Resenha - A Zona Morta

Título: A Zona Morta
Título Original: The Dead Zone
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 480
Ano: 2017 
Saiba Mais: Skoob
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A sinopse, além de estar um pouco errada, contém alguns spoilers, então sugiro que não a leiam.

SinopseJonny Smith, um simplório professor secundário, acorda de um coma de cinco anos aparentemente sem sequelas, a não ser por uma área de seu cérebro danificada, que o impede de reconhecer certos objetos. Os médicos dão a essa área o nome de zona morta.
Mas a zona morta abriga muito mais que memórias esquecidas. Por conta dela, Johnny desenvolve o poder de prever o futuro. Mas isso também é sua condenação - nela cresce um tumor que rapidamente suga suas energias.
Após conhecer Greg Stillson, um inescrupuloso candidato a deputado, Johnny tem terríveis visões do político como presidente dos Estados Unidos e o país mergulhando numa guerra nuclear. Perturbado, ele terá que enfrentar o difícil dilema: sofrer em silêncio, sabendo das tragédias que virão, ou matar Stillson, numa desesperada tentativa de impedir a catástrofe prenunciada.

A TramaApós uma noite de muita "sorte" apostando na Roda da Fortuna, Johnny acaba sofrendo um acidente de carro que o deixa em coma por quatro anos e meio. Quando acorda, além de descobrir que perdeu quase cinco anos de sua vida, ele percebe que tem lampejos sobre o passado/presente/futuro de algumas pessoas e objetos ao tocá-los. Isso gera uma comoção entre a impressa, fanáticos religiosos (como sua mãe) e pessoas desesperadas para encontrarem parentes desaparecidos, embora tudo o que Johnny queria fosse retomar sua vida (mesmo que sua namorada da época do acidente agora seja casada e mãe de um menininho). A história se desenrola em volta desse dom paranormal de Johnny de ver (e perder) coisas no que ele chama de Zona Morta, a descrença de muitas pessoas que o chamam de mentiroso e no que Johnny viu poder ser a destruição da nação. O livro é dividido em três partes e, para mim, só as duas primeiras foram realmente interessantes. Antes de passar para "o grande plot da história" (que seria Johnny ver o que seria o fim do mundo ao apertar a mão de um político novato), ele é chamado a ajudar o xerife da cidade de Castle Rock a encontrar o homem que vinha estuprando e matando mulheres ao longo de cinco anos na cidade. Se o autor tivesse explorado apenas esse arco da história, o livro inteiro teria sido bem mais interessante e empolgante. Mas quando ele passa para o arco do político, senti que o livro perdeu um pouco de peso, não era tão empolgante e o plot não foi tão bem explorado, como se ele fosse apenas um "intruso" para deixar o livro mais longo.



Os PersonagensJohnny é um ótimo protagonista e eu gostei de acompanhá-lo ao longo do livro. Um professor novato que já havia conquistado seus alunos e, praticamente, o coração de Sarah. Acompanhamos o quanto é difícil ele retomar sua vida após acordar do coma, principalmente por seus poderes psíquicos terem vazado para a mídia, que não o deixou mais em paz. Personagens como Sarah, Sam (neurologista de Johnny) e Herb (pai de Johnny) também são agradáveis de acompanhar. Vera (mãe do protagonista) passa a ser uma religiosa fervorosa e fanática após o acidente do filho, e ela com certeza vai irritar muitos leitores.


Capa, Diagramação e EscritaA capa é simples, mas eu gosto disso, apenas um pequeno detalhe (a roda da fortuna) que representa perfeitamente a história. A diagramação também é simples e comum, como muitos dos outros livros do autor nessas edições. Como sempre, a escrita do Stephen foi viciante para mim, foi só ler as primeiras linhas do livro para lembrar o porquê de eu gostar tanto dele. Ele tem suas peculiaridades na escrita que só quem leu um livro dele consegue compreender. Além disso, o autor consegue criar personagens reais e marcantes, que você sempre quer saber mais sobre o que vai acontecer com eles. A parte negativa nesse livro, para mim, é que ele não soube decidir exatamente o que queria explorar nesse livro, então ambos os grandes acontecimentos (o assassino e o político maluco) ficaram um pouco apressados.

Concluindo: O livro vale muito a pena se você for fã do Stephen King (mesmo se não for, ainda vale dar uma chance). Esse não é um livro de horror (como King é mais conhecido), mas os elementos paranormais e de suspense consegue sustentar a história muito bem. Ou seja, se você não gosta de livros de terror, esse é um daqueles que dá pra ler sem medo.

Um adicional: A Zona Morta tem uma ligação bem interessante com Cujo (que veio depois).