Resenha - Morte de Tinta

Resenha feita pela Tay!
Título: Morte de Tinta
Título Original: Tintentod
Série: Mundo de Tinta
1- Coração de Tinta (2006)
2- Sangue de Tinta (2009)
3- Morte de Tinta 
Autor: Cornelia Funke
Editora: Seguinte
Páginas: 576
Ano: 2010
Saiba mais: Skoob
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Essa resenha não contém spoilers dos livros anteriores.

SinopseMundo de Tinta é um universo onde ficção e realidade se confundem e também o nome da trilogia iniciada com o best-seller Coração de tinta, seguida de Sangue de tinta e que chega agora ao fim com Morte de tinta. Nesse universo, um “língua encantada” é alguém que, ao ler uma história em voz alta, tem o poder de trazer o mundo dos livros para a realidade, assim como viajar ele mesmo, e levar quem estiver por perto, para o mundo fantástico da palavra escrita. É o que aconteceu com Mo, um encadernador de livros, e sua família, quando um dia, ao ler em voz alta seu livro favorito - Coração de tinta -, ele manda a mulher para o mundo da ficção, trazendo em seu lugar alguns vilões da trama.Mo e sua filha Meggie acabaram transitando entre essa fronteira; viveram um bocado de aventuras nessas viagens e conheceram milhares de personagens incríveis - muitos deles malvados até a alma. Desta vez, com a ajuda de Dedo Empoeirado, Farid, Resa e Violante, Mo enfrenta o mais terrível de todos os vilões, o Cabeça de Víbora, numa batalha final, de vida ou morte.
Mas, antes dela, personagens já conhecidos dos livros anteriores vivem suas aventuras. Fenoglio, o autor de Coração de tinta, tem que combater Orfeu, plagiador que se utiliza de passagens de seu livro para reescrever e manipular a história. Meggie, ao se apaixonar por Farid, se depara com as alegrias e decepções do primeiro amor. Resa, mãe de Meggie, traz em seu ventre um novo herdeiro. E Mortimer, nosso herói, que no Mundo de tinta assume a personalidade do Gaio, espécie de Robin Hood, tem que lutar contra o próprio personagem que interpreta, já que pouco a pouco começa a se confundir com ele e a se esquecer de quem é no mundo real.

A TramaNesse último volume, acompanharemos as consequências do que acontece em Sangue de Tinta, o desenrolar de algumas tramas tensas e mudanças nos personagens, principalmente em Mo. Esse livro foi uma verdadeira montanha russa para mim. Ao mesmo tempo em que eu adorava estar naquele mundo mágico, senti que a autora enrolou muito para tentar fazer um livro tão grande quanto os outros dois. Chegou um certo ponto em que eu não conseguia nem ler direito, lia dois ou três capítulos e já estava cansada. Quanto ao final, ao mesmo tempo em que gostei, eu não gostei. Esperava algo um pouco diferente e um desfecho mais mortal para um certo personagem, confesso que fiquei com um pouco de raiva por ele ter conseguido escapar.

Os Protagonistas: Mo está bem diferente do homem que conhecemos em Coração de Tinta, vemos essa transição acontecendo em Sangue de Tinta e, nesse volume, ele aceita desempenhar o papel que Fenoglio o designou. Eu não consegui acreditar muito que ele estava mesmo tomando algumas das decisões que acaba tomando, porque elas meio que o descaracterizam. Eu sei que a autora queria nos transmitir essa sensação de dupla identidade, mas, no meu ponto de vista, ela poderia ter feito algo mais crível para eu poder aceitar que Mo estava agindo daquela forma e com aqueles ideais. De qualquer forma, ele continua sendo um personagem que gosto muito, apesar da forma como foi feita essa transição de personalidade, em um certo ponto do livro eu adorei que agora ele conseguisse agir daquela forma, o que o tornou um homem forte, capaz de viver no Mundo de Tinta.
Já Meggie ficou um pouco apagada, sem tanta importância como teve nos outros livros, apenas esperando e querendo seus pais de volta, além dos conflitos amorosos. Senti falta da autora dar mais poder a ela, mais ação, preferindo que outros personagens decidissem o rumo de certas coisas ao invés de colocar algumas decisões em suas mãos, mesmo que precisasse agir sozinha, porque Meggie já provou muitas vezes que é capaz de lutar com as próprias mãos por aqueles que ama.

Os Personagens SecundáriosJá disse que não gosto de Farid e minha opinião não mudou nesse volume. Ele é egoísta e um pouco possessivo e várias das suas atitudes... Não, não consigo gostar dele. Já Doria, um personagem que conhecemos nesse livro, conseguiu ganhar minha simpatia de primeira e passou a ser meu ship para Meggie, hahaha. Resa tem mais destaque nesse livro. Mesmo agindo muitas vezes por impulso, ela provou que também consegue lutar sozinha por quem ama. Orfeu conseguiu ser ainda mais perverso e odioso, foram incontáveis as vezes que eu desejei que alguém mandasse ele logo para as Damas Brancas.

Capa, Diagramação e Escrita: Eu adoro as capas dessa série, então não tenho muito mais a acrescentar ao que já disse nas outras resenhas. A diagramação é muito bonita, com ilustrações da autora nos finais de capítulos e citações de outros livros nos inícios. A escrita da Cornelia é mágica e imersiva, mesmo que esse livro tenha sido um pouco fugidio para mim, já que, infelizmente, ela enrolou bastante em alguns momentos e isso me fez ficar um pouco entediada. Mas isso não muda o fato de que a escrita dela é incrível e que eu leria até a lista de supermercado dessa mulher.

ConcluindoExiste ainda um e-book de contos para ler e vi uma notícia de que a Cornelia está trabalhando em um possível quarto volume (o que seria até bom, devido a forma como terminou). O final da trilogia foi mágico e bonito, embora eu esperasse algo um pouco diferente dos destinos de alguns personagens, mas, novamente, esse é um dos pontos positivos de mais um possível livro. Eu recomendo muito a trilogia Mundo de Tinta se você gosta de fantasia e livros que falam sobre livros.

Quotes:

(...) Desde quando permitiam que crianças brincassem de soldado? Desde sempre, ele mesmo se respondeu. Eles são os melhores soldados, porque ainda se consideram imortais.

(...) Afinal, era exatamente isso o que as pessoas procuravam nos livros: grandes sentimentos nunca vividos, dor que, se se tornasse muito forte, era possível deixar para trás apenas fechando o livro. Morte e destruição que pareciam deliciosamente verdadeiras se alguém as evocava com as palavras certas, e que se podia provar e abandonar entre as páginas sem perigo algum.


(...) Quanta escuridão uma criança podia suportar até que essa escuridão se tornasse para sempre parte dela?

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