Resenha - Sempre Vivemos no Castelo


Título: Sempre Vivemos no Castelo
Título Original: We Have Always Lived in the Castle
Autora: Shirley Jackson
Editora: Suma de Letras
Páginas: 200
Ano: 2017
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Uma leitura peculiar.

Sinopse: 
Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blakcwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. 
Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson.

A Trama: Mais do que "um livro perturbador e perverso", conforme adianta a sinopse de Sempre Vivemos no Castelo, acredito que esse é um livro bastante psicológico
Num primeiro momento a história causa uma grande estranheza, no entanto, com o passar das páginas você percebe que essa estranheza se dá porque a história nos é apresentada sob o ponto de vista de Marricat - e a jovem tem uma visão um tanto quanto peculiar das coisas. 
Esse não é um tipo de obra muito comum, e em muitos momentos me vi pensando "que p#$%* é essa" - mas se você se der a oportunidade, vale a leitura. 

Os Personagens: Nenhum - absolutamente nenhum - dos personagens retratados por Shirley Jackson é lá muito normal. Mas, com certeza, Merricat ganha em disparado. 
A menina doce e excêntrica, que perdeu toda a família e vive desejando a morte de quem ousa se atravessar em seu caminho é, sem dúvidas, a melhor personagem da trama. A riqueza de particularidades que foram adicionadas em sua personalidade é surpreendente - um trabalho realmente brilhante da autora.
Candice e Tio Julian foram personagens que não pude entender completamente - não consegui ter certeza se a forma como os dois enxergavam as coisas à sua volta era ingenuidade, mecanismo de defesa ou simplesmente loucura. Porém, ambos foram muito bem desenvolvidos à sua maneira, não deixando dúvidas quanto ao talento de Shirley Jackson.

Capa, Diagramação e EscritaEstou amando que as editoras brasileiras cada vez mais vêm lançando livros em capa dura - no entanto, essa capa me incomodou um pouco. A imagem, em si, combina bastante com a trama, porém, achei as cores um pouco deslocadas - e o fato de o nome da autora receber muito mais destaque do que o título me incomodou bastante. 
Como eu disse no início, o livro é narrado sob o ponto de vista de Merricat, e esse fator pode dificultar um pouco a compreensão da obra. Em muitos momentos tive que reler o parágrafo e analisar se tal situação estava realmente acontecendo ou era mais uma de suas fantasias - mas não posso colocar isso como um defeito, porque sejamos honestos, são poucos os autores que conseguem retratar tão bem esse lado meio louco de seus personagens.  

Concluindo: Como sempre faço questão de destacar aqui, um clássico não se torna um clássico sem razão. E esse livro, lançado originalmente em 1962, com certeza mereceu receber tal status.
Pode não ser uma história que me marcou, pode não ter se tornado um favorito... Mas eu não posso deixar de reconhecer a qualidade dessa obra - e, por isso, indico sua leitura sem pestanejar.
Não é uma leitura fácil, acho importante deixar isso claro, mas é uma leitura enriquecedora.