Resenha - Memória da Água

Resenha feita pela Luh!
Título: Memória da Água
Título Original: Teemestarin kirja
Livro Único.
Autor: Emmi Itäranta
Ano: 2015
Páginas: 320
Saiba mais: Skoob
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Bem diferente do que eu esperava

Sinopse: Num futuro distante, depois de muitas guerras, a Europa foi dominada pela China, e o bem mais precioso dos tempos antigos se tornou tão escasso quanto a liberdade. A água passou a ser controlada e distribuída em cotas pelos militares. Noria é filha de um mestre do chá, uma profissão muito antiga que tem conhecimento sobre a localização das nascentes de água. Ela está sendo treinada para substituir o pai, e dentre todos os ensinamentos, ele revela à filha seu maior segredo: uma fonte natural escondida que fornece água para a família. Desamparada em um mundo destruído, ela começa a questionar o significado de tamanho privilégio. Guardar esse segredo é negar ajuda ao restante de população, e ajudá-los é colocar em risco a própria vida: os militares punem severamente quem for descoberto desfrutando de alguma fonte ilegal de água. Como o pai a ensinou, é preciso ter sabedoria para compreender o verdadeiro poder da água. Mas Noria também aprendeu que a sabedoria representa, acima de tudo, o poder de decidir seu próprio destino, a escolha entre lutar e se entregar.

A Trama: Memória da Água é um livro difícil de encaixar em esteriótipos. A trama se passa em um futuro distópico em que a humanidade destruiu a maioria dos recursos naturais, especialmente a água potável, e  agora depende da água marinha dessalinizada para sobreviver. Noria, sendo a filha de um mestre do chá que "possui" uma fonte ilegal de água potável, talvez a única que resta no mundo, compreende os riscos e a importância de sua vida.
O meu problema com o livro foi que, apesar da premissa ser muito interessante, tive a sensação de que nada aconteceu do início ao fim. A "trama" foi uma repetição tão monótona de cerimônias do chá e dúvidas existenciais que nem o risco iminente de ser descoberta ou os perigos do dia-a-dia no mundo criado pela autora foram suficientes para tornar a trama envolvente. Porém, eu estava disposta a aceitar a belíssima escrita da autora e ficar feliz, até que cheguei nas últimas 20 páginas e certos acontecimentos me deixaram com vontade de jogar o livro na parede.

A Protagonista: Noria é uma garota bem jovem que vive em uma cidade pequena e está treinando para ser a próxima mestre do chá em sua casa, seguindo os passos do pai. O livro tem alguns elementos meio mágicos e os mestres do chá parecem sentir a "sombra da morte" ou a fluidez da água, coisas que Noria vai descobrindo aos poucos. A protagonista amadurece conforme o andamento da trama, porém não o suficiente para que deixe de ser uma menina, e senti que sua inexperiência foi a chave para a maioria de seus problemas.

Os Personagens Secundários: Os únicos personagens que achei memoráveis são os pais da protagonista. Sua mãe, uma cientista apaixonada por pesquisa e conhecimento, não parece em nada com o pai, um homem de tradições e sabedoria, porém é um pouco daquela sensação de "os opostos se atraem". Os outros personagens não foram muito bem explorados, de modo que apareciam na trama só quando necessário.

Capa, Diagramação e Escrita: Agora posso deixar muitos elogios. A capa é maravilhosa, combinando perfeitamente com a sensação que o livro passa, além de ter uma diagramação belíssima. A escrita da autora foi o que me fez persistir até o final sem me esforçar. Emmi tem uma escrita poética e belíssima que nunca vi igual. Para quem souber apreciar descrições e o ambiente, esse livro é um prato cheio e não vai decepcionar.

Concluindo: De maneira alguma o livro é ruim, porém foi um pouco lento e descritivo demais para mim, que estou acostumada com ação e distopias com tramas turbulentas. Como eu disse lá no início, é difícil descrever esse livro ou tentar encaixá-lo em gêneros, porém para o público certo, com leitores mais pacientes, pode ser um sucesso.

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