são tão incríveis que, mesmo depois de adulta e casada, ela usa as maravilhosas aventuras noturnas de Hugo e Rose para acalentar seus filhos na hora de dormir. Todas as noites Rose escapa da monotonia de sua vida cotidiana para se tornar uma versão melhor de si mesma. Até que um dia Rose esbarra com Hugo na vida real. De repente nada mais parece igual. Eis um homem que realmente a conhece, que cresceu com ela. mesmo que nenhum dos dois seja exatamente como nos sonhos do outro. O encontro acidental faz com que a cabeça de Rose seja tomada por uma cascada de dúvidas, mentiras e uma obsessão perigosa que ameaça destruir tudo o que Rose construiu na vida real. Apesar de tentada a abandonar tudo para tentar entender essa conexão extraordinária, Rose se pergunta se Hugo é na vida real o mesmo homem que em seus sonhos. Ou será que no fim esses eventos extraordinários vão acabar ajudando Rose a desvendar quem ela realmente quer ser? Sobre o autor: Bridget Foley sempre amou contar histórias. Por isso tornou-se roteirista de cinema. Seus filmes são constantemente premiados pela indústria cinematográfica e alcançam grande sucesso de público e crítica. Este é o seu primeiro romance.

Pela primeira vez em livro, textos que apresentam o talento de um de nossos maiores cronistas Polivalente por excelência, Paulo Mendes Campos espraiou seus textos — crônicas, aforismos, poemas, pequenos textos de observação social — em jornais e revistas durante décadas. Todos com a impressão digital de um grande autor: a graça delicada, a prosa leve e fluente, a cultura compartilhada sem pose. Reunidos pela pesquisadora Elvia Bezerra, os 53 textos desta edição permaneceram inéditos em livro até agora. Embora possam ser classificados como crônicas, os escritos variam da forma “clássica” ao aforismo, criando um mosaico delicioso e instrutivo sobre o Brasil e os brasileiros. Completo, o conjunto é um convite à diversão e ao encantamento pela palavra escrita.  

Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade se conheceram em 1924, durante viagem do paulista a Minas Gerais. Mário já era uma figura de proa do movimento modernista, ao passo que o mineiro ainda não havia estreado em livro. A correspondência entre os dois poetas tomaria corpo pelos vinte anos seguintes, até as vésperas da morte de Mário, em 1945.

As cartas, reunidas pelo próprio Drummond, são o testemunho luminoso de uma amizade entre dois autores fundamentais do Brasil. Entre conversas sobre a natureza da poesia, o dia a dia mais prosaico e comentários sobre o que é ser artista no Brasil, os dois poetas travam, com afeto e inteligência, uma conversa que ilumina e emociona.

Um espetacular romance de estreia que é tão comovente, sujo, terno, engraçado — tão Miranda July — que seus leitores ficarão arrebatados Cheryl é uma mulher reclusa e vulnerável. Ela é obcecada por Phillip, um sujeito galanteador e membro do conselho da empresa em que trabalha — uma organização que treina mulheres para autodefesa. Cheryl acredita que eles já fizeram amor em muitas vidas — mas ainda precisam consumar o ato nesta encarnação. Quando seus chefes pedem a ela que hospede brevemente Clee, a filha do casal, uma garota egoísta e cruel de 21 anos, seu mundo vira de cabeça para baixo. Mas é ela que traz Cheryl para a realidade e se torna o amor de sua vida. Lírico, engraçado, cheio de obsessões sexuais e amor maternal, este romance confirma Miranda July como uma voz espetacularmente original da cultura contemporânea.

O primeiro relato feito de dentro de Guantánamo retrata o clima de terror e paranoia que ameaça a democracia contemporânea Desde 2002, Mohamedou Slahi está preso no campo de detenção da Baía de Guantánamo, em Cuba. No entanto os Estados Unidos nunca o acusaram formalmente de um crime. Um juiz federal ordenou sua libertação em março de 2010, mas o governo americano resistiu à decisão e não há perspectiva de libertá-lo. Três anos depois de sua prisão, Slahi deu início a um diário em que conta sua vida antes de desaparecer sob a custódia americana, o processo interminável de interrogatório e seu cotidiano como prisioneiro em Guantánamo. Seu diário não é apenas um registro vívido de um erro da Justiça, mas um livro de memórias denso, multifacetado, aterrorizante, sombrio e autoirônico.

A leveza e graciosidade do texto que nos convida a um passeio – poético e instrutivo – pela História do Brasil De Cabral aos protestos de junho de 2013, do Marechal Deodoro à Tropicália, de Getúlio Vargas ao Golpe de 1964: os mais variados aspectos e capítulos da vida brasileira são capturados com leveza pela poesia de Rodolfo Guttilla. Seu livro é uma jornada lírica e graciosa por nossa história. Leitores de todas as idades irão se cativar por essa mistura muito bem-feita de poesia e comentário social. Tomando de empréstimo como título a famosa frase de Macunaíma, de Mário de Andrade, o livro de Guttilla tem como principais inspirações a obra do autor modernista e os poemas de José Paulo Paes (1926-1998), que tratava de assuntos brasileiros com uma graça que influencia os autores mais jovens até hoje.

Último a se incorporar ao pelotão de rapazes comandado pelo primeiro-sargento Antonio René, o cabo Roberto Ietri tem apenas vinte anos quando é enviado à Guerra do Afeganistão.
O momento de adentrar o território inimigo será também aquele em que cada soldado terá de acertar as contas com o que deixou em suspenso na Itália. Ao voltar, terão ultrapassado irreversivelmente a linha que separa a juventude da vida adulta.
Delineando com precisão os contornos das guerras contemporâneas, sem deixar de lado os conflitos familiares, afetivos e os intermináveis conflitos que travamos contra nós mesmos, o romance visceral de Paolo Giordano nos faz lembrar do que é ser humano.

A autora de Infiel clama por uma reforma na religião islâmica neste livro polêmico e corajoso que oferece uma resposta a um dos problemas mais graves dos nossos dias Ayaan Hirsi Ali, autora do best-seller Infiel, faz neste livro um apelo poderoso por uma reforma do islamismo, como único modo de acabar com o terrorismo, as guerras sectárias e a repressão contra mulheres e outras minorias. Desafiando com coragem os jihadistas, ela identifica as cinco mudanças que precisam ser feitas na religião islâmica para que muçulmanos abandonem os dogmas que os prendem ao século VII. Segundo Ali, “o islã não é uma religião de paz”; o Ocidente deve apoiar os reformistas muçulmanos e não tolerar os extremistas. Concluído logo depois do ataque ao Charlie Hebdo e num momento em que milhares de pessoas ainda são mortas em nome de Alá, este livro oferece uma resposta a um dos mais graves problemas do mundo hoje.

Ambientado na Irlanda, este romance apresenta a formidável Nora Webster. Viúva aos quarenta anos, com quatro filhos e pouco dinheiro, Nora perdeu o amor de sua vida, Maurice, o homem que a resgatou do mundo acanhado em que foi criada. E agora ela teme ser arrastada de volta para esse universo. Ferida, determinada, inclinada à discrição numa comunidade onde todos querem saber da vida de todos, Nora afunda na própria dor e fecha os olhos ao sofrimento dos filhos. Mas ainda assim ela tem momentos de impressionante empatia e bondade, e quando volta a cantar, depois de décadas, encontra um consolo, uma causa, um porto-seguro – ela mesma. Nora Webster é uma obra-prima de construção de personagem e ponto máximo na obra de um escritor no auge da carreira.

Nova edição ampliada com todas as canções que Vinicius compôs — sozinho ou com seus “parceirinhos”, como dizia o poeta.
Vinicius de Moraes é uma das pedras de toque da moderna canção brasileira. Moderna sim, pois as letras que produziu (sozinho ou com parceiros como Antonio Carlos Jobim, Edu Lobo e Chico Buarque) ainda hoje são exemplares em seu frescor, sua calculada simplicidade, sua sincera e lírica exposição dos afetos. Um dos renovadores da nossa música com a Bossa Nova, o poeta foi além dos rótulos, deixando um legado musical rico, variado e — hoje — clássico.
Esta nova edição do Livro de letras reúne a totalidade de canções compostas por Vinicius, entre peças individuais e parcerias. Um elenco inesquecível de canções, conhecidas hoje no Brasil e no mundo: “Garota de Ipanema”, “Canto de Ossanha”, “Água de beber” e “A tonga da mironga do kabuletê”, entre dezenas de outras. De quebra, duas letras que anteriormente não tinham sido publicadas, fruto da parceria do poeta com os compositores Francis Hime e Edu Lobo.
Completa o volume o ensaio de Paulo da Costa e Silva, encomendado especialmente para esta edição, com uma análise detida e esclarecedora da canção em Vinicius de Moraes, além de textos de Eucanaã Ferraz (curador da coleção), José Castello (sobre o percurso do Vinicius letrista) e uma divertida crônica do autor português Alexandre O’Neill sobre um concerto de Vinicius e Baden a alegrar uma noitada e espantar o cinza em plena Lisboa salazarista.

“Recuerde”, diz a placa imperativa em espanhol, enquanto o retrovisor do automóvel mostra o que já ficou no passado. “Eu tenho uma coleção de esquecimentos/ e apenas duas mãos pra ver o mundo”, lamenta o “super-homem submisso” que não alcança o ritmo dos acontecimentos. Resta observar coisas mínimas como uma formiga ou imensas como o universo e seus astros.
O tempo e o espaço, a insignificância e a morte são os principais temas deste volume de inéditos de Arnaldo Antunes, que oscilam entre o humor e a desilusão. Alternando poemas em verso e visuais, fotografias e “prosinhas”, a obra é marcada pela pluralidade, pelo registro pop e pela sonoridade, tão próprios ao artista, que assina também o projeto gráfico. Um diálogo sensível e desafiante com o homem contemporâneo.

Imagine a voz de Sylvia Plath em Grease, com trilha de My Bloody Valentine e Velvet Underground. Um romance de formação hilário, sobre como é difícil se tornar alguém “Wolverhampton, em 1990, parece uma cidade a que algo terrível aconteceu.” Talvez tenha acontecido de fato. Talvez seja Margaret Thatcher, talvez seja a vergonha que Johanna Morrigan passou num programa da TV local aos catorze anos. Nossa protagonista decide então se reinventar como Dolly Wilde — heroína gótica, loquaz e Aventureira do Sexo, que salvará a família da pobreza com sua literatura. Aos 16 anos, ela está fumando, bebendo, trabalhando para um fanzine de música, escrevendo cartas pornográficas para rock stars, transando com todo tipo de homem e ganhando por cada palavra que escreve para destruir uma banda. Mas e se Johanna tiver feito Dolly com as peças erradas? Será que uma caixa de discos e uma parede de pôsteres bastam para se fazer uma garota?

Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova - será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une?
Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, "O gigante enterrado" fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.

James Salter, um dos maiores autores da literatura americana atual, retorna ao romance depois de 35 anos Tudo que é explora o curso de uma vida num mundo em transformação. Depois de participar da Segunda Guerra Mundial como soldado no Japão, Philip Bowman retorna aos Estados Unidos para recomeçar a vida. Pelas décadas seguintes, acompanhamos sua carreira, seu casamento e divórcio. Novas relações amorosas aparecem — a mais significativa delas marcada por uma traição que Bowman vinga de forma particularmente cruel. Este não é um livro de grandes mistérios ou acontecimentos marcantes. É uma história sobre as pequenas coisas da vida — o teste para qualquer grande escritor. Depois de 35 anos sem publicar um romance, Salter mostra por que é considerado um dos maiores nomes da literatura americana atual.