Resenha - Enclausurado

Resenha feita pela Lary!  
Título: Enclausurado
Livro único.
Autor: Ian McEwan
Editora: Cia das Letras
Páginas: 200
Ano: 2016
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Inusitado!

Sinopse: O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

A Trama: Trudy Cairncross e Claude Caircronss se desejam ardentemente, assim como almejam a antiga e decadente mansão georgiana situada em Londres, pertencente a família Caircronss. Infelizmente a casa foi deixada como herança para John Caicronss, primogênito da família, que casou-se e levou a esposa para morar com ele no Hemilton Terrace. Apesar de estarem separados no momento, ele ama a esposa desesperadamente, esperam um filho inclusive - ela já está com nove meses de gestação. Sua esposa pediu um tempo para que possam crescer como pessoas, isso suplantado ao fato de que ele é um poeta desconhecido e que a editora cujo é dono está a beira da falência, apesar disso ele se endividada para agradá-la e aluga um apartamento decrépito para lhe dar espaço. Trudy e Claude precisam se livrar de John, afim de conseguir a posse da casa, já tem até um plano traçado... O que acontece aqui, para a tristeza e ira do protagonista em questão, um pequeno bebê de nove meses de idade - que ainda nem nasceu - é que Trudy é a esposa de John e Claude é seu irmão. Nossa, muito impactante certo? Foi o que me levou a querer ler, além da óbvia referência a Shakespeare.

O Protagonista: Nosso protagonista não tem nome, afinal ele nem nasceu ainda. Absurdamente culto para um ser humano ainda em início de desenvolvimento, ele é um narrador divertido e irônico. Apreciador dos vinhos consumidos por sua genitora, ele descobre o mundo através das conversas ao seu redor e de podcasts tocados no rádio, que informam a situação geopolítica do mundo e de seu país. Ele possui uma relação de amor e ódio com Trudy, onde o amor advém do laço e carinho que possuem um para com o outro, enquanto ele luta contra a cólera e indignação de sua infidelidade e o que deseja fazer com seu pai. Em contra partida ele é bem decidido sobre seus sentimentos para com o pai: admiração, orgulho e amor; e também para com Claude: irritação e desprezo. Ouso dizer que a forma abordada pelo autor, do relacionamento, discernimento e composição das personagens é incrível, mesmo que tenha uma outra fonte de criação, funcionou perfeitamente e é admirável.

Os personagens: Trudy e Claude são de dar pena, mesquinhos e invejosos - não julgo o que possuem como amor. Consigo ter um pouco mais de simpatia com Trudy, por que além de ela ser uma covarde coagida somos atingidos pelos sentimentos do feto por ela e vice-versa. Jonh é adorável, mas as vezes também consegue ser irritante.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é instigante, e a contra capa discretamente perturbadora... a diagramação é simples, tem um ótimo tamanho da fonte apesar do livro ser pequeno. A escrita de Ian é maravilhosa, eloquente, inteligente, irônica e divertida.

Concluindo: É um livro diferente, criativo, de leitura rápida e viciosa. Gostei muito, minha primeira experiência com esse autor, já chamou muito minha atenção.

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