Resenha - O Mistério dos Cavalos Alados

Título: O Mistério dos Cavalos Alados
Título Original: The Secret Horses of Briar Hill
Livro Único
Autora: Megan Shepherd
Editora: Plataforma21
Páginas: 384
Saiba mais: Skoob
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Fofíssimo e surpreendentemente profundo.

Sinopse: Nosso mundo tem cores. Você só precisa saber onde procurar.
Existem cavalos alados nos espelhos do Hospital Briar Hill – esses espelhos refletem os elegantes quartos que já pertenceram a uma princesa, mas que agora são o lar de crianças doentes. Somente Emmaline pode enxergá-los. Este é o seu segredo.
Certa manhã, a menina escala o muro dos jardins abandonados do hospital e descobre algo incrível: um cavalo branco com a asa quebrada que deixou o mundo dos espelhos e invadiu a realidade.
Esse cavalo branco – uma égua chamada Lume de Luar – está se escondendo de uma força sombria e sinistra: o Corcel Negro. Para Emmaline mantê-lo longe de sua nova amiga, ela precisa rodear Lume de Luar com tesouros de tons brilhantes. Mas como a menina encontrará cor em um mundo tão cinzento?

A Trama: Você conhece aquela frase "não sei falar, só sei sentir"? Então...
Para começar, esse livro foi totalmente diferente do que eu esperava. Eu pensei que seria um livro engraçadinho e leve, já que se trata de algo com um ar infanto juvenil. Entretanto, é um livro extremamente profundo e até um pouquinho sombrio, o que não quer dizer que não pode ser lido por crianças!
Emmaline, nossa protagonista, vive em um hospital com várias outras crianças. Aos pouquinhos, por detalhes aqui e ali como aviões e bombardeios que vão sendo mencionados, você compreende que tudo se passa na Segunda Guerra Mundial. Além disso, Emmaline e as outras crianças tem "águas paradas", a versão da garota de tuberculose. O mais legal, porém, é que isso tudo é contado do ponto de vista de uma criança, então não é nada tão triste que vai te fazer molhar as páginas com suas lágrimas.
Emmaline é a única que consegue ver os cavalos alados que moram dentro dos espelhos, até que um dos cavalos aparece no jardim e a protagonista é a única corajosa o suficiente para escalar o muro e cuidar da nova amiga. É encantador ver como a garota lida com as coisas e sim, infelizmente às vezes é de cortar o coração, mas adorei a leitura.

A Protagonista: Emmaline é uma menina muito inteligente. Ela consegue encontrar esconderijos e passagens especiais para se locomover escondida e, por causa disso, acaba indo a vários locais onde os outros não vão, como o jardim. Além disso, a protagonista é uma criança curiosa, destemida e muito criativa, tanto que ela adora desenhar.
Como a autora utiliza essa visão infantil para mostrar diversos fatos importantes na trama, às vezes é preciso estar atento ao significado por traz das palavras da garotinha, porém ela é uma protagonista formidável.

Os Personagens SecundáriosAs outras crianças de Briar Hill não me pareciam particularmente cativantes para ser honesta, gostei mais dos adultos. Ainda assim, todos os personagens receberam um espacinho, até as crianças chatinhas, e gostei de como a autora não tentou "embelezar" os personagens com históricos maravilhosos ou características peculiares. São pessoas tentando sobreviver e, mais que isso, viver.

Capa, Diagramação e Escrita: Tenho muitos comentários sobre a parte gráfica e a escrita, por favor tenham paciência.
Para começar, achei a fonte do livro muito pequenininha. Eu entendo que a intenção foi deixá-lo fino, com cara de infanto juvenil mesmo, mas acho que a fonte deveria ser maior.
E essa capa gente, o que dizer? Ela não é apenas bonita, é uma experiência surreal por si só.
Ainda, o livro original (ou alguma de suas versões) contém ilustrações, como aquelas mostradas neste link. Enquanto as ilustrações geralmente complementam o livro e melhoram a experiência, compreendi e até concordo com a decisão dos editores de não incluí-las, já que são um pouco sombrias e deixam o livro com um toque de "história de terror" na minha opinião, o que não era a intenção da autora.
Sobre a escrita, eu ainda não tinha lido nada da Megan e gostei bastante. A escrita, e a trama em geral, me lembraram muito do livro O Oceano no Fim do Caminho, do Neil Gaiman, com aquele tom de contos de fadas realistas.



Concluindo: Eu adorei o ar de fantasia que traz um toque de realidade oculta, especialmente do ponto de vista de uma criança. É uma leitura rápida e leve, e um livro que pode sim ser lido pelos mais jovens, porém acredito que os adultos vão aproveitá-lo ainda mais.