Resenha - Tintim na América

Título: Tintim Na América 
Título Original: Tintin en Amèrique
Serie: As Aventuras de Tintim #3
Editora: Hergé
Editora: Quadrinhos da Cia
Páginas: 62
Ano: 2009 (original 1973)
Saiba mais: Skoob | Goodreads
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Defasado, porém promissor.

Sinopse: Após o episódio no Congo, Tintim é enviado aos Estados Unidos da América (durante a época da lei seca). Ao chegar em Chicago, é imediatamente raptado por gângsteres de Al Capone, que o consideram perigoso. Após escapar e os deter, ele é atacado por Bobby Smiles, o chefe de um bando rival. A perseguição conduz Tintim aos peles-vermelhas, que Bobby Smiles voltou contra ele. Tintim captura o criminoso e volta à Chicago. Novamente, combate outros gângsteres e sai vitorioso. Ele deixa o país após um desfile bem digno dos heróis norte-americanos.



A Trama: Tintim vai aos Estados Unidos com a intenção de acabar com a máfia americana (como assimmmm, simples assim) que crescia e dominava cada vez mais estados americanos. Desembarcando em Chicago, ele é logo raptado por gângsters a serviço de Al Capone. A partir daí, uma sequência de atos irrealistas e fuleiros acontecem como consequência das tentativas de oposição de ambos os lados. Ok, eu fui um pouco cruel com essa descrição, mas essas edições mais antigas de Tintim são... desafiantes. Apesar disso, a trama tem um objetivo claro, mesmo que pouco profundo, e torna a história coerente, embora ela se desvie em subtramas pouco funcionais.


O Protagonista: Novamente, aqui temos um Tintim com ares de super-herói, impaciente, irresponsável e preconceituoso (sobre esse último, os volumes publicados anteriormente a este até são abordados sobre essa ótica, e apesar de Tintim não agir conscientemente, é direcionado e influenciado pelo conceito geral imposto no ambiente que é naturalmente racista).


Os Personagens Secundários: Milu é o único que alcança algum destaque devido as suas insinuações engraçadinhas e provocativas.


Capa, Arte e Finalização: A versão de 1979 faz pequenas, porém importantes, mudanças em relação à de 1945. Sobre o conceito de arte, o traço e a capa já estão padronizados para o modelo mais moderno das aventuras do repórter - que cativa pelos detalhes, realismo e capricho. Quanto a influencia das mudanças, elas nada significam frente a trama, mas ilustra bem o que comentei em Trama, e a realidade da época que persuadiu o autor.


Preciso destacar a passagem que ocorre a partir do momento que Tintim encontra o poço de petróleo, ela acontece em elipse para expor o nível de urgência, descaso e atordoamento das partes envolvidas.


Concluindo: Ainda luto pra me adaptar ao conceito histórico necessário para a leitura e avaliação completa dos primeiros volumes das aventuras de Tintim. Reconheço o olhar crítico do autor sobre as consequências da Lei Seca e o crescimento do crime organizado. Achei irônico e interessante o modo como abordou o choque cultural e econômico da sociedade americana que, em crescimento, se mostra alheia ou desdenhosa à situação dos Ameríndios. Em resumo, a edição é bonita e de fácil apreciação; a trama é simples, mas proporciona momentos divertidos, mesmo que em alguns momentos a destreza do protagonista teste nossa crença na plausibilidade de seus atos. Em Tintim na América, podemos ver o esboço do personagem que tanto amamos criar forma.