Resenha - 100 Dias de Felicidade

Resenha feita pela Luh!
Título: 100 Dia de Felicidade
Título Original: Cento giorni di felicità
Livro Único.
Ano: 2014
Autor: Fausto Brizzi
Editora: Suma de Letras
Páginas: 312
Saiba mais: Skoob
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Entrou para os meus favoritos.


Sinopse: O que você faria se tivesse exatamente 100 dias de vida?
“Não tenho nenhum feito ou mérito para ser lembrado na posteridade. Para justificar uma placa de mármore em um edifício. Uma placa diante da qual alguém passe e diga: ‘Vou ver rapidinho na Wikipédia quem era esse Battistini!’ Ainda assim, tenho uma mulher e dois filhos que amo, amigos maravilhosos, um time de garotos que dariam a vida por mim. Cometi alguns erros, farei outros ainda, mas também participei da festa. Eu também estava lá. Em um canto, talvez; eu não era o aniversariante, mas estava lá. A única tristeza foi ter que descobrir que vou morrer para começar a viver.”
Esta é a história de Lucio Battistini, apaixonado pelo time de polo aquático que treina e pela família: a mulher e os dois filhos pequenos. É a história de como ele viveu os últimos 100 dias de vida com o “amigo Fritz”. E de como, contra todas as probabilidades, aqueles foram os melhores dias de toda a sua vida.

A Trama: O livro é genial, simples assim. Em uma linguagem divertida, em que o narrador conversa com o leitor e até dá sugestões, Lucio explica um pouquinho sobre sua vida e em seguida narra seus 100 últimos dias na Terra, após descobrir um tumor maligno em estágio avançado.
Não vou dizer que o livro é alegre, porque não é. Porém o narrador é extremamente honesto, sabe aceitar as derrotas da vida com naturalidade e faz com que pequenos momentos se tornem grandes vitórias, especialmente quando está com seus filhos. 100 Dias de Felicidade me fez rir e chorar, me deixou com raiva, mas principalmente, me fez refletir bastante. É totalmente diferente de livros "sick-lit", aqueles em que protagonistas adolescentes estão prestes a morrer, pois Lucio já é um homem de quase 40 anos, com filhos e uma perspectiva completamente diferente da vida.

O Protagonista: Lucio é um idiota às vezes. Traiu a mulher descaradamente, não passa tanto tempo com os filhos quanto deveria e toma algumas decisões egoístas. Entretanto, é um homem apaixonado por seu time de polo aquático, por sua família e por seus amigos. É possível ver a lenta transformação do protagonista em uma pessoa bem diferente, e adorei como foi sutil.

Os Personagens SecundáriosMeu personagem predileto acabou sendo um bem imprevisível: o sogro. Oscar, sogro de Lucio, é um homem magnífico que aos poucos demonstra seu afeto pela família e uma vontade de viver que daria inveja nos jovens. Paola também era magnífica, uma mulher de caráter, e os filhos de Lucio, Eva e Lorenzo, são definitivamente crianças especiais, ainda mais vistos pelos olhos do pai.

Capa, Diagramação e Escrita: Apesar de simples, essa capa combina perfeitamente com a trama, a rosquinha assassina e tudo. A diagramação está ótima, com capítulos bem curtos falando sobre cada dia de Lucio, mas encontrei alguns errinhos de revisão.
A escrita de Fausto é algo que eu não esperava. No início achei estranho um narrador que conversa com o leitor, porém é como se ele realmente estivesse contando sua história, o que adorei. Além disso, suspeito que Fausto tenha feito uma pesquisa profunda, pois o livro pareceu realmente ter sido escrito por alguém que passou por aquela situação. A única parte que não gostei tanto foi a mania do protagonista de relatar quem foi o inventor de todas as coisas imagináveis que surgiam na trama, o que ficou um pouco repetitivo.

Concluindo:  Leiam. Sei que não é um livro para todos, por ser um pouco reflexivo e nem sempre alegre, porém é lindo demais, daqueles livros que acrescentam alguma coisa na vida do leitor. Não é perfeito, porém continua sendo brilhante.

Quotes:
Era um domingo inútil e tropical, não aconteceu nada de muito relevante. Isso sem contar o fato de que, às 13h27, eu respirei fundo e morri.

Havia anos que não sonhava com meus pais. Eles me fazem muita falta. E os odeio profundamente. Eu antecipei a você que falaria deles só quando estivesse a fim. Hoje estou a fim. Assim você também vai odiá-los depois.


Amo as peças da escola, mas nunca tive a sorte de viver uma como ator principal. Como disse a você, eu era gorducho e meu papel natural era o amigo simpático do protagonista. Uma vez eu sofri a humilhação máxima num espetáculo de Natal: me fizeram ser o boi.


Classificação: