Resenha - O Aprendiz de Assasino

Título: O Aprendiz de Assasino
Título Original: Assassin's Apprentice
Série: A Saga do Assassino # 1
1- A O aprendiz de Assasino
2- (1996 US)
3- (1997 US)
Autora: Robin Hobb
Editora: Suma de Letras
Ano: 2019
Páginas: 376
Saiba mais: Skoob\Goodreads
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Sinopse: Com personagens cativantes, tramas políticas complexas e lutas cheias de magia e reviravoltas, O Aprendiz de Assassino é tudo o que um fã do gênero pode esperar de uma ótima fantasia épica. Fitz tem seis anos de idade quando seu avô o joga aos pés de um guarda real e anuncia que a partir de então o pai deve cuidar do bastardo que produziu ― e o pai de Fitz é ninguém menos que Chilvary Farseer, o príncipe herdeiro dos Seis Ducados. Excluído pela realeza, mas importante demais para ser abandonado, Fitz é criado à sombra da corte, protegido pelo mestre dos estábulos e crescendo em meio aos criados e plebeus da Cidade de Torre do Cervo. No entanto, um bastardo real é uma peça perigosa, e o rei Shrewd não demora a convocá-lo. Carregando no sangue a magia ancestral do Talento e uma habilidade ainda mais instintiva de se comunicar com os animais, Fitz passa a ser treinado para se tornar um assassino a serviço do rei. Quando saqueadores selvagens começam a atacar as regiões costeiras dos Seis Ducados, Fitz recebe sua primeira missão. Embora alguns o vejam como uma ameaça, o jovem bastardo vai provar que pode ser a chave para a sobrevivência do reino.

“Exatamente como um livro de fantasia deve ser. A obra de Hobb é um diamante em meio a falsos brilhantes.” ― George R.R. Martin


Trama: Aos seis anos, Fitz é entregue por seu avó materno aos cuidados de um entreposto do exército onde residia temporariamente seu tio, o segundo príncipe dos Seis Ducados. Ele é taxado de bastardo e levado para a Torre do Cervo - residência da realeza. Criado pelo homem de confiança de seu pai, Fitz cresce entre os empregados da Torre, depois de alguns anos, seu avô, o Rei, se recorda de sua existência e o apadrinha, contanto que ele lhe jure fidelidade. A partir daí, Fitz inicia seus estudos sobre os costumes da realeza durante o dia e como se tornar um exímio assassino durante a noite. Apostando em um realismo palpável, mesmo que ambientada em um mundo de fantasia, a trama preza por detalhes narrativos, não de forma descritiva como Stephen King costuma fazer, por exemplo, mas buscando esmiuçar as experiências dos personagens. Apesar de ter me causado estranheza, a apresentação minuciosa dos fatos enreda uma absorção notável durante a leitura.

Personagens: Inicialmente, Fitz, chamado apenas de "O Garoto", demonstra uma apatia que nos possibilita estudar o seu exterior e os acontecimentos acerca dele de forma imparcial. Conforme ele cresce e se molda com as experiências, conseguimos distinguir seus traços de personalidade. Nesse ponto, já estamos tão intrincados ao personagem que, pessoalmente, me senti em seu lugar na trama. Além de demonstrar aptidão para o ofício de assassino, Fitz demonstra uma grande vocação para o uso do Talento (um tipo de telepatia com controle mental) e da Manha (habilidade de se conectar com outros seres vivos em mente e sentidos). Vou me abster a falar somente sobre Burrich, pois a quantidade de personagens é variável e o desenvolvimento de alguns só se inicia mais à frente na trama. Homem de confiança de Chilvary, Burrich é sua companhia constante. Além de cuidar de seus cavalos e demais animais de caça, era devotado e leal, chegando a arriscar a vida por seu mestre. Tem uma índole correta e se esforça pra criar Fitz como um homem de caráter. Mesmo que de uma forma rude, ele demonstra carinho em relação ao protagonista.


Capa, Diagramação e Escrita:  A ilustração da capa, assim como suas cores, destacam-se pela sobriedade. Me irritei com o tamanho da fonte e o quanto a edição se esforçou para espremer o máximo de palavras possíveis em uma página de 25cm x 14cm, o que torna a leitura desconfortável, pra dizer o mínimo. O estilo escolhido de narrativa em primeira pessoa, de forma tão detalhada e em ciclos, nos aproxima do protagonista da mesma forma que ele consegue criar laços através do uso de suas habilidades com o Talento e a Manha, e torna nossa identificação com o protagonista praticamente simbiótica.

Concluindo: Com uma configuração ligeiramente incomum, Robin Hobb consegue entremear a história de Fitz na vontade do leitor. Eu me via tentando deixar o livro várias vezes, principalmente no começo, onde a trama inicia devagar, mas havia algo que me mantinha ali, de forma discreta. Mesmo que, aparentemente, eu achasse o livro desinteressante, algo me puxava e não me deixava largar a leitura. Contagiante de forma singela e com um conjunto de qualidades inegáveis, Robin Hobb ganhou minha atenção.