Resenha - Outro Dia

Resenha feita pela Tay!
Título: Outro Dia

Título Original: Another Day
Série: Todo Dia
1- Todo Dia (2013)
2- Outro Dia
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Páginas: 322
Ano: 2016
Saiba mais: Skoob
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Sinopse
Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.

A TramaO livro conta a mesma história de Todo Dia, mas pelo ponto de vista de Rhiannon. Os únicos momentos "repetidos" na história são quando ela e A estão juntos (juntas?), mas todo o resto é inédito, digamos assim. Como já tem quase um ano que eu li o primeiro livro, eu não me lembrava de detalhes da história, então foi bem empolgante ver a perspectiva de Rhiannon sobre tudo. Mas acredito que se você tiver acabado de ler Todo Dia ou o tenha lido a pouco tempo, Outro Dia pode não ser tão empolgante assim, então recomendo que espere passar um tempinho antes de pegá-lo para ler, a não ser que você seja o tipo de pessoa que não ficaria entendiada em ler as cenas repetidas, mesmo sabendo como tudo acontece. No final, temos um capítulo contando um pouco além de onde termina Todo Dia e a última frase nos dá esperanças de que o autor, finalmente, lance uma continuação da história.

A Protagonista: Eu gostei muito de acompanhar a história pelos olhos de Rhiannon, mais ainda que pela perspectiva de A. Conhecemos seus medos e receios, sua personalidade que ficou escondida por sempre andar na sombra do namorado. Admito que era irritante ver o quanto ela se diminuía para "não irritar o Justin" e "deixar tudo bem", mas acompanhamos sua mudança ao longo do livro e é muito satisfatório vê-la se valorizar, mesmo que o medo pelo incerto ainda ronde um pouco. Também gostei muito de acompanhar seus dilemas em relação a A, todos os seus debates internos sobre o que era certo e errado eram bem reais, até porque aquela situação colocava à prova tudo o que ela sabia sobre si mesma, suas crenças e ideais. Eu sei que A não tem uma vida nada fácil, mas acompanhar Rhiannon, na minha opinião, foi mais complexo, desafiador e emocionante.

Personagens Secundários: Primeiro temos A, claro. Como ele aparece no livro nas mesmas situações que em Todo Dia, não tinha muito o que mudar a respeito dele, então se você leu o primeiro livro, sabe bem como ele é. Mas foi bem bacana ver e acompanhar o ponto de vista de Rhiannon sobre sua condição. Justin é o namorado da protagonista e um babaca, era impressionante o quanto ela tentava diminuir a gravidade das coisas que ele fazia para ele "não desistir dela", mesmo os amigos tentando convencê-la do quão otário ele era. Mas é aquela coisa: quem está em um relacionamento abusivo não tem a mesma perspectiva de quem está de fora. Adorei Rebecca, melhor amiga de Rhiannon. Dava para ver que ela realmente se importava com a amiga, mesmo quando Rhiannon ignorava todos os seus concelhos em relação a Justin, ela sempre estaria ali para apoiá-la. Também gostei bastante de Preston e Ben, apesar deles não aparecerem tanto assim.


Capa, Diagramação e EscritaEu adoro a imagem da capa, mas odeio esses círculos! Teria ficado tão mais bonito se tivessem deixado só a imagem. De todo modo, gosto muito da ideia da capa, que casa com a de Todo Dia: as pessoas "flutuando" representam A, que todo dia está em um corpo diferente; e a garota no chão é Rhiannon, que continua sempre a mesma. A diagramação é bem simples, mas boa para ler. Eu adoro a escrita do David, e ele conseguiu colocar tanto sentimento nesse livro que várias vezes meus olhos ficaram cheios de lágrimas - no final eu não aguentei e chorei mesmo. Acho incrível a forma como ele consegue passar tantas mensagens bonitas nos seus livros sem parecer forçado, e várias acabam sendo guardadas naquela caixinha nos nossos coração dedicadas a citações inspiradoras.

Concluindo: A mensagem do livro é tão bonita que dá vontade de chorar só de pensar que há pessoas tão maravilhosas quanto o autor no mundo (sim, eu tenho vontade de chorar por qualquer coisa que me emocione, hahaha). Recomendo ambos os livros para todo mundo, mas você pode ler esse sem ter lido o outro sem problemas, só terá alguns spoilers do final, que é mais emocionante ler pela primeira vez em Todo Dia.

Quotes

Me dói o fato de eu poder estar tão cheia dele enquanto ele está tão vazio de mim.

- (...) eu sei que, bem lá no fundo, sou tudo para ele.
(...)
- Bem lá no fundo? (...) Você não deveria ter que ir tão fundo para ser amada.


Não, isso não faz sentido.
Mas o que faz? Passei a tarde inteira perguntando isso a mim mesma. Será que faz sentido Preston ser considerado O Gay quando nenhum de nós é visto como O Hétero? Será que faz sentido o pai de Stephanie ter surtado quando ela (brevemente) namorou Aaron porque Aaron é negro? Será que faz sentido Justin e eu sermos capazes de ficar tão próximos quanto humanamente possível, e ainda não conseguirmos imaginar alguma coisa para dizer um ao outro quando nos separamos e caminhamos pelos corredores da escola? Será que faz sentido que o Sr. Myers passe a vida ensinando o ciclo gestacional de um sapo para adolescentes que, em sua maioria, não estão nem aí pra isso?
Será que faz sentido que algumas pessoas tenham tudo que querem porque são bonitas? Será que seríamos pessoas mais legais - ou, ao menos, um pouco mais humildes - se tivéssemos que trocar de corpo todos os dias?


Quando pensamos estar em busca da morte, quase sempre estamos, na verdade, em busca do amor.


As palavras são uma parte do problema. O fato de existirem palavras diferentes para ele e ela, dele e dela. Eu nunca tinha pensado nisso antes, em como isso é segregatório. Talvez se houvesse um único pronome para todos nós, não ficaríamos tão presos a essa diferença.


Eu me flagro olhando nos olhos das pessoas mais do que já fiz algum dia na vida. E me dou conta que é aí que deixamos de ser um gênero ou cor. Basta olhar bem no fundo dos olhos.

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