Resenha - A Nuvem

Título: A Nuvem
Título Original: Thunderhead
Série: Scythe
1- O Ceifador
2- A Nuvem
3- The Toll (09\19 USA)

Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Ano: 2018
Páginas: 496
Saiba mais: Skoob
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Caraca! Segura a véia, que eu fiquei empolgada!
Não há spoilers ou coisas parecidas com isso, exceto em trama.

Sinopse: No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade. Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar. Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?

Trama:  Citra é agora a honorável ceifadora Anastácia, e se esforça para estabelecer sua posição na ceifa, enquanto tenta por realizar corretamente seu trabalho como ceifadora. As rixas entre a velha e a nova ordem crescem no coração da Ceifa, assim como as atrocidades cometidas em nome dessa última. Depois de receber uma segunda chance, clamando por justiça em seu âmago, Rowan se torna o Ceifador Lúcifer (não é exatamente um spoiler, além de ser meio óbvio, estava escrito na lingueta da contra-capa e eu ainda especifiquei lá em cima), eliminando qualquer ceifador corrupto que ouse quebrar as regras sobre sua vigília. Tendo perspectiva e influência, Citra ganha espaço e atenção, inclusive indesejada, e ela e a Grande Dama da Noite passam a sofrem atentados frequentemente. Eu fiquei esperando a história "pegar fogo", terminei a leitura de Ceifador muito empolgada, e como já peguei A Nuvem para ler em seguida, fiquei com pouco desanimada com o ritmo inicial mais calmo, não que ele tenha sido arrastado, eu que estava em outra "vibe".

Personagens: Vamos começar pela nova personagem, Greyson Tolliver. Ele parecia muito apático e desinteressante inicialmente, e foi se tornando um personagem intrincado e muito humano, no final das contas acabou ganhando a minha curiosidade, simplesmente por eu não ter entendido algumas de suas últimas escolhas e nem sua função específica na trama. Citra cresce a cada virada de página, sendo sempre uma personagem deliciosa, mas acho que gosto muito dela porque vejo muito da minha personalidade nela (ou seja, me identifico, mas não que isso classifique ela como a melhor personagem de todos os tempos, mas com certeza aumenta minha afinidade pelas ações que ela toma e pelos pensamentos que tem); divertido observar ela "brincar" no mundo dos ceifadores, talvez um pouco mais segura, comparado ao ambiente extremamente mais inseguro e hostil de O Ceifador. Rowan se transforma em alguma "poesia caótica". Ao longo das duas tramas ele amadurece, regride, se fortalece e em alguns momentos espelha ser exatamente a mesma pessoa que no inicio de tudo; eu continuo gostando muito dele. Se a Citra te coquista no desafio, Rowan te conquista no Carisma. Há diversas personagens interessantes que foram bem exploradas, mas com atuações curtas intencionais, das quais faço questão de aplaudir, e há aquelas de quem não posso comentar que foram... nossa.

Capa, diagramação e Affe: Senti falta do "foguinho" da capa americana (vai, era bonitinho, empolgante! hahaha). A diagramação está impecável, assim como o primeiro, e o tamanho da fonte é perfeito, li o livro todo carregando-o por aí e além de ter sido muito confortável, não foi nem um pouco cansativo. Sei que é cedo para adicionar Neal ao meu "hall de preferidos", mas olha, ele está na "portinha". A dinâmica da escrita dele é maravilha, o suspense é na medida certa, ele consegue manter um mistério inteligente e suas tramas são substâncias e elaboradas. Apesar da analogia ser pobre, a série Scythe está longe de entregar um trabalho final "barato" e "café com leite" como eu tenho visto por aí ultimante, salvando assim minha alma do limbo literário.



Concluindo: Meu melhor elogio para o autor é de que ele é um exímio condutor, te mostrando o que ele quer, quando quer e como quer, te seduzindo e encantando e quando você acha que já entendeu tudo e que o livro será previsível, ele te premia com um final plenamente executado, mostrando que o simples bem feito, excede qualquer coisa.