Resenha - Pessoas Normais

Título: Pessoas Normais
Título Original: Normal People
Livro Único. 
Autor: Sally Rooney
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 264
Ano: Edição: 2019 | Original: 2018
Saiba Mais: Skoob / Goodreads
Comprar: Amazon 

Aviso de gatilho: violência doméstica/violência familiar e abuso sexual.

Sinopse: Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes — contudo, um deles está determinado a esconder a relação.Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, inseguro. Enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.

A TramaEm Pessoas Normais, acompanhamos o relacionamento de Connell e Marianne durante alguns anos de suas vidas, do ensino médio à faculdade. Marianne sempre foi a pária da escola, apesar da família rica, não tinha amigos e vivia isolada de todos. Já Connell vem de um lar mais simples, sua mãe trabalha limpando a casa de Marianne alguns dias da semana, e é bem popular na escola. Às escondidas, os dois estabelecem uma amizade secreta, toda vez que Connell vai buscar sua mãe no trabalho, e em certo momento essa amizade se torna algo mais. Por medo dos julgamentos dos amigos de Connnell na escola, eles decidem manter tudo que aconteceu entre eles em segredo. Mas não é como se isso fosse dar certo para sempre. Esse é um livro difícil de avaliar, porque não consigo considerar a história muito bem elaborada, nem os personagens muito cativantes. Porém, esse livro não necessariamente pede por isso, porque está apenas contando uma parte da trajetória de duas pessoas imperfeitas e suas idas e vindas no meio do caminho. Não é uma leitura que vai trazer reviravoltas ou ação, é um livro puramente carregado pelos personagens.

Os PersonagensConnell e Marianne são duas pessoas complexas e difíceis de se apegar. Para mim, foi mais difícil gostar de Connell, porque desde o início o garoto me irritou profundamente com todo o seu medo de dizer que estava com Marianne e isso estragar sua "popularidade". Os dois personagens mudam bastante ao longo do tempo passado no livro, mas consegui sentir mais empatia por Marianne, toda sua história trás uma carga emocional muito grande, e conforme vamos descobrindo isso no livro, vamos entendendo cada vez mais sua personalidade. Uma menção honrosa bem rapidinha à mãe de Connell, Lorraine, que é uma mulher maravilhosa e colocou o filho em seu devido lugar em certo momento.


Capa, Diagramação e EscritaEu gostei do tom de verde na capa, ao vivo ele é mais claro e mais "vivo". A ilustração pode parecer estranha no início, mas vamos percebendo seu sentido conforme vamos adentrando mais nas vidas dos protagonistas. A escrita da autora é bem fluida e ela escreve muito bem. No início é um pouco estranho acompanhar os diálogos, porque não tem nenhum travessão ou aspas iniciando quando algum começa, eles estão inclusive no meio dos parágrafos, mas conforme a leitura avança, você se acostuma. O livro é contado em terceira pessoa dos pontos de vistas de Connell e Marianne, e cada capítulo é marcado por uma passagem de tempo, como "três meses depois", "seis meses depois" e etc. Achei bem interessante acompanhar a história com essas puladas no tempo, tornaram os acontecimentos mais dinâmicos e não deixou a história repetitiva.

Concluindo
Pessoas Normais é um livro para quem gosta de acompanhar personagens e suas histórias de vida, sem esperar plot twists, mistérios ou ação. Essa é a história de duas pessoas que tentam ao mesmo tempo ficarem juntas e não ficarem juntas, e o final não podia ser mais condizente com tudo o que aconteceu.