Resenha - O Clube dos Oito

Título: O Clube dos Oito
Título Original: The Basic Eight
Autora: Daniel Handler
Editora: Seguinte
Ano: 2018
Páginas: 400
Saiba mais: Skoob
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Talvez... decepcionante?


Sinopse: Como um grupo de jovens estudantes bem-educados acabou se envolvendo num escândalo que chocou um país? Por que tantos especialistas em comportamento juvenil têm algo a dizer quando o assunto é o Clube dos Oito? Até quando inúmeras manchetes de jornal e programas de TV sensacionalistas vão explorar o caso nos mínimos detalhes? Para fazer com que a verdade venha à tona, Flannery Culp, a dita líder do Clube, decide tornar público o diário que manteve ao longo do seu desastroso último ano de ensino médio. Agora que está presa por cometer um assassinato, a garota tem tempo de editar o que escreveu e revisitar a rotina que levava ao lado de seus sete melhores amigos. A narrativa de Flan, permeada de professores da pior índole, um amor não correspondido, aulas complicadas e jantares pomposos, comprova que ela pode até ser uma adolescente criminosa — mas, pelo menos, é uma adolescente criminosa muito inteligente.

Trama: Flannery Cup está presa pelo assassinato de sua paixão adolescente, Adam State, que supostamente ocorreu em seu último ano do ensino médio, e no qual ela manteve um diário escrito com esmero, relatando todos os acontecimentos de sua vida naquele período. Depois que o caos gerado pela situação se acalma, junto às investigações e estudos de psicólogos e especialistas, Flan decide revisar seu diário para poder publicá-lo com a sua versão da história, que difere muito da divulgada para o público. Eu comecei a ler o livro com uma empolgação média e sem muitas expectativas, mas durante a leitura fui me envolvendo com a trama que melhorava a cada momento e desejei ardentemente que ele tivesse um desfecho interessante. Porém, comecei a reparar em alguns "detalhes".

Personagens: A construção de cada personagem aqui é muito importante (funcionando muitas vezes como alegorias) para a composição da trama, e acredito que, inclusive, para a formação da psique de nossa protagonista (mais tarde comento disso com spoilers). Por isso irei me concentrar na protagonista para não estragar a experiência de nenhum leitor. Flannery é uma adolescente de classe média alta, que ama literatura. Aspirando ser escritora, ela escreve em seu diário e rascunha ideias de futuras histórias. Negligenciada pelos pais, ela responde ao descaso fraterno com desprezo e se refugia em seu excêntrico grupo de amigos. O clube dos Oito, como acabaram se proclamando, se orgulham de sua erudição, classe e modos, se reúnem para ouvir música clássica, beber vinho e dão jantares regularmente. "Spoiler Relativo" O grupo é composto por: Natasha - uma femme fatale independente, carismática e decidida; Gabriel - um tímido [ou talvez introvertido] e gentil afro-americano; Kate - a maior fofoqueira do colégio que por algum motivo só usa azul; Lily - Organizada, metódica ela é violoncelista e namorada de Douglas; Jennifer Rose Milton - a filha "perfeita' da professora de francês, linda, educada, inteligente e gentil; Douglas - Violinista da orquestra da escola, Ex-namorado de Flanerry e atual namorado de Lilly; V - polida e refinada vem de uma família muito rica. Selecione o texto para ler, aqui descrevo melhor as personagens, não de forma super detalhada, mas revelando algumas coisas do inicio da trama.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é sucinta, mas define bem a essência do grupo em uma imagem. A diagramação é comum e confortável. A escrita de Daniel é muito divertida e envolvente, e a leitura deslancha logo nas primeiras páginas, sendo capaz de te manipular durante a trama - em vários momentos eu me via torcendo pela protagonista enquanto, em outras, eu queria espancá-la.

Concluindo:  Sim, eu me decepcionei e muito, justamente por a narrativa ser interessante e bem apresentada. Durante a leitura, o autor te apresenta pequenos "detalhes" que elucidam o ''grande mistério" e... não funcionou pra mim. Eu sempre tento justificar, sei lá, com o hábito da leitura e principalmente de alguns gêneros específicos, ou até livros com plots muito parecidos (sabemos que não há mais criatividade no mundo), podemos ficar sugestivos a algumas coisas. Mas as "pistas" (que, pra mim, pareciam pegadas de mamute) e a trama que a orelha do livro faz questão de frisar que não subestima a inteligência do leitor,  são questionáveis.