Resenha - O Cemitério

Resenha feita pela Lary!
Título: O Cemitério
Livro único.
Autor:
Editora: Suma de Letras
Páginas: 424
Ano: 2013
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Meu Deus... O que foi isso? 

Sinopse: Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar naquela pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um "simitério" no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.

A Trama: Louis consegue um emprego estável em uma universidade na região leste do Maine; Responsável pelo centro médico da cidade universitária, muda com toda a sua família, composta por sua esposa Rachel, a filha mais velha Eileen e o caçula Cage. Se instalam em uma linda casa em estilo colonial da nova Inglaterra, que fica em frente a uma estrada na cidadezinha de Ludlow. Louis acaba por fazer amizade com o senhor da casa em frente, um interiorano de 83 anos chamado Jud Cranddal, casado com Norma, uma cálida senhora com artrite. Tudo está indo relativamente bem e todos já parecem adaptados, quando o querido gato de Ellie é atropelado por um caminhão de Orinco na estrada em frente a casa enquanto a esposa de Louis e as crianças fazem uma visita aos avós em Chicago. Por mais estranho que possa parecer o filme "O Cemitério Maldito" era um dos meus preferidos na infância, assistia continuamente por volta dos 6 a 10 anos (não me pergunte porque, e sim eu era uma criança estranha, tinha medo de Jurassic Park, mas gostava dos filmes de King, vai entender...), por isso estava muito ansiosa para ler o livro, e nossa... Não me decepcionei.

O Protagonista: Louis não é uma personagem cativante, mas foi muito tranquilo acompanhar a história ao lado dele... Orgulhoso, prático e reticente é notável suas mudanças no decorrer do livro, e de certa forma ele representa uma metáfora de "normalidade". Pai dedicado, e homem apaixonado pela esposa, tenta lidar com a nova situação e integrar a família, ao mesmo tempo em que tenta conhecer os traumas antigos da esposa e mmanejar a curiosidade e opiniões recém formadas da filha de 6 anos. Vê no vizinho, Jud uma figura paterna e desenvolve muito carinho por ele.

Personagens Secundários: Rachel é uma esposa primorosa, dedicada aos filhos e ao lar, trabalhou somente para ajudar o marido a concluir a faculdade. Perdeu uma irmã quando ainda era pequena e se recusa a falar disso, mostrando vários sinais de trauma em relação a situações relacionadas a morte. Ellie é novinha, acho que entre 5 e 8 anos - não me lembro. Alegre e muito mimada, gosta de atenção e não vive sem o seu gato Winston Churchill (carinhosamente Church). Cage é uma fofura de 2 anos - dava vontade de morder, mas tinha nojo quando ele esfregava o café da manha na cabeça. Jud era aquele típico senhor com muita história pra contar; Um coração enorme e muita sabedoria, não aparenta em nada ter mais de 80 anos, é muito lúcido e ágil. Todos os personagens de King são esplendorosamente constituídos, apesar de não ter me identificado com nenhum, todos são dignos de admiração.
 
Capa, Diagramação e Escrita: Não gostei da capa quando o livro chegou, mas passei a aceitá-la e apreciá-la durante a leitura. A diagramação é muito simples e amei as citações no início dos capítulos. A escrita é fluida e claro notei a maior reclamação dos leitores de King - Ele realmente descreve demais as coisas, e se arrasta em situações relativamente dispensáveis, mas isso não me incomodou nesse caso em especial (mas também não li nenhum outro livro dele)

Concluindo: Eu tive na verdade uma relação de amor e ódio com esse livro e com o autor. Ele lida com a história e com os sentimentos de uma forma muito manipuladora, real e cruel. Podemos sentir as ironias e experiências, sem contar no terror psicológico tanto no seguimento da história, como nas críticas e na essência do que ele tentou passar através da trama. Eu ri, chorei muito com toda a idéia e descrição dele acerca a morte (ele mostrou uma perspectiva tão realista, que eu não sabia se chorava mais, ou ficava extremamente irritada - ainda não entendo como ele consegue passar esse tipo sensação, ou ele teve experiências parecidas ou é muito inteligente e ou perturbado). Na maior parte do livro não senti medo, mas sim ansiedade, mas no terço final - que li de madrugada - não vou negar que não queria ir ao banheiro sozinha...  

Quotes:

(...) O solo do coração de um homem é mais emperdemido (...) Mas um homem planta o que pode... e cuida do que plantou"
(...) Gosto muito daquele sermão de Eclesiastes: "Não há nada de novo debaixo do sol" Oh, as vezes o brilho que cintila sobre uma coisa se modifica, mas isso é tudo. O que foi experimentado uma vez já foi experimentado antes...e antes... e antes."
Provavelmente é um erro acreditar que existe limite para o horror que a mente humana pode suportar (...) Por menos que se goste de admitir, a experência humana tende, sob muitos aspectos, a corroborar a idéia de que quando o pesadelo se torna terrível o bastante, o horror produz mais horror (...) até que finalmente a desgraça parece tomar conta de tudo. "
"Talvez nunca daquela parte, nunca de todo, mas certamente da maioria das outras. Louis Creed não era psiquiatra, mas sabia que na vida de qualquer pessoa existem coisas enferrujadas, mas não de todo enterradas."
"Por incrível que pareça, o moribundo estava se mexendo. Os olhos tremeram e se abriram. Olhos azuis, a íris cercada de um anel de sangue. Olhavam perdidamente ao redor, sem enxergar nada."
"Em algum lugar, ouviu um gotejar de água e, em seguida, como um rio incessante no fundo das estrelas, o gemido monótono da ventania continuou sendo o único som que rompia o silêncio do Pequeno Pântano de Deus."
 
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