O Livro é Melhor? - Cemitério Maldito

Título: Cemitério Maldito
Original: Pet Sematary
Livro: O Cemitério - Stephen King
Ano: 1989 e 2019
Assista: 1989: Google Play | 2019: Nos cinemas
Sinopse (do filme): O Dr. Louis Creed, após se mudar para a zona rural do Maine com sua esposa Rachel e seus dois filhos, descobre um misterioso terreno indígena nos fundos da sua nova propriedade. Quando uma tragédia ocorre, Louis recorre ao seu vizinho, Jud Crandall, e acaba iniciando uma cadeia de horrores que libera um mal insondável com terríveis consequências.

Cemitério Maldito foi uma das adaptações mais aguardadas desse ano, principalmente pelos fãs de Stephen King. Depois do sucesso de It, as expectativas estavam bem altas. Mas valeu a pena a espera, sendo que o filme foi lançado aqui um mês após a estreia mundial? Pra começar, vou falar um pouquinho da primeira adaptação, de 1989.


O filme segue o padrão de vários filmes de terror dos anos 80, que pra gente hoje parecem um pouco trash. Os efeitos não são os melhores, e vários aspectos do filme utilizados para assustar o telespectador não funcionam muito bem, pelo menos para mim. Por exemplo, aquele miado de gato quando o bichinho está com raiva ou assustado, foi usado tantas vezes que perdeu o efeito desejado. As atuações também são bem medianas, principalmente do ator que interpreta o Louis.

Para ser justa, o filme é bem fiel ao material do livro, com pequeninas mudanças aqui e ali, que não alteram em nada o rumo da história. A família Creed se muda de Chicago para uma cidadezinha do Maine, onde conhecem o vizinho Jud Crandall, e Louis se torna amigo dele imediatamente. Descobrindo uma trilha em sua propriedade, os membros da família ficam curiosos, e logo Crandall os leva para conhecer o cemitério de animais, onde várias crianças enterraram seus bichinhos mortos durante gerações. 
Apesar de seguir exatamente os passos do livro, a adaptação de 1989 não consegue transmitir as mesas sensações que o original. O livro vai muito além de uma história de terror, ele carrega uma atmosfera de luto e pesar, cada personagem sofrendo de formas diferentes, e tendo sentimentos diferentes. Esse é um aspecto que deixou a adaptação seca, apenas em busca de sustos e sem entregar realmente a alma da história. Sei que foi um filme que marcou muita gente, mas tanto avaliando apenas como filme, quanto avaliando como adaptação, não achei lá essas coisas. Ele teve uma continuação, que eu não cheguei a assistir - nem sei se vou -, então não tenho como opinar.


Agora vamos falar sobre essa nova versão, lançada em abril de 2019 mundialmente, e em maio de 2019 aqui no Brasil.

Desde que assisti ao trailer dessa nova adaptação, eu sabia que seria MUITO diferente do livro, restava saber se seria uma diferença boa ou não. Ainda estou dividida em relação à minha opinião, mas posso dizer que ela tende mais para o lado negativo.

O filme começa como as outras duas versões da história: a família Creed se mudando para uma cidadezinha do Maine. Dessa vez, eles vêm de Boston, e quando chegam à casa nova, tudo parece bem isolado e Jud Crandall não está a vista.

Uma das coisas que gostei dessa adaptação, é que ela carrega uma atmosfera sombria bem maior, tanto pela paleta de cores, quanto pelas atuações. É um filme que eu tentei assistir sem pensar no livro, porque eu já sabia que seria bem diferente, mas é difícil não ficar comparando quando você já conhece a história original, talvez por isso eu fique tão em dúvida sobre o que realmente achar dessa adaptação. 

Alguns elementos são utilizados pra criar uma tensão macabra desnecessária, como as crianças com máscaras de animais que vemos no trailer, que servem apenas para aguçar a curiosidade de Ellie, e depois não aparecem mais na história. Mas outra coisa que também gostei foi Church, o gato, que ficou bem mais parecido com o que eu imaginei lendo o livro, e bem mais macabro que o da primeira adaptação (embora ambos sejam muito fofos antes de morrerem e voltarem à vida).

Como o filme de 1989, esse também não consegue transmitir nem metade de todo o sentimento de perda e luto que a obra original trás, mas consegui sentir um pouquinho disso principalmente em relação a Rachel e sua história com Zelda, sua irmã. Em vários momentos, principalmente no ato final, o filme consegue ser completamente diferente do livro, e o final foi o que mais me deixou surpresa, mas não sei se gosto muito do rumo que tudo levou. 

Quem assistir a esse filme sem ter lido o livro ou assistido a adaptação de 1989, vai ter uma visão bem diferente da minha em relação a como tudo aconteceu. Se você já leu o livro e/ou assistiu a adaptação antiga, e quiser aproveitar esse novo filme realmente, vai ter que tentar tirar completamente da cabeça tudo o que sabe da história e tentar ver como algo novo, senão a decepção vai ser grande.

O LIVRO É MELHOR?

Avaliando as três formas que essa história foi contada (livro, filme de 1989 e filme de 2019), o livro é infinitamente melhor. Você tem um aprofundamento melhor na história dos personagens, seus medos, receios, segredos mais profundos. Sem contar nas sensações que o livro te proporciona além dos sustos de uma história de horror. Se você assistiu a alguma das adaptações - ou as duas - e não curtiu muito, dê uma chance a esse livro, porque vai valer a pena e ele vai te emergir muito mais nessa história.